segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Gene Wilder

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1933 - 2016
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domingo, 28 de agosto de 2016

Juan Gabriel

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1950 - 2016
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FARCUME - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Faro 2016: os vencedores

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Foram hoje anunciados os vencedores da sexta edição do FARCUME - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Faro que hoje termina na capital Algarvia. São eles:
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Ficção
1º Classificado: Born in Battle, de Yangzom Brauen (Suíça)
2º Classificado: Coming to Terms, de David Bertran (Espanha)
3º Classificado: Who's in the Fridge? (A Love Story), de Philippe Lamensch (Bélgica)
Menção Honrosa: Kuru, de Francisco Antunez (Portugal), Luto Branco, de Frederico Ferreira (Portugal) e TURP, de Liliana Gonçalves (Portugal)
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Documentário
1º Classificado: Nature Needs You, de Mark Pearce (Austrália)
2º Classificado: Sur les Pointes, de Diana Ricardo, Maria do Carmo Duarte e Sandra Carneiro (Portugal)
3º Classificado: When Our Gardens Grow Silent, de Mzung (Vietname)
Menção Honrosa: Espaço Memória - Tipografia Popular do Seixal, de Mário Sirgado (Portugal), O Barbeiro Guitarrista, de André Almeida Rodrigues (Portugal), Whale Aware, de Lauren Gilberson (EUA) e Entremundo, de Thiago B. Mendonça e Renata Jardim (Brasil)
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Animação
1º Classificado: The Beach Boy, de Hannes Ral (Singapura/Alemanha)
2º Classificado: The Edge, de Alexandra Averyanova (Rússia)
3º Classificado: Pronto, Era Assim, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues (Portugal)
Menção Honrosa: Karouma, de Boubaker Boukhari (Emiratos Árabes Unidos) e Juan y la Nube, de Giovanni Maccelli (Espanha)
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Videoclip
1º Classificado: Tonight Is the Night, de Javier Chacártegui (Espanha)
2º Classificado: Can You Decide, de Lu Pulici (Itália)
3º Classificado: The Apple & the Serpent, de Cristina Vieira (Portugal)
Menção Honrosa: Broken Dance, de Konstantin Vihrev-Smirnov (Rússia), Walking Dead, de Luís Miranda (Portugal) e Caixinhas by Orblua, de Carlos Norton (Portugal)
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Curtíssima
Prémio Curtíssima: Stripes, de Tibo Pinsard (França)
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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Maria Eugénia

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1927 - 2016
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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu 2016: os nomeados

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O Shortcutz Viseu acaba de anunciar todos os seus nomeados do terceiro aniversário que serão premiados numa cerimónia a realizar no próximo dia 3 de Setembro no Carmo'81, em Viseu.
Entre os nomeados estão não só as curtas-metragens eleitas como a melhor de cada mês bem como num conjunto de outras categorias entre as quais Melhor Realizador, Actor e Actriz. São assim os nomeados:
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Melhor Curta do Ano
Arcana, de Jerónimo Ribeiro Rocha
Deus Providenciará, de Luís Porto
Doce Lar, de Nuno Baltazar
Gasolina, de João Teixeira
Kuru, de Francisco Antunez
Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso
Luto Branco, de Frederico Ferreira
OOBE, de Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro
Prefiro Não Dizer, de Pedro Augusto Almeida
O Silêncio Entre Duas Canções, de Mónica Lima
Vazio, de Bruno Gascon
Xico+Xana, de Francisco Falcão
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Melhor Actor
Miguel Borges, Encontradouro
Adriano Carvalho, Doce Lar
Jorge Cruz, Vazio
José Mata, Luto Branco
João Sá Nogueira, Xico+Xana
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Melhor Actriz
Isabel Abreu, Deus Providenciará
Sara Barros Leitão, Marta
Tânia Figueiras Ribeiro, Prefiro Não Dizer
Mia Tomé, Sintoma de Ausência
Joana de Verona, O Silêncio Entre Duas Canções
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Melhor Realizador
Jerónimo Ribeiro Rocha, Arcana
Luís Porto, Deus Providenciará
Francisco Antunez, Kuru
Bernardo Gomes de Almeida, Marta
Pedro Augusto Almeida, Prefiro Não Dizer
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Melhor Argumento
Arcana, Jerónimo Ribeiro Rocha
Deus Providenciará, Jaime Monsanto e Nuno Campos Monteiro
Lei da Gravidade, Tiago Rosa-Rosso
Luto Branco, Frederico Ferreira
Que é Feito dos Dias na Cave?, Tiago Primitivo
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Melhor Fotografia
Arcana, João Lança Morais
Gasolina, António Lima
OOBE, Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro
Prefiro Não Dizer, Vasco Mendes
Sintoma de Ausência, Mário Ferronha
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Melhor Som
Arcana, Henrique Lima
Deus Providenciará, Nuno Maciel
Encontradouro, Sérgio Costa
OOBE, Luís Tomás
Vazio, Filipe Goulart
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Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Curta do Ano 2016

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À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os seus últimos nomeados, ou seja, aqueles ao prémio de Melhor Curta do Ano que consiste nos vencedores mensais mais uma curta-metragem considerada de elevado valor artístico. São eles:
  • Arcana, de Jerónimo Ribeiro Rocha
  • Deus Providenciará, de Luís Porto
  • Doce Lar, de Nuno Baltazar
  • Gasolina, de João Teixeira
  • Kuru, de Francisco Antunez
  • Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso
  • Luto Branco, de Frederico Ferreira
  • OOBE, de Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro
  • Prefiro Não Dizer, de Pedro Augusto Almeida
  • O Silêncio Entre Duas Canções, de Mónica Lima
  • Vazio, de Bruno Gascon
  • Xico+Xana, de Francisco Falcão
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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European Film Awards 2016 - pré-selecção oficial

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje a sua lista de longas-metragens de ficção pré-seleccionadas aos European Film Awards referentes ao corrente ano, que serão entregues no próximo dia 10 de Dezembro em Wroclaw - Capital Europeia da Cultura -, na Polónia. 
Esta selecção deriva de uma escolha por parte dos vinte países com maior representação junto da Academia Europeia de Cinema e de um comité composto por Péter Bognár (Hungria), Dave Calhoun (Reino Unido), Paz Lazaro Barquilla (Espanha), Christophe Leparc (França) e Alik Shpilyuk (Ucrânia) que incluíram outras obras representativas daquilo que de melhor se fez durante o ano na Europa.
As obras cinematográficas Europeias pré-seleccionadas são:
  • 24 Wochen, de Anne Zohra Berrached (Alemanha)
  • Abluka, de Emin Alper (Turquia/Qatar/França)
  • D'Ardennen, de Robin Pront (Bélgica/Holanda)
  • L'Avenir, de Mia Hansen-Love (França/Alemanha)
  • Ausma, de Laila Pakalnina (Letónia/Polónia/Estónia)
  • Bacalaureat, de Cristian Mungiu (Roménia/França/Bélgica)
  • Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira (Portugal)
  • Chevalier, de Athina Rachel Tsangari (Grécia/Alemanha)
  • Córki Dancingu, de Agnieszka Smoczynska (Polónia)
  • Einer von Uns, de Stephan Richter (Áustria)
  • Elle, de Paul Verhoeven (França/Alemanha)
  • La Fille Inconnu, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (Bélgica/França)
  • Florence Foster Jenkins, de Stephen Frears (Reino Unido)
  • Hymalievä Mies, de Juho Kuosmanen (Finlândia/Alemanha/Suécia)
  • I, Daniel Blake, de Ken Loach (Reino Unido/França)
  • Já, Olga Hepnarová, de Tomás Weinreb e Petr Kazda (República Checa/Polónia/Eslováquia/França)
  • Julieta, de Pedro Almodóvar (Espanha)
  • Kollektivet, de Thomas Vinterberg (Dinamarca/Suécia/Holanda)
  • Köpek, de Esen Isik (Suíça)
  • Krigen, de Adam Nielsen (Dinamarca)
  • Mammal, de Rebecca Daly (Irlanda/Luxemburgo/Holanda)
  • En Man Som Heter Ove, de Hannes Holm (Suécia/Noruega)
  • Me'Ever Laharim Vehagvaot, de Eran Kolirin (Israel/Alemanha/Bélgica)
  • Mimosas, de Oliver Laxe (Espanha/Marrocos/França/Qatar)
  • Non Essere Cattivo, de Claudio Caligari (Itália)
  • Obce Niebo, de Dariusz Gajewski (Polónia)
  • El Olivo, de Iciar Bollaín (Espanha/Alemanha)
  • The Paradise Suite, de Joost van Ginkel (Holanda/Suécia/Bulgária)
  • La Pazza Gioia, de Paolo Virzì (Itália/França)
  • Perfetti Sconosciuti, de Paolo Genovese (Itália)
  • Pesn Pesney, de Eva Neymann (Ucrânia)
  • Prestir, de Rúnar Rúnarsson (Islândia/Dinamarca/Croácia)
  • Pyromanen, de Erik Skjoldbjaerg (Noruega/Suécia/Alemanha)
  • Quand on a 17 Ans, de André Téchiné (França)
  • Rauf, de Baris Kaya e Soner Caner (Turquia)
  • Room, de Lenny Abrahamson (Irlanda/Canadá)
  • S On Strane, de Zrinko Ogresta (Croácia/Sérvia)
  • Sieranevada, de Cristi Puiu (Roménia/França)
  • Smrt u Sarajevu, de Danis Tanovic (Bósnia-Herzegovina)
  • Der Staat Gegen Fritz Bauer, de Lars Kraume (Alemanha)
  • Suffragette, de Sarah Gavron (Reino Unido)
  • Suntan, de Argyris Papadimitropoulos (Grécia/Alemanha)
  • Tikkun, de Avishai Sivan (Israel)
  • Tiszta Szívvel, de Attila Till (Hungria)
  • Toni Erdmann, de Maren Ade (Alemanha/Áustria)
  • Truman, de Cesc Gay (Espanha/Argentina)
  • Uchenik, de Kiril Serebrennikov (Rússia)
  • Under Sandet, de Martin Zandvliet (Dinamarca/Alemanha)
  • Zjednoczone Stany Milosci, de Tomasz Wasilewski (Polónia/Suécia)
  • Ztraceni v Mnichove, de Petr Zelenka (República Checa)
Os nomeados nas categorias de Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento serão conhecidos a 5 de Novembro próximo durante o Festival de Cinema Europeu de Sevilha, em Espanha.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Realização 2016

