Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Lázaro (2013)

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Lázaro de Miguel Pinho é uma curta-metragem de ficção portuguesa que nos transporta para o palco de uma peça de teatro.
É lá que Pedro (Simão Luís), um actor que interpreta a personagem que dá título à curta, se encontra. Numa roda viva entre o palco e os bastidores, Pedro recebe um estranho e enervante telefonema da mãe que o avisa de um acidente.
É no meio da confusão e da responsabilidade do seu trabalho e da sua vida profissional, e do outro lado de um telefonema que põe em causa a sua vida familiar que Pedro se encontra tendo de dicidir num estado de constante luta interior o que fazer e qual o próximo passo a dar.
Com uma interpretação francamente dominante por toda a curta-metragem, o actor Simão Luís acaba por encarnar o espírito de um profissional que se encontra numa estranha e difícil encruzilhada, sobre a pressão de que a sua decisão independentemente do lado que favoreça, o irá marcar definitivamente para o futuro...por um lado pode abraçar a sua profissão como o seu mais importante bem e trunfo mas, como contrapartida, terá de colocar um pequeno (grande) entrave ao seu lado pessoal e esquecer, nem que seja momentâneamente, os problemas que este aspecto mais íntimo lhe pode trazer.
Interessante a abordagem dada, bem como a fotografia de Duarte Guedes, que juntamente com o argumento de Miguel Pinho tornam o espaço um reflexo da mente de "Pedro", confusa e indecisa quanto às suas escolhas e sob a forma como estas irão irremediavelmente afectar todo o seu futuro.
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6 / 10
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Chacun son Cinéma ou Ce Petit Coup au Coeur Quand la Lumière s'Éteint et que le Film Commence (2007)