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À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os cinco nomeados ao prémio de Melhor Realização do ano. São eles:
  • Jerónimo Ribeiro Rocha, Arcana
  • Luís Porto, Deus Providenciará
  • Francisco Antunez, Kuru
  • Bernardo Gomes de Almeida, Marta
  • Pedro Augusto Almeida, Prefiro Não Dizer
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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domingo, 21 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Som 2016

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À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os cinco nomeados ao prémio de Melhor Som do ano. São eles:
  • Henrique Lima, Arcana
  • Nuno Maciel, Deus Providenciará
  • Sérgio Costa, Encontradouro
  • Luís Tomás, OOBE
  • Filipe Goulart, Vazio
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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sábado, 20 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Argumento 2016

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À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os cinco nomeados ao prémio de Melhor Argumento do ano. São eles:
  • Jerónimo Ribeiro Rocha, Arcana
  • Jaime Monsanto e Nuno Campos Monteiro, Deus Providenciará
  • Tiago Rosa-Rosso, Lei da Gravidade
  • Frederico Ferreira, Luto Branco
  • Tiago Primitivo, Que é Feito dos Dias na Cave?
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Fotografia 2016

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À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os cinco nomeados ao prémio de Melhor Fotografia do ano. São eles:
  • João Lança Morais, Arcana
  • António Lima, Gasolina
  • Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro, OOBE
  • Vasco Mendes, Prefiro Não Dizer
  • Mário Ferronha, Sintoma de Ausência
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Madalena Sotto

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1916 - 2016
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Shortcutz Viseu - nomeados a Melhor Actor 2016

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À semelhança do que aconteceu ontem com as cinco nomeadas para Melhor Actriz, o Shortcutz Viseu anunciou hoje os cinco nomeados ao prémio de Melhor Actor do ano. São eles:
  • Miguel Borges, Encontradouro
  • Adriano Carvalho, Doce Lar
  • Jorge Cruz, Vazio
  • José Mata, Luto Branco
  • João Sá Nogueira, Xico+Xana
O vencedor desta e demais categorias será revelado no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Arthur Hiller

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1923 - 2016
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Shortcutz Viseu - nomeadas a Melhor Actriz 2016

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O Shortcutz Viseu anunciou hoje as cinco nomeadas ao prémio de Melhor Actriz do ano. São elas:
  • Isabel Abreu, Deus Providenciará
  • Sara Barros Leirão, Marta
  • Tânia Figueiras Ribeiro, Prefiro Não Dizer
  • Mia Tomé, Sintoma de Ausência
  • Joana de Verona, O Silêncio Entre Duas Canções
A vencedora desta e demais categorias será revelada no próximo dia 3 de Setembro numa cerimónia a realizar no Carmo'81, em Viseu.
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

European Film Awards 2016: Documentários pré-seleccionados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os quinze documentários em formato de longa-metragem pré-seleccionados para as cinco nomeações dos European Film Awards a atribuir em Dezembro próximo.
São eles:
  1. 21 X Nowy Jork, de Piotr Stasik (Polónia)
  2. Bella e Perduta, de Pietro Marcello (Itália)
  3. Bref Manuel de Liberation, de Alexander Kuznetsov (França)
  4. Déjà Vu, de Jon Bang Carlsen (Dinamarca)
  5. Ein Deutsches Leben, de Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer (Áustria)
  6. Europe, She Loves, de Jan Gassmann (Suíça/Alemanha)
  7. A Family Affair, de Tom Fassaert (Holanda/Bélgica)
  8. Fuocoammare, de Gianfranco Rosi (Itália/França)
  9. Herr Von Bohlen, de André Shäfer (Alemanha)
  10. The Land of the Enlightened, de Pieter-Jan de Pue (Bélgica/Irlanda/Holanda/Alemanha)
  11. Mallory, de Helena Trestíková (República Checa)
  12. Mr. Gaga, de Tomer Heymann (Israel/Suécia/Alemanha/Holanda)
  13. O Pio Makris Dromos, de Marianna Economou (Grécia)
  14. Sobytie, de Sergei Loznitsa (Holanda/Bélgica)
  15. Den Unge Zlatan, de Fredrik Gertten e Magnus Gertten (Suécia/Holanda/Itália)
Os nomeados serão anunciados em Novembro próximo e a cerimónia de entrega dos European Film Awards irá decorrer no dia 10 de Dezembro em Wroclaw, na Polónia, Capital Europeia da Cultura 2016.
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Elke Maravilha

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1945 - 2016
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domingo, 14 de agosto de 2016

Alone (2013)

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Alone de Brock Torunski é uma curta-metragem canadiana de ficção e que versa sobre o fim dos tempos quando, num mundo pós-apocalíptico, um homem (Alex Vietinghoff) - o último homem na Terra - recorda o passado tendo em mente o seu presente, solitário e onde todo um conjunto de rotinas se limita à sua própria sobrevivência.
Realizador e actor assinam o argumento de Alone, uma invulgar curta-metragem sobre o fim dos tempos onde a acção não se concentra sobre qualquer tipo de cataclismo ou epidemia mas sim sobre a rotina diária de um homem que tenta encontrar sentido na sua sobrevivência. Sentido esse que passa pela sua resistência à passagem de um tempo não determinado onde as memórias começam a tornar-se dispersas e onde o sobrevivente em questão já começa a desconhecer tudo aquilo que lhe era familiar... a sua voz incluída.
A pergunta que as suas acções e reflexões desperta é apenas uma... qual o sentido de uma vida onde tudo permaneceu no mesmo local mas onde todos aqueles que o partilhavam desaparecerem e deixaram de existir? Como será o mundo se apenas "eu" existo e me limito a uma sobrevivência sem aparente sentido e que fará, com o meu desaparecimento, a confirmação da extinção humana?
Num ritual de reflexão sobre o sentido da vida - e até desta ser (ou não) uma vida -, como poderia esta alterar se, de repente, se descobrisse que o isolamento afinal não é como se equacionou até então? O que aconteceria se afinal se descobrisse que no seio de todo um deserto, existia mais uma pessoa que estava ali ao alcance de toda uma nova descoberta humana e social? Quem será a outra pessoa? Como conseguiu sobreviver? Onde esteve todos aqueles anos? Num momento em que tudo era questionado inclusive o sentido de uma vida que aparentava já não o ser, como regressar a um novo mundo de uma interacção social até então desaparecida?
Interessante, e até invulgar, pela forma como aborda a solidão independentemente do local temporal e físico em que se desenrola, Alone é acima de tudo uma reflexão sobre essa mesma solidão, sobre a forma como o Homem se esquece do mundo e até dos seus próprios rituais mas sobretudo sobre o poder da memória, do registo mental de um passado vivido e da vontade extrema da união e da interacção social quando esta parece impossível.
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7 / 10
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Domonic (2015)

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Domonic de Juan Cruz é uma curta-metragem espanhola de ficção que relata um dia na vida de Gastón (José Coronado), um homem extremamente organizado que usa os recursos energéticos para manter a sua vida e o seu espaço controlado. No entanto, aquilo que não espera é que esses recursos ganhem a sua própria consciência através de um rosto familiar.
O realizador e argumentista Juan Cruz recria uma história que tenta não tão subtilmente consciencializar o espectador de uma forma extrema - é um facto - sobre os usos (e abusos) excessivos de um consumo de energia. Considerando um planeta com um acentuado desgaste dos seus recursos e onde toda uma população vive a "crédito" dos mesmos, Domonic questiona o espectador sobre qual a sua necessidade pessoal dos mesmos face a uma vida que se tem cada vez mais rápida e exigente.
"Gastón" é um homem solitário, desligado do mundo - ou melhor, do planeta - e dos problemas que o mesmo enfrenta, contentando-se com uma vida plena de subtis excessos que o deixam pleno na sua existência ignorando que, lá fora, todo um planeta se ressente pelo exagero dos Homens. Num espaço que é a sua casa - de lar... nada tem... - que apenas divide com uma pequena cadela que o próprio praticamente ignora, "Gastón" possui um sistema informatizado que lhe confere todas as comodidades possíveis e imaginadas. É o rosto da sua falecida mãe (Terele Pávez) que o recebe todos os dias consciente dos seus excessos. Consciente dos seus abusos e principalmente da sua indiferença para todo um planeta que sofre vítima dos mesmos. "Gastón" precisa de uma lição... e ela como sua figura maternal incorporada num sistema informático é a única capaz de o chamar à razão... nem que seja pela força.
É a mensagem e a acção vingadora de uma mãe preocupada - agora não com ele mas sim com o planeta ao qual pertence "em espírito" - que o prende aos seus recursos como se de um refém se tratasse. Alguém incapaz de lidar com os próprios abusos que cometeu e que agora sofre de uma intensa ressaca que lhe poderá custar a sua própria vida. Extremo mas com uma nuance cómica-trágica que nos faz rir dos nossos próprios abusos ambientais e sociais, Domonic cria portanto a necessária consciencialização de Homem sobre o seu espaço, sobre o seu planeta e essencialmente sobre a necessidade - ou falta dela - de usufruir à exaustão de um bem que deveria ser comum... Será apenas na sua falta que o Homem se irá lembrar da sua importância e recordar aquilo que em tempos foi?!
Ainda que José Coronado entregue - uma vez mais - uma interpretação de um homem rude e de carácter forte, é a brilhante Terele Pávez que se destaca com mais uma composição de mulher vingadora e capaz de levar ao extremo as acções, reacções, desespero e pensamentos daqueles que caem nas suas "garras". Com uma presença que é quase exclusivamente composta pelas suas expressões e olhares "corrosivos", Pávez mostra o quão forte é... e que ninguém lhe escapa.
Ecologicamente mordaz... Domonic vai para além do simples filme curto... impondo-se de forma inteligente nas consciências de cada um de nós.
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7 / 10
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Year Six (2014)

Year Six de Austin Barbetto é uma curta-metragem norte-americana de ficção que se insere no sub-género filme pós-apocalíptico aqui filmado enquanto projecto de final de curso.
Ele (Mark Boucher) procura desesperadamente pela sua namorada Alice. Ao longo do seu caminho por um mundo posterior a um apocalipse que nunca conhecemos, encontra pequenas mensagens que ela lhe foi deixando com o tempo. Seis anos depois, poderá ele encontrar aquele que foi o amor da sua vida?
O realizador Austin Barbetto em colaboração com Mark Boucher escreveram o argumento desta curta-metragem que, inserindo-se num rico e prolífero género que sendo muito explorado não deixa de apresentar interessantes e enigmáticas histórias que permitem ao espectador deixar-se levar pelos recantos mais sombrios da sua imaginação exibe, no entanto, pequenas falhas que se compreendem pela falta de tempo, recursos e uma história... inacabada.
Recorrendo quase exclusivamente a espaços abandonados que recriam o ambiente de um território desolado por um qualquer cataclismo que nunca foi revelado - apesar de um breve tocar de sirenes que o nosso protagonista sonha num momento específico - e a uma planeada filmagem que tem apenas no seu protagonista o "único" interveniente a tempo inteiro, Year Six deixa, ao longo dos seus quase sessenta minutos de duração - a sensação de que este poderia ter sido mais... durante mais tempo.
Sem menosprezar o trabalho daqueles que não sendo profissionais depositam nesta história, esta curta-metragem (quase longa sem o saber) inicia a sua "kilometragem" de uma forma interessante ao revelar um protagonista solitário por um espaço inóspito - brilhantemente aproveitado os momentos de um eventual Outono mais "apagado" - que tem uma missão não tão misteriosa mas invulgar no género, ou seja, procurar o (seu) amor num momento em que tudo parece apontar para uma desistência (in)esperada. Os perigos não sentidos nos primeiros instantes, começam lentamente a revelar-se como uma constante... Afinal, é nos momentos de crise extrema que o verdadeiro carácter de cada um se manifesta, e numa época em que tudo aparenta ter terminado... o lado selvagem e desumano do Homem revela-se como que de um coma despertado. Cada um sobrevive como pode... e aqueles que (des)esperam na sua solidão são os mesmos que se tornam ainda mais selvagens, mais rudes, mais impiedosos e, como tal, os verdadeiros sobreviventes de um mundo que já não o é.
A dinâmica - de história e de espaço - de Year Six consegue aguentar-se intacta durante muito tempo mas são aqueles pequenos detalhes que, no entanto, parecem minar a confiança que o espectador deposita na história nomeadamente uma banda-sonora desajustada para a tensão dramática que se fazia esperar - estamos afinal num fim dos tempos e não num passeio pelo parque onde pensamos na vida... bom, esta última parte talvez até seja verdade - que apenas se agudiza com algumas interpretações secundárias que não fogem ao tido como normalizado no género e, como tal, tendem a banalizar as suas acções e os seus propósitos... se é que alguns.
A própria descrição desta curta-metragem como "uma longa que não o chegou a ser", não só condiciona a certo nível a opinião global do espectador como faz, ao mesmo tempo, compreender o porquê de tantos momentos que poderiam - deveriam - ter sido explicados e que se espera o teriam sido caso este projecto tivesse sido terminado como o realizador e restante equipa esperavam - a referida longa - e, se compreendemos os porquês dessas lacunas, não deixa de ser também uma realidade que Year Six perde um tanto a sua dinâmica e propósito se pensarmos que estamos perante um filme... que não o foi mesmo que não propositadamente.
Assim, e com a devida ressalva para os locais escolhidos para as filmagens que dinamizam e bem a acção e a direcção de fotografia da autoria do própria realizador, as interpretações fragilizadas por uma não conclusão da história, o já referido argumento relativamente linear para o género em questão e uma escolha musical bastante frágil, prejudicam o resultado final não deixando, no entanto, de ser uma simpática curta-metragem quase experimental - pela vontade expressa em contar uma história que não termina nem sequer dá lugar ao livre arbítrio do espectador - que fica, no entanto, num limbo por se perceber que os eu desfecho... não estará para chegar.
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4 / 10
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The End of the World (2012)