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Cada Um o Seu Cinema é um filme colectivo elaborado por um vasto conjunto de realizadores que tiveram, e têm tid, o seu próprio espaço e destaque no Festival Internacional de Cinema de Cannes e que aqui colaboraram para a realização de vários segmentos que, no seu ponto de vista, celebram aquilo que os une... o cinema no seu 60º aniversário.
Trois Minutes, de Théo Angelopoulos, Recrudescence, de Olivier Assayas, , The Last Dating Show, de Bille August, The Lady Bug, de Jane Campion, 47 Ans Après, de Youssef Chahine, Zhanxiou Village, de Chen Kaige, No Translation Needed, de Michael Cimino, World Cinema, Joel Coen e Ethan Coen, At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World, de David Cronenberg, Dans l'Obscurité, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Rencontre Unique, de Manoel de Oliveira, Cinéma d'Eté, de Raymond Depardon, Artaud Double Bill, de Atom Egoyan, Le Dibbouk de Haifa, de Amos Gitai, Anna, de Alejandro González Iñárritu, The Electric Princess House, de Hou Hsiao-hsien, La Fonderie, de Aki Kaurismäki, Where is my Romeo?, de Abbas Kiarostami, One Fine Day, de Takeshi Kitano, Dans le Noir, de Andrei Konchalovsky, Cinéma de Boulevard, de Claude Lelouch, Happy Ending, de Ken Loach, Absurda, de David Lynch, Diaro di uno Spettatore, de Nanni Moretti, Cinéma Erotique, de Roman Polanski, Le Don, de Raoul Ruiz, A 8 944 km de Cannes, de Walter Salles, Irtebak, de Elia Suleiman, It's a Dream, de Tsai Ming-liang, First Kiss, de Gus Van Sant, Occupations, de Lars Von Trier, War in Peace, de Wim Wenders, I Travelled 9000 km To Give It To You, de Wong Kar Wai e En Regardant le Film, de Yimou Zhang são os segmentos que dão vida a esta obra, e que compõem à sua própria maneira a visão destes realizadores sobre a arte da qual todos fazem parte.
Sem uma aparente relação entre si, com a devida excepção anteriormente referida sobre a celebração da Sétima Arte, estes diversos segmentos destacam-se pela própria expressividade da filmografia de cada um dos referidos realizadores e, alguns deles, destacam-se também por uma invulgar sensibilidade que os faz sobressair de um lote tão extenso e reputado como este que foi aqui apresentado.
Dito isto, vou permitir-me enunciar alguns dos que achei mais bem conseguidos pela emoção que conseguem transmitir sobre a essência daquilo que os próprios celebram. Anna, de Alejandro González Iñárritu que nos conta a história de uma jovem (Luisa Williams) que se encontra a assistir a um filme que a deixa perfeitamente emocionada com o que aparentemente vê no grande ecrã... até ao momento em que percebemos que ela é cega e é um amigo que lhe relata o que decorre no mesmo. Sem aguentar a força e o impacto dos momentos que lhe são relatados "Anna" sai da sala de cinema onde se desfaz num pranto. Dando continuidade a esta linha emotiva já apresentada nas suas anteriores obra, Iñárritu consegue uma vez mais comunicar com o espectador e transmitir uma mensagem poderosa com a qual facilmente nos poderemos identificar ao mesmo tempo que homenageia o poder do cinema e as marcas que este nos conseguem deixar mesmo que, como este caso concreto, não se o consiga literalmente ver, num ambiente enaltecido pela brilhante fotogradia de Emmanuel Lubezki.
Um fundo idêntico tem o segmento Zhanxiou Village de Chen Kaige, onde acompanhamos um grupo de crianças que consegue encontrar uma forma de poder ver um dos génios cinematográficos de todos os tempos como Charlie Chaplin sendo que, quando descobertos, um deles não foge revelando ser também ele cego mas fortemente influenciado pelo poder das imagens que não consegue observar.
Rencontre Unique, o segmento filmado por Manoel de Oliveira que recria o encontro entre o Papa João XXIII e o Presidente Soviético Krustchev, o qual é captado muito teatralmente pelas câmaras que se encontravam presente no local. Talvez um dos segmentos que aparentemente mais "foge" à homensagem ao cinema mas que, no entanto, comprova ser um dos seus mais fortes testemunhos.
Finalmente dois dos momentos mais bem conseguidos na vertente cómica são, em primeiro lugar, Cinéma Erotique de Roman Polanski, onde nem tudo o que parece se vem a confirmar. Somos colocados dentro de uma sala de cinema onde passam imagens do filme Emmanuelle que é assistido por um casal e por um estranho homem que na parte de trás da sala não pára de gemer. Enquanto todo o seu comportamento aparenta uma coisa, rapidamente descobrimos que a realidade é bem mais problemática do que aquela que somos induzidos a pensar. Finalmente temos o segmento Occupations de Lars Von Trier onde voltamos a uma sala de cinema cheia de pessoas, e onde um dos ocupantes decide começar a falar da sua vida ao seu "vizinho", interpretado pelo próprio Von Trier, que facilmente se farta daquela incómoda presença decidindo então fazer justiça pelas suas próprias mãos... literalmente.
Todos os segmentos são interessantes e oportunas mensagens de amor à Sétima Arte. Cada um delas com a sua devida importância e destaque, cuja acção se desenrola nos mais diversos locais tendo sempre como pano de fundo uma qualquer sala de cinema mais ou menos perdida no tempo e no espaço mas onde diariamente se faz magia capaz de transportar os seus espectadores para os mais distintos e diversos locais do mundo (ou fora dele), demonstrando assim a importância que ele tem nos mais diversos locais, como podemos constatar por exemplo através do segmento War in Peace de Wim Wenders que transmite uma mensagem anti-guerra num conflito que foi marcado por uma durante décadas.
Cada Um o Seu Cinema é um filme, ou conglomerado de curtas-metragens, diferente mas que estranhamente e com a quantidade diversificada de estilos e histórias consegue aos poucos cativar a nossa atenção e tornar-nos dependentes da ideia sobre o que virá a seguir. Alguns de nós poderão sentir-se perdidos com o que vão ver, mas muitos outros irão certamente ficar fascinados com o poder que as imagens e alguns dos segmentos conseguem transmitir não só pela sua história como pela capacidade emotiva que algumas das imagens possuem.
Se à partida poderia considerar-me "alérgico" ao formato, não é menos verdadeiro dizer que no final fiquei rendido ao resultado que daqui adveio e do qual me tornei fã. Um filme diferente, é certo, mas é exactamente por esta possibilidade da diferença que o cinema (sobre)vive, e ao fim de tantos anos continua a conquistar-nos sem qualquer reserva.
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8 / 10
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Globos de Ouro SIC/Caras 2013: os vencedores

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Melhor Filme: Tabu, de Miguel Gomes (realizador) Sandro Aguilar e Luis Urbano (produtores)
Melhor Actor: Nuno Lopes, Linhas de Wellington
Melhor Actriz: Dalila Carmo, Florbela
Revelação: Victória Guerra, Dancin' Days, As Linhas de Torres Vedras e Linhas de Wellington
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Domingo, 19 de Maio de 2013

Globos de Ouro SIC/Caras 2013: Revelação

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Victória Guerra
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Dancin' Days
As Linhas de Torres Vedras
Linhas de Wellington
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Globos de Ouro SIC/Caras 2013: Melhor Filme

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Tabu
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de Miguel Gomes
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Globos de Ouro SIC/Caras 2013: Melhor Actor de Cinema

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Nuno Lopes
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Linhas de Wellington
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Globos de Ouro SIC/Caras 2013: Melhor Actriz de Cinema

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Dalila Carmo
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Florbela
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Feira de Óbitos (2013)