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The End of the World de Christopher Downs é uma curta-metragem espanhola de ficção que transporta o espectador para um futuro próximo onde a realidade não está tão distante daquilo a que tem assistido nos últimos anos.
A 1 de Maio de 2021 fazem-se sentir os efeitos de uma severa crise económica que antecedeu uma guerra. A população está dividida em grupos e a escassez de trabalho faz com que muitos definhem na fome e na miséria. Estados Unidos, Canadá, China e Japão, outrora grandes economias mundiais caem agora às mãos das Nações Unidas Africanas a quem pedem apoio humanitário. No meio desta miséria uns proliferam enquanto outros cedem à marginalidade. No meio está um Homem (Rafa Rojas-Díez) que observa o meio enquanto recorda o seu passado.
Para lá de tecnicamente ser um filme muito interessante, nomeadamente se observarmos a direcção de fotografia de Juan Luis Cabellos que emerge toda a atmosfera de The End of the World num futuro pós-apocalíptico resultante de uma sucessão de calamidades sem, no entanto, apresentar uma destruição física do espaço, aquilo que acaba por se tornar mais dinâmico em todo este filme curto é, sem margem para dúvidas, o seu argumento também ele da autoria de Christopher Downs que apresenta desde o primeiro instante o curioso facto de reverter os "pólos" colocando aquilo que hoje conhecemos como primeiro mundo agora afectado, destruído e desolado por uma guerra e crise que não pouparam ninguém enquanto que o chamado "terceiro mundo" é agora próspero e proeminente, encetando as mesmas pressões já conhecidas que hoje vigoram por parte dos países ditos mais industrializados.
A memória acaba por ser também um dos aspectos aqui trabalhados, apresentando uma réstia de lembrança daquilo que anteriormente era conhecido como a "Humanidade" (agora desfeita), e submergindo algumas das suas personagens, nomeadamente as de Rojas-Díez e Pávez, numa breve recordação daquilo que em tempos foram e do auxílio - quando necessário - que poderão ter prestado àqueles com quem se cruzavam... nessa "outra" vida. Memória esta que é, no entanto, afectada se pensarmos em toda a atmosfera deste filme... num mundo que está literalmente no "fim dos tempos" e onde todos parecem esperar por algo que, eles próprios já não conseguem identificar, ou seja, a sua própria sobrevivência. Um lugar onde todos acabam por ir definhando lentamente com o pouco - ou nada - que têm e que para lá têm caminhado de forma quase inconsciente na medida em que é, naquele instante, o normal e previsível de se ter ou fazer. Longe das esperanças de uma qualquer sobrevivência e ainda mais longe das recordações de um passado agora distante, todos aqueles que habitam este mundo "moderno" mais não são do que fantasmas de um passado que, também ele, morreu.
O crime prolifera. O vandalismo e a marginalidade são reis. Todos esquecem a comunicação como um elo entre si dando lugar a uma consciência de insignificância que os impede da mesma e apenas os escassos e tímidos olhares entre si podem representar um pensamento ou, por vezes, uma emoção. A bondade desapareceu e à miséria sucedem-se os cortes de electricidade, a desertificação, o abandono ganhando forma o desespero dos cidadãos - agora meramente identificados por uma letra e, como tal, desprovidos da sua identidade - nas enormes filas para um emprego que nunca irá chegar fazendo, pelo caminho, crescer todos aqueles que lucram com o negócio fácil e a desgraça alheia.
O assustador está naquele exacto momento em que o espectador pensa no quão próxima está a acção deste filme como a realidade de um presente não imaginado, onde a crise financeira se apoderou da vida de milhões e onde a data - futura - desta curta-metragem não está num futuro assim tão distante.
Com um conjunto de actores conhecidos da cena artística espanhola onde se destacam o protagonista - e também produtor - Rafa Rojas-Díez, Terele Pávez, Ricard Sales ou Fernando Tielve, The End of the World apresenta com primor a sua caracterização e guarda-roupa que (re)criam o ambiente perfeito de um espaço desolado que ignorando a guerra física - não o será também uma aquela que é a económica? -, este fim do mundo (como o conhecemos) acaba por se tornar numa imagem futurista de um presente assustadoramente real.
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8 / 10
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The Gift (2010)

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The Gift de Carl Rinsch é uma curta-metragem britânica de ficção do mesmo realizador de 47 Ronin (2013) cuja acção se centra numa Rússia futurista onde um misterioso presente tem de ser entregue com a máxima urgência.
O inevitável acontece quando um homem descobre o verdadeiro conteúdo do presente que tenta entregar e deseja, para lá de todas as suas possibilidades, mantê-lo no seu poder. Numa corrida contra o tempo e num mundo aparentemente autoritário e policiado por todos os cantos, como poderá a ganância resistir numa luta constante pelo poder?
Das luxuosas estações de metro ao esplendor da Praça Vermelha em Moscovo tendo o Kremlin como pano de fundo, The Gift deslumbra pelo seu imponente aspecto visual que nos leva ainda a elegantes interiores de apartamentos palácio que cativa o espectador sedente de todos os pequenos detalhes que lhe são apresentados. (In)consciente desta realidade, o realizador e argumentista Carl Rinsch apresenta um filme curto que é, essencialmente, uma revisitação à premissa da Caixa de Pandora. Incutido de um elevado sentido de responsabilidade em fazer chegar aquele magnífico presente ao seu real - supomos - dono, um homem percorre os mais sumptuosos locais de uma Moscovo futurista onde o controlo parece espreitar por todos os lados. No entanto, revela-se a grande questão... quando todos se deixam fascinar pelo conteúdo daquela caixa... irá ela conferir riquezas inimagináveis ou, por sua vez, trazer a destruição e morte àqueles que a ousam abrir?
As sucessivas mortes e as perseguições alucinantes por uma Moscovo onde todos parecem ser suspeitos, e que fazem a nova (ou velha?!) versão da Caixa de Pandora seguir de mão em mão seduzindo e induzindo todos aqueles que a vislumbram a cometer o crime de a desejarem, revelam ao espectador que o pecado da cobiça se mantém vivo e desperto deixando pelo caminho - com as mortes mais ou menos aparatosas - as vítimas que em vida acharam poder ter mais do que aquilo que lhes competia.
Num mundo que é assumidamente o futuro dos nossos dias, aquilo que se mantém intacto independentemente da época em questão é a cobiça do Homem. O inalterado desejo de que existe algo mais - sempre mais - que se deseja e quer, leva o Homem ao impensável, à ganância, ao desdém, à inveja e ao facto de em breves segundos poder cometer toda uma diferente paleta de crimes ou pecados mortais pois está no direito - apenas o seu - de exigir e querer sempre aquilo que não lhe está destinado.
Com admiráveis sequências de acção e inspirados momentos em que as belezas não naturais de Moscovo são captadas como o perfeito enquadramento de uma história futurista, The Gift é uma mordaz reflexão sobre o mundo dos homens que, independentemente da sua idade ou estrato social, desesperam pela próxima Caixa de Pandora prestes a libertar toda a sua destruição.
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7 / 10
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sábado, 13 de agosto de 2016

Festival del Film Locarno 2016: os vencedores

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Foram hoje anunciados os vencedores da mais recente edição do Festival del Film Locarno a decorrer na Suíça desde o passado dia 3 de Agosto e, entre eles, destaca-se a vitória de João Pedro Rodrigues pel'O Ornitólogo como Melhor Realizador. A vitória de João Pedro Rodrigues constitui a terceira vitória consecutiva de um realizador de um filme português no respectivo festival depois de em 2014 ter vencido Pedro Costa por Cavalo Dinheiro e em 2015 Andrzej Zulawski por Cosmos.
De destacar ainda a vitória do Leopardo de Ouro por O Auge do Humano de Eduardo Williams na secção Cineasti del Presente (primeira ou segunda longa-metragem).
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Competição Internacional
Leopardo de Ouro: Godless, de Ralitza Petrova
Prémio Especial do Júri: Inimi Cicatrizate, de Radu Jude
Realização: João Pedro Rodrigues, O Ornitólogo
Actor: Andrzej Seweryn, Ostatnia Rodnizina
Actriz:
Irena Ivanova, Godless
Menção Especial: Mister Universo, de Tizza Covi e Rainer Frimmel
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Cineasti del Presente
Leopardo de Ouro: O Auge do Humano, de Eduardo Williams
Prémio Especial do Júri: The Challenge, de Yuri Ancarani
Realizador Emergente: Mariko Tetsuya, Destruction Babies
Menção Especial: Viejo Calavera, de Kiro Russo
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Primeira Obra
Primeiro Filme: El Futuro Perfecto, de Nele Wohlatz
Prémio Swatch Art Peace Hotel: Gorge Coeur Ventre, de Maud Alpi
Menção Especial: O Auge do Humano, de Eduardo Williams
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Pardi di Domani - Internacional (curtas-metragens)
Pardino d'Oro: L'Immense Retour, de Manon Coubia
Pardino d'Argento: Cilaos, de Camilo Restrepo
Locarno European Film Awards: L'Immense Retour, de Manon Coubia
Prémio Film und Video Untertitelung: Valparaiso, de Carlo Sironi
Menção Especial: Non Castus, de Andrea Castillo
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Pardi di Domani - Nacional
Pardino d'Oro: Die Brücke Über Den Fluss, de Jadwiga Kowalska
Pardino d'Argento: Genesis, de Lucien Monot
Prémio Revelação: La Sève, de Manon Goupil
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Prémio do Público: I, Daniel Blake, de Ken Loach
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Prémio Variety Piazza Grande: Moka, de Frédéric Mermoud
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Kenny Baker

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1934 - 2016
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Bad Moms (2016)

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Mães à Solta de Jon Lucas e Scott Moore é uma longa-metragem norte-americana de comédia da mesma equipa que esteve por detrás do argumento da trilogia Hangover (2009), (2011) e (2013).
Amy (Mila Kunis) é uma mãe com excesso de responsabilidade num lar que não a compreende, num trabalho que não a respeita e num casamento no qual o marido não lhe é fiel. Quando tudo parece estar a ruir à sua volta, Amy conhece Carla (Kathryn Hahn) e Kiki (Kristen Bell), duas mães às quais, tal como ela, não lhes é reconhecido o devido mérito e valor. Quando a sua união na rebeldia afronta a toda poderosa Gwendolyn (Christina Applegate), Presidente da Associação de Pais, as três mulheres percebem que apenas na sua amizade e na sua liberdade poderá residir a resposta a todos os seus problemas.
Tendencialmente adverso que sou a estas comédias que se assumem desde o primeiro instante como "brejeiras" em excesso, o facto é que acabo por não conseguir resistir a vê-las na esperança de poder ou simpatizar ou, por outro lado, fazer um daqueles comentários mordazes e sarcásticos deixando a verve correr com satisfação. Aqui, com Bad Moms prevaleceu a primeira hipótese. Reunindo aquilo que de melhor foi feito com Hangover onde um conjunto de homens amigos adultos e eternos adolescentes revivem uma juventude que já passou questionando-se sobre quem são na realidade num presente repleto de responsabilidades, a dupla de realizadores e argumentistas cria uma história que não sendo necessariamente para mulheres é, fundamentalmente, sobre elas. As personagens interpretadas por Kunis, Hahn e Bell são três mulheres que perdidas no e com o passar dos anos esqueceram aquilo que era fundamental... quem elas próprias eram. Com desejos e sonhos por cumprir e a viverem casamentos e relações falhadas e por concretizar, carreiras profissionais nem sempre - ou quase nunca - bem sucedidas e todo um conjunto de responsabilidades acrescidas que não conseguem largar, a estas três mulheres falta a cumplicidade de um grupo de verdadeiras amigas com quem possam celebrar um pouco daquela juventude e brilho que se perdeu. Perdidas nos seus trinta's e sem grandes perspectivas ou motivos para acordarem no dia seguinte, são os pequenos detalhes da sua própria individualidade que irá premir o gatilho de toda uma nova transformação.
A "Amy" de Kunis, personagem central e à volta da qual tudo acontece, é uma mulher vítima dessa perda de individualidade. Mulher adulta, dona de uma carreira que na realidade não tem, mãe, mulher, dona-de-casa vive concentrada em todos alegrar sem na realidade perceber quem é ou o que a faz ser feliz. Dotada de uma capacidade extrema de deixar os demais tranquilos nos seus afazeres assumindo até as suas responsabilidades e tarefas, "Amy" atinge um ponto de ruptura com uma traição dentro da sua própria casa e que desconhecia. É depois de toda uma sucessão de acidentes de percurso, de tarefas mal executadas e de atingir o ponto mais baixo da sua vida - pensa ela - que o improvável apoio chega de mulheres que, tal como ela, são consideradas (até pelas próprias) como nódoas numa existência sem sentido.
É a tal relação e proximidade por identificação que as transforma. De meras conhecidas a amigas que partilham objectivos, com defeitos e qualidades que se complementam das formas mais inesperadas e que, a seu tempo, as fazem sentir aquilo que já haviam esquecido... pessoas com a sua própria individualidade e personalidade. Com as suas expectativas, sonhos, desejos, ânsias e claro... a eterna vontade de serem realmente amadas por alguém que delas goste... tal como são.
Se Kunis incorpora um certo estilo narrativo e personagem principal de uma história que, na realidade, todos nós podemos identificar em alguém que conhecemos, são as suas parceiras de crime - pelo bem e pelo mal - que resgatam os melhores e mais ousados momentos de comédia de Bad Moms. De uma eterna secundária como Kathryn Hahn que com a sua "Carla" confere os momentos mais ousados e sexuais desta longa-metragem numa interpretação que consegue impôr-se pela sua estranha e invulgar sensualidade a uma eventualmente inocente e tímida Kristen Bell que com a sua "Kiki" revela ter o seu próprio fogo por revelar numa interpretação de uma mulher submissa - e passivo-agressiva - que mais do que "Amy" precisa impôr-se numa relação marital e familiar onde é o capacho de serviço. É a sua primeira saída em grupo - já quase sem noção dos seus próprios sentidos - que lança o mote àquilo que faltava nas suas vidas... uma boa dose de loucura, toda ela exposta numa ida às compras.
No entanto, seria injusto falar do trio protagonista sem referir a actriz que completa a quadra... Christina Applegate que regressa em boa forma desde The Sweetest Thing (2002), de Roger Kumble e aqui como a vilã de serviço capaz de sodomizar e torturar todos aqueles que vão contra a sua vontade e ordens mas que é, também ela, uma cruel insatisfeita com os destinos que a sua vida levou comprovando, uma vez mais, que se escondem por detrás de todos os maus actos de alguém, as amarguras e desejos pro cumprir que aos poucos vão eliminando o sonhador que em tempos se foi.
No fundo Bad Moms será aquilo que se poderá chamar de o outro lado de um filme sobre a adolescência, ou seja, aqui o espectador observa todos aqueles que estão por detrás desse tão importante período na vida de cada um onde todas as transformações e descobertas se evidenciam mostrando, por sua vez, aqueles que os guiam... os pais. Pais que se esqueceram de si quando percorriam como observadores o caminho dos filhos... Pais que tantas vezes tudo abdicam por um futuro melhor para os seus... Pais que se esquecem da sua própria individualidade, desejos, segredos, sonhos, desejos e aspirações porque um dia "perceberam" ter alguém que era mais importante do que eles e que, quando os filhos já têm as suas próprias ambições, param e pensam... "e agora?"...
Muito ao estilo de Hangover mas agora com um elenco predominantemente feminino, Bad Moms exerce o mesmo efeito que a referida trilogia conseguindo captar a atenção de um público também masculino por revelar não só o outro lado de uma dupla como pelo humor divertido, por vezes assanhado e sempre mordaz que uma comédia fresca e bem disposta deve(rá) ter, com um ritmo intenso e poucos momentos que o espectador possa considerar "over the top" e um elenco com quatro grandes actrizes sempre dispostas a dar o seu melhor com garra, alma e muita atitude.
Não foi preciso ir para Las Vegas... Bad Moms revela que nos pacatos e eventualmente conservadores subúrbios de uma atarefada Chicago também existem histórias disponíveis - e altamente recomendadas - para serem contadas.
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7 / 10
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domingo, 7 de agosto de 2016

Shortcutz Viseu - vencedor de Julho

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O Shortcutz Viseu anunciou que a curta-metragem Vazio, de Bruno Gascon é a vencedora do mês de Julho. Desta forma torna-se assim a mais recente candidata ao prémio de Melhor Curta do Ano a eleger durante a cerimónia de terceiro aniversário do Shortcutz Viseu a realizar a 3 de Setembro próximo.
A curta-metragem de Bruno Gascon junta-se assim às anteriores vencedoras que estão a competir pelo prémio de Melhor Curta-Metragem do Ano sendo elas Deus Providenciará, de Luís Porto, O Silêncio Entre Duas Canções, de Mónica Lima, Doce Lar, de Nuno Baltazar, Lei da Gravidade, de Tiago Rosarosso, Oobe, de Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro, Xico+Xana, de Francisco Falcão a.k.a. Fakano, Gasolina, de João Teixeira, Kuru, de Francisco Antunez, Arcana, de Jerónimo Rocha e Luto Branco, de Frederico Ferreira.
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sábado, 6 de agosto de 2016

Star Trek Beyond (2016)

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Star Trek: Além do Universo de Justin Lin é o mais recente título da respectiva saga e aquele que serve - de certa forma - como uma despedida ao recentemente desaparecido actor Anton Yelchin.
Num dilema existencial sobre os primeiros tempos a liderar a USS Enterprise, o Capitão Kirk (Chris Pine) questiona-se sobre a passagem do tempo e como está a sua vida a ser marcada por uma rotina que o impede de aprofundar outros aspectos da mesma. No entanto, quando tudo parecia não evidenciar qualquer tipo de mudança, Kirk e a demais tripulação da Enterprise envolvem-se na missão mais perigosa das suas vidas e quando se vêem num planeta não registado e sem possibilidade de comunicarem com a Terra, o seu regresso fica cada vez mais ameaçado quando se deparam com uma nova ameaça.
Simon Pegg - que também interpreta "Scotty Scott" - e Doug Jung assinam o argumento de mais uma das muitas aventuras da Enterprise apresentando na mesma não só os diversos dilemas de uma tripulação que não só se ajusta aos demais como a si próprios, aos seus desejos, os compromissos e cedências estabelecidos para uma vida de missão interplanetária bem como pelos diversos universos explorados e não como, ao mesmo tempo, consegue transformar-se num bem sucedido filme de acção e aventura que deixará satisfeito o espectador e o fã mais devotos da mesma.
Num primeiro segmento de Star Trek Beyond, o espectador é transportado para um conjunto de momentos assumidamente reflexivos onde são questionados os propósitos de cada um, as já referidas cedências com que os mesmos se auto-comprometem para encetar uma vida que, não sendo militar, é de exploração do mundo desconhecido aproximando as diversas espécies e raças que os universos mais ou menos desconhecidos escondem. Num segundo momento e, no fundo, aquele que se insere mais na temática e na dinâmica desta saga, os tripulantes da Enterprise não só enfrentam um perigoso e mortal inimigo como também reencontram um pedaço da História das missões espaciais que irá, de certa forma, explicar a existência dessa mesma ameaça.
Como seu ponto forte, e de certa forma esperado, Star Trek Beyond denota a sua excelência em aspectos óbvios como o são os efeitos especiais visuais que nos levam a outros e inesperados mundos assim como o seu guarda-roupa - já uma imagem de marca da saga Star Trek - e a caracterização das mais variadas e surreais personagens/espécies que a mesma sempre tende a apresentar.
No entanto, é o já referido argumento e a sua narrativa que deixam as maiores reservas e expectativas por cumprir. Assumindo que é uma interessante e bem construída longa-metragem de acção, Star Trek Beyond é persistente na ideia de que este é apenas "mais um" dos muitos títulos que ainda irão surgir desta saga, estabelecendo portanto aquilo que é já comum nas diversas obras que a compõem, ou seja, a existência de uma história linear e sem grandes fugas de narrativa que não só possibilite que esta história se inicie e termine neste mesmo filme, como também dá o mote para a próxima entrega onde o espectador já conhece os dilemas morais de algumas personagens - sempre em crescimento - e também percebe toda a anterior conjuntura que os fez chegar até àquele preciso momento, as aventuras bem como os elos que foram criados no seu percurso.
As personagens são, também elas, lineares. Não fugindo ao esperado, o seu desenvolvimento individual acaba por estar directamente condicionado pelos demais - e suas respectivas atitudes - bem como pela própria continuidade desta saga que, lentamente, apresenta mais um elemento que as compõe até ao momento em que os conhecemos... de todos aqueles títulos passados que já conhecemos.
Dinâmico na acção que visa e pretende mostrar, a Star Trek Beyond falta o tal "para além de..." que poderia existir nos meandros dessa acção desenvolvendo uma maior dramatização das suas personagens. Se começou por fazê-lo mostrando o lado humano e não aventureiro de "Kirk" (por exemplo), poderia tê-lo aprofundado para o humanizar para lá do homem firme e destemido que conhecemos. Excluindo este elemento... é certamente uma história que irá despertar não só a curiosidade como satisfazer as expectativas daqueles que o irão ver.
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"Spock: Fear of death is illogical. 
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Bones: Fear of death is what keeps us alive."
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7 / 10
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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Experimenter: The Stanley Milgram Story (2015)

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Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo que Abalou a América de Michael Almereyda é uma longa-metragem norte-americana baseada nos acontecimentos verídicos ocorridos no início da década de 60 na qual o psicólogo em questão efectuou experiências comportamentais sobre a cumplicidade silenciosa de um cidadão comum obedecer à ordem autoritária.
Apesar de um registo assumidamente documental - que a ficção apenas ligeiramente dramatiza - Experimenter: The Stanley Milgram Story concentra-se fundamentalmente num registo monocórdico e de explanação dos acontecimentos que, portanto, fazem por momentos perder a realidade por detrás dos factos. Com uma acentuada vontade de expôr um registo factual dos estudos e experiências efectuados por Stanley Milgram - norte-americano de origem romena e húngaro de pais judeus fugidos da Europa de Leste -, Michael Almereyda quase que transforma os seus actores em meros veículos de transmissão de informação (em alguns segmentos quase robóticos) que se esquecem de um eventual lado humano das pessoas em cujos factos este filme se baseia ou mesmo na transmissão dos seus propósitos e objectivos com a elaboração deste estudo. Por outras palavras, ainda que o espectador compreenda os seus fundamentos e necessidade, as interpretações tanto de Peter Sarsgaard como de uma muito desaparecida Winona Ryder são francamente mecânicas e pouco abençoadas do lado humanos daqueles que representam.
Também a prejudicar a pretensa dramatização dos acontecimentos retratados em Experimenter: The Stanley Milgram Story estão os cenários "não naturais" desta longa-metragem que claramente apontam o espectador para interiores pouco humanizados como se estivesse a assistir a uma peça de teatro que é, ocasionalmente, narrada por Sarsgaard - que aqui interpreta Stanley Milgram - como se o espectador necessitasse de uma explicação adicional para aquilo que está a assistir explícito através da comunicação directa que com ele estabelece.
No entanto, aquilo que importa em toda esta longa-metragem é, essencialmente, a mensagem que tenta retratar e transmitir ao seu espectador e que se prende com uma simples questão: Como aprende a Humanidade? Será pela recompensa... pelo castigo... pelo altruísmo... pela expressão da sua individualidade ou, por sua vez, pela ordem... ou pela submissão?! Na experiência levada a cabo por Milgram, este expunha dois perfeitos desconhecidos... Um professor e um aluno que, através de um conjunto de questões, determinavam que a forma de penalização seria a única passível de transmitir uma regra, uma disciplina e, finalmente, uma ordem. No entanto, o que acontece quando um destes intervenientes está de conluio com quem efectua a experiência e, como tal, conduz também ele, toda a entrevista/questionário num único sentido, ou seja, aquele de perceber se quem está do outro lado obedece de forma cega uma ordem ou se a ela se opõe fazendo denotar o seu lado mais humano e desafiador - mais ou menos consciente - de uma ordem e de uma potencial barbárie? O que acontece quando indivíduos perfeitamente inseridos numa sociedade dita livre e igualitária se vêem a braços com uma inconsciente normalização da penalização? Da dor? Do sofrimento? Da morte?! Serão capazes de se opôr à pressão de grupo e à institucionalização do mal ou ceder à maioria deixando o mal proliferar?
Num percurso onde quem aprende - professor versus aluno - não tem escolha e é instruído de acordo com uma norma pré-estabelecida, esta experiência gera uma outra questão... porque se escuta quem dá uma ordem e não aquele que fica ferido pelo seu cumprimento? Que "mecanismo" mental pressupõe a vontade de infligir dor no "outro"? Enquadrando o julgamento e condenação de Eichmann, Experimenter: The Stanley Milgram Story reflecte, ainda que timidamente, sobre as suas acções aquando da solução final durante a Segunda Guerra Mundial lançando a questão (silenciada) sobre o poder de dizer "não". Dito isto, como se institucionaliza a obediência (cega) mesmo que se perceba - do outro lado - o sofrimento banalizando dessa forma o mal e a sua proliferação?
Com uma interpretação assumidamente monocórdica de Peter Sarsgaard que pouco se desliga do desfazamento da realidade que o rodeia, Experimenter: The Stanley Milgram Story é sustentado por uma tímida mas bem aparecida interpretação de Winona Ryder tão desaparecida do grande ecrã e que tenta - muito ligeiramente - ser o lado mais humano de um homem excessivamente concentrado na sua carreira profissional que aparentemente esqueceu o seu lado humano. No fundo, e sob uma perspectiva diferente, o seu "Stanley Milgram" é, também ele, alguém que cedeu à ditadura de uma investigação e de uma experiência que comandou toda a sua vida... primeiro por necessidade, depois por dependência e finalmente por ser ela o seu único vinculo com uma realidade exterior que pouco conheceu.
Interessante do ponto de vista histórico e factual, Experimenter: The Stanley Milgram Story será, em última análise, uma longa-metragem que dificilmente chegará a todos os espectadores concentrando-se, quase exclusivamente, naqueles que têm interesse não só neste período histórico como essencialmente naqueles que conhecem parte ou a totalidade destes factos.
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"Stanley Milgram: (...) our awareness is the first step in our liberation."
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6 / 10
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Mau Olhado (2016)

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Mau Olhado de Aloísio Araújo é uma curta-metragem brasileira de ficção presente na competição oficial do Shortcutz Rio de Janeiro no passado mês de Julho.
Elaine (Daniela Girão) faz pequenas "amarrações" em casa. Um dia encontra o brinco de uma mulher em sua casa e as suspeitas das traições do seu marido começam. Em desespero lança um dos seus "encantamentos" sobre a sua cara metade. Mas será que a traição que ela imagina é aquela que realmente ocorre longe dos seus olhares?!
Também autor do argumento de Mau Olhado, o realizador Aloísio Araújo cria uma história repleta de pequenos e enriquecedores elementos que caracterizam não só uma história de mistério como também uma em que o drama conjugal está em evidência. No seio de um insuspeito lar como tantos outros, que pequenos grandes segredos podem ocorrer entre um aparentemente feliz casal? Na realidade, aquilo que o espectador questiona depois de observar os seus comportamentos é se essa felicidade realmente existe ou mais não é do que o fruto de uma mente (des)ocupada como o é a de "Elaine"... uma dona-de-casa que ganha uns dinheiros extra com pequenos feitiços e encantamentos às demais mulheres do bairro que a ela recorrem para afastarem olhares alheios dos seus maridos.
Num momento que é de puro delírio de "Elaine" que observa em todas as mulheres que a rodeiam um potencial perigo e a eventual dona do brinco que encontrou em sua casa, ela pretende levar todos os seus ensinamentos mais além e exercer a mais forte "amarração" naquele com quem partilha casa. Mas será que "Renato" (Maurício Agrella) está realmente a traí-la com outra mulher ou será que a misteriosa figura (Renan Bleastè) à beira estrada tem mais por revelar dos reais comportamentos do marido de "Elaine"?! No seio de um jogo místico onde os comportamentos parecem comprometidos logo desde o primeiro instante, aquilo que o espectador observa é para além da desconfiança marital, todo um enredo de superstição e de loucura que condicional e moldam uma realidade marital.
Dotado de um enredo onde a superstição popular dominam os actos das suas personagens, Mau Olhado versa ainda sobre uma temática que, não sendo explícita, deixa a suspeita comandar a percepção do espectador que num primeiro momento se questiona sobre a eventual possibilidade de o feitiço virar-se contra o feiticeiro - o que de certa forma acontece - como depois se depara com a tal realidade alternativa onde o casal não é assim tão feliz (ou dentro das "normas") levando um dos seus membros - o marido - a recorrer a uma felicidade paralela junto de um prostituto masculino. No fundo, aquilo que acaba por se tornar não direi óbvio mas sim curioso, é o facto de perto do final, o espectador se questionar sobre onde residirá a verdadeira felicidade por detrás das inúmeras paredes - físicas e psicológicas - que escondem a mais íntima e desconhecida privacidade alheia para além de levantar o véu sobre a forma como a superstição popular está intimamente ligada ao desconforto social, à ignorância e, de certa forma, como esta se aproveita da mente pouco tranquila para proliferar e dela tirar o seu próprio usufruto...
Como em terra de cego quem tem olho que vê é rei, Mau Olhado - numa interessante analogia - acaba por ser, como aqui já referi, a verdadeira história de como o feitiço lançado consegue - um dia - regressa àquele que o lançou deixando o aparentemente mais feliz dos lares como aquele onde, afinal, sempre reinou a insatisfação (profissional, sentimental, sexual (...). Interessante, contemporâneo e com um portento mordaz, Mau Olhado peca - salva seja - por uma mais frágil exploração dos domínios mentais de uma "Elaine" visivelmente afectada por aquilo que ela própria desconhece.
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7 / 10
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Fantasia Improviso - Primeiro Movimento (2016)

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Fantasia Improviso - Primeiro Movimento de Duda Gorter é uma curta-metragem brasileira que esteve no passado mês de Julho em competição no Shortcutz Rio de Janeiro.
Nesta curta-metragem encontramos Laura (Gisele Fróes), uma mulher que parece encontrar-se num daqueles momentos da vida em que tudo é questionado. Silenciosa e metido para com os seus pensamentos, Laura reflecte sobre os seus espaços, momentos e paixões.
Aquilo que ressalta de imediato com esta curta-metragem é o aparente "ponto de situação" que uma (des)preocupada "Laura" analisa. Nesse momento da sua vida em que se questiona - e coloca - sobre quem é, o que faz e - correndo o risco de versar sobre os lugares comuns da vida - para onde vai.
Os primeiros indícios desta reflexão começam logo desde os primeiros instantes desta obra quando "Laura" observa uma jovem menina - o elemento feminino é aqui uma constante - que, inconsciente de ter toda a sua vida pela frente, se debate com os pequenos gostos e não gostos de uma vida na qual nada precisa ser pensado para, de seguida, encontrarmos outra mulher mais idosa que, frente a uma plateia esgotada, dá um recital marcando a presença de uma vida plena e caracterizada pelo exercício de um sonho e de uma paixão: a música.
Música essa que "Laura" parece timidamente abraçar, deixando-se levar pelas jovens promessas com que se cruza, com aqueles que, como ela noutros tempos, se deixam motivar pela hipótese de um sonho, de um desejo e de uma paixão. No entanto, e com a observação de momentos e situações que parecem poder completá-la, "Laura" parece residir num constante estado de insatisfação, desligada e distante dos que a rodeiam tanto psicológica como emocionalmente e num instante em que parece ter tudo e nada, apenas permanece uma pequena e muito breve pista sobre este seu estado incompleto... a maternidade!
No seio de um casamento que poderá (poderia) ser feliz, com uma casa abastada e com uma vida profissional plena de momentos que a completam, "Laura" é essencialmente uma mulher infeliz presa a uma "falta" que a marca agora que se aproxima de uma fase diferente da sua vida. O que restará depois dela? Como poderá ela ser feliz quando sente essa precisa falta? O que há para deixar àqueles que a deveriam rodear?
Com um foco que recai sobre as diferentes etapas da vida onde sonhos e expectativas divergem de forma abismal - do sonho à concretização e desta ao legado - Fantasia Improviso - Primeiro Movimento apresenta-se sobretudo como aquele momento na vida em que o seu principal interveniente se questiona se aquilo que tem e fez merece(u) o esforço de toda uma vida... mesmo quando se sacrificaram aqueles que estiveram por perto.
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6 / 10
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ghostbusters (2016)

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Caça Fantasmas de Paul Feig é a mais recente incursão no campo dos remakes de grandes clássicos de décadas passadas - Ghostbusters (1984), de Ivan Reitman - e uma das comédias mais aguardadas deste ano cinematográfico que agora vai a meio.
Erin Gilbert (Kristen Wiig) e Abby Yates (Melissa McCarthy) eram as duas maiores entusiastas estudiosas da actividade paranormal até que a primeira decidiu levar uma vida "mais séria".
No entanto, é quando Manhattan é ameaçada por uma invasão de seres paranormais que, unidas à engenheira nuclear Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e à funcionário do metro Patty Tolan (Leslie Jones) que irão tentar salvar a cidade e, com ela, toda a Humanidade.
A antecipação com que qualquer entusiasta desta saga dos anos 80 - Ghostbusters II (1989) - foi notória pelas diversas redes sociais onde todos comentaram a vinda de um novo título neste Verão. Estariam de volta os eternos "Venkman" (Bill Murray), "Winston" (Ernie Hudson), "Ray" (Dan Aykroyd) - com a sentida falta de "Egon" (Harold Ramis) - e "Dana Barrett" (Sigourney Weaver), o eterno amor do primeiro? Seria um voltar a ver a equipa reunida a combater as estranhas e misteriosas forças do sobrenatural que ameaçavam a segurança de toda a espécie humana? Seria a sua passagem de testemunho após anos de ausência que o peso da idade não perdoou? Não... nada disso. Ghostbusters, de Paul Feig veio apenas - e digo isto com alguma condescendência e mágoa - revitalizar o sucesso da década de 80 com alguns elementos que são (agora) politicamente correctos numa sociedade que se quer igualitária (felizmente no que ao real diz respeito).
Seria hipócrita para qualquer um de nós fãs daquilo que assistimos e que foi, em suma, uma "escola" de diversão e bom humor, não admitir agora que queríamos voltar a ver todas aquelas personagens que fizeram parte da nossa infância. Há excepção de todas as demais interpretações, foi com estas personagens que estes actores conquistaram muito do estatuto que obtiveram junto do público dos idos anos 80 e todos nós esperávamos, mesmo que brevemente quase como uma passagem de testemunho, eles regressassem e nos presenteassem com a sua verve. No entanto, este Ghostbusters do século XXI prima por recuperar alguns momentos e segmentos dos títulos anteriores - espíritos presos em quadros, casas e espaços assombrados, um fantasma já nosso conhecido, um Mayor mais preocupado com a sua imagem do que com a sua cidade, o metro assombrado e os fantasmas electrocutados (...) - transformando-os para aquilo que se espera como uma público mais abrangente. No entanto, a realidade é que este Ghostbusters não é mais abrangente do que os originais o foram.
Com alguns apontamentos divertidos que se prendem essencialmente com as personagens secundárias de Leslie Jones e Kate McKinnon como as "caça" mais atrevidas e insinuantes e, como tal, com maior peso cómico e dinâmico nos seus breves apontamentos, e ainda um Chris Hemsworth como o assistente como pouca assistência para dar e que é aqui reduzido à imagem de um "loiro burro" altamente visto como o potencial objecto sexual de "Erin", este Ghostbusters prima pouco por uma originalidade que o faça destacar dos anteriores títulos e nem mesmo o segmento da luta bem versus mal na Times Square de 2016 nos faz esquecer as muito próximas semelhanças que este título tem com, por exemplo, o de 1989, e nem mesmo a recuperação de Bill Murray, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e Annie Potts - estrelas dos anteriores filmes - para cameos com novas personagens salva esta longa-metragem de um distanciamento real dos mesmos...  Afinal, se eles participam que fosse com as personagens que imortalizaram e não com parentes pobres que não os dignificam e que mais não servem do que dizer "estivemos lá".
Ghostbusters, de Paul Feig tem os seus momentos, consegue capturar algum humor e deixar uma certa nostalgia não correspondida com aquilo que, certamente, todos nós recordamos. No entanto, considerando as expectativas elevadas que o público em geral tinha, as pouco inspiradas interpretações de Wiig e McCarthy - apesar de sabermos e reconhecermos o seu potencial cómico - e o fraco distanciamento do que já havia sido feito deixando apenas uma breve e ligeira "reformulação" de momentos para este supostamente "novo" título faz com que o espectador abandone a sala de cinema com uma sensação mista... nem é algo novo que fizesse recordar os bons velhos tempos nem tão pouco consegue recuperar o humor corrosivo que se fez no início da década de 80.
Diverte? Diverte um pouco... Ficamos satisfeitos com aquilo que nos é oferecido? Não muito. Continuamos a sonhar com o humor corrosivo de "Venkman", com o charme de "Dana", com a simples inteligência de "Ray" e com os pés bem assentes na terra de "Winston"? Sem dúvida... No final apenas nos resta uma simples mas eternizada questão.... "Who are gonna call?! Ghostbusters..." - 80's style.
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"Patty Tolan: Ah hell naw, the Devil is a liar! Get out of my friend, ghost! The power of Patty compels you!"
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6 / 10
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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Fernanda Silva

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1957 - 2016
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Looking: The Movie (2016)

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Looking: The Movie de Andrew Haigh é um telefilme norte-americano que encerra (?) a série de duas temporadas Looking (2014-2015), da autoria de Michael Lannan.
Patrick (Jonathan Groff) regressa a San Francisco para o casamento de Agustín (Frankie J. Alvarez) e Eddie (Daniel Franzese). Na incerteza dos dias seguintes, Patrick procura ainda um sentido para a sua vida sentimental enquanto procura uma resolução - e um fim - com Kevin (Russell Tovey) e com Richie (Raúl Castillo) bem como para com o seu passado.
Num fim-de-semana que se prende com o regresso às origens e aos locais que fizeram a história da convivência entre os três amigos - "Patrick", "Agustín" e "Dom" - Looking: The Movie acaba por se transformar numa história com um fim (ou final) programado na medida em que não desenvolve necessariamente a série que o precede mas sim põe o tal ponto final numa história que foi abruptamente interrompida deixando em aberto diversas questões.
Se por um lado - eventualmente o principal - Looking: The Movie é um relato de um significativo ponto de viragem para "Patrick", também o é para os seus dois amigos de longa data. Por um lado temos "Agustín" que prestes a celebrar um matrimónio agora legal nos Estados Unidos, serve de motor para o regresso de um amigo do qual não sabe grandes novidades. E se inicialmente seria de esperar um afastamento "celebrado" pela distância em si, aquilo que o espectador confirma é que uma amizade - quando verdadeira e cimentada pela confiança - resiste ao tempo, à distância e até a um certo afastamento emocional que acaba por lhe estar inerente. Se as dúvidas existenciais de "Agustín" existiam para com um casamento prestes a acontecer, a realidade é que estas não só se dissipam como - na perspectiva do espectador - acabam por ser quase como um elemento secundário de toda a trama.
Por outro lado temos "Dom"... o elemento mais "velho" e supostamente mais ponderado do grupo que não só termina como um dos elementos mais secundários deste filme como denota que a sua personagem tem ainda muito por contar, principalmente no que ao seu lado emotivo e sentimental diz respeito. Para lá daquilo que diz permanecem todos os silêncios que sem nada revelarem confirmam que existe algo por detrás dos mesmos.
Mas, no final, é sobre o "Patrick" de Jonathan Groff e a sua relação - por confirmar - com o "Richie" de Raúl Castillo que se centra toda a trama de Looking: The Movie. Se desde o primeiro instante em que os seus olhares se cruzam que se consegue confirmar o desejo e a vontade de uma partilha ainda não anunciada, é certo que toda esta história acaba por lentamente desenhar o (in)esperado. De um amor interrompido pela distância ao momento em que essa interrupção se prende com o compromisso de uma das partes, Looking: The Movie centra-se não na auto-descoberta de uma qualquer sexualidade oprimida mas sim numa revelação interior sobre o que se espera - ou na realidade não - de um "amanhã" ainda por vir. No fundo, Looking: The Movie concentra-se sobre a potencialidade desse amanhã não vivido e que, quando questionado, pensado ou equacionado, impede os seus diversos intervenientes de viverem o hoje e os momentos positivos que podem proporcionar esse futuro em comum.
Sem ser um filme de primeira linha ou de uma qualquer reivindicação igualitária, Looking: The Movie prima por esse natural assumir de uma relação que se distancia dos dias de uma desejada igualdade, concentrando-se sim na confirmação dessa mesma igualdade. Aqui não existem momentos de uma descoberta sexual mas sim de uma compreensão interior... do que se deseja para um futuro que se desconhece e que, como tal, se receia. E ao receá-lo... chega a compreensão de que aquilo que se poderia viver de positivo pode, à partida, ficar alheado da vivência e da confirmação da plenitude que se deseja. No fundo, o principal aspecto positivo de Looking: The Movie é a confirmação de que não existe o proibido, o transgressor, o incorrecto ou a manifestação do segredo transformando-se assim numa - mais uma - banal história de amor (por ser possível), e encarada portanto com a normalidade que lhe está inerente, onde os problemas e dúvidas existenciais reais existem independentemente da forma em que se manifeste o casal. Casal esse que pretende ficar junto... sem saber o amanhã... como, no fundo, ninguém sabe.
Ligeiro, simpático e com as esperadas interpretações do trio protagonista - que, no entanto, mereciam melhor tratamento e desenvolvimento - Looking: The Movie assume-se como mais um filme romântico no qual as suas personagens vivem e experimentam o "tal" momento de viragem nas suas vidas que os fará, a partir daquele momento, serem "outros"... Os tais "outros" que eventualmente esse mesmo público irá esperar ver... com mudanças... com vidas mais ou menos atarefadas... com alguns divórcios pelo meio... filhos... e uns quantos anos a mais.
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8 / 10
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