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Feira de Óbitos de João Pereira, que aqui assina igualmente o argumento, é uma curta-metragem portuguesa feita como projecto de artes duma turma de 12º ano do secundário.
Num clima de comédia Joaquim (Miguel Macedo), é apresentado ao espectador como um tipo verdadeiramente campónio e por quem a educação passou ao lado naquilo que facilmente seria apelido de "parolice" numa qualquer grande cidade.
Depois de encontrar uma bicicleta que lhe permite fazer-se à estrada e rumar para a cidade, Joaquim não pensa duas vezes e segue o seu caminho e uma vez lá chegado vê-se envolvido numa série de estranhos acontecimentos que o vão levar até Ermelinda (Carina Pintado), uma empresária de sucesso de quem irá gostar. Mas esta inesperada ligação não irá correr tão bem quanto pensam e rapidamente surge Pedro (Pedro Raposo) na vida de Ermelinda que a atormenta sem dó nem piedade.
Conseguirá esta inesperada atracção de Joaquim por Ermelinda triunfar mostrando que o amor é a mais poderosa força do Universo?
Os primeiros instantes desta curta-metragem são delirantes pois conseguem criar uma daquelas personagens bastante peculiares que fascinam qualquer espectador que aprecie a comédia simples e eficiente. Muito se deve ao "boneco" criado por Miguel Macedo que através de alguma "ingenuidade" da sua personagem recria alguns bem dispostos segmentos que tornam a curta-metragem ligeira e com um ritmo interessante. Todo o percurso que o seu "Joaquim" faz ainda no campo, os pequenos cómicos de situação da mais sentida "parolice" bem como a chegada à grande cidade onde tudo é novo, moderno e um mundo desconhecido que parece não ter fim são por si dos pontos mais fortes da curta-metragem garantindo-lhe uma veia cómica marcada da qual esperamos poder ter mais. E aos poucos vamos tendo, mesmo quando a sua personagem se transforma radicalmente mostrando que é mais do que aquele "parolo" vindo sabe-se lá de onde.
A química entre "Joaquim" e "Ermelinda" ainda que tentada, está muito por explorar. Talvez se se tratasse de uma longa-metragem fosse conseguida uma maior proximidade entre os dois que justificasse esta crescente empatia e relação, no entanto, considerando a excessivamente rápida aproximação entre ambos um tanto desconexa ao ponto de parecerem duas histórias independentes que aqui se cruzam, não consegue estar coerente o suficiente para se afirmar como a história romântica que se quer. Tem os seus momentos, que também eles poderiam ter sido mais explorados, mas não consegue ser suficientemente convincente talvez por essa mesma abordagem do "toca e foge". No entanto, como se diz que o amor tem caminhos misteriosos...
O segmento final onde Pedro Raposo e Rui Rodrigues contracenam com Carina Pintado (num dos mais conseguidos da segunda metade da curta), mostram algum humor nonsense, e por momentos conseguem fazer-nos sorrir pela sua simplicidade mas, tal como uma boa parte da linha condutora desta curta-metragem, falta-lhes mais tempo para poder ser convenientemente desenvolvidos aprofundando assim não só os seus objectivos como principalmente consolidando as suas ideias finais.
No final temos uma curta-metragem com aspectos originais e bem pensados aos quais só lhes ficou a faltar algum maior desenvolvimento narrativo que os "afirmasse". As interpretações são originais, bem dispostas e genuínas acabando apenas por ser afectadas pela "falta de tempo" sendo de notar que esta é uma curta que se fez com vontade, boa disposição e principalmente dedicação que conseguem fazer valer os pontos mais frágeis da mesma.
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6 / 10
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Sábado, 18 de Maio de 2013

Festival Ibérico de Cinema de Badajoz 2013: os vencedores

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PRÉMIO ONOFRE
Melhor Curta-Metragem: Aquel No Era Yo, de Esteban Crespo
Melhor Curta-Metragem (segundo prémio): No Tiene Gracia, de Carlos Violadé
Prémio do Público: Desayuno con Diadema, de Oscar Bernácer
Prémio CEXECI do Júri Jovem: Hotel, de José Luis Alemán
Melhor Realizador: Esteban Crespo, Aquel No Era Yo
Melhor Argumento: Daniel Remón, Koala
Melhor Actor: Andrés Berlanga, No Tiene Gracia
Melhor Actriz: Sonia Almarcha, Koala
Melhor Banda-Sonora: The Young Gods, Kali, O Pequeno Vampiro
Menção Especial de Melhor Animação: Kali, O Pequeno Vampiro, de Regina Pessoa
Prémio A.E.C. de Melhor Fotografia: Cyprien Clement-Delmas, Adri
Prémio Filmoteca de Extremadura à Melhor Curta Extremeña: Presence Required, de María Gordillo
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Alexei Balabanov

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1959 - 2013
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Queens Logic (1991)

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Uma Ponte em Nova Iorque de Steve Rash é uma longa-metragem de comédia que conta com um elenco de estrelas onde se destacam Kevin Bacon, Linda Fiorentino, John Malkovich, Joe Mantegna, Ken Olin, Chloe Webb, Tom Waits e Jamie Lee Curtis.
Tudo se desenrola em torno do iminente casamento de Ray (Olin) para o qual se reunem todos os seus amigos... o já casado e pai Al (Mantegna), Dennis (Bacon) a estela de cinema desaparecida e Eliot (Malkovich) o amigo gay e solitário que não consegue encontrar o amor, enquanto do outro lado temos Patricia (Webb) a noiva sempre acompanhada por Carla (Fiorentino), a sua eterna amiga e mulher negligenciada de Al.
Ao longo de um fim-de-semana onde todas as máscaras vão estar definitivamente removidas e todos eles têm de enfrentar não só as opiniões uns dos outros como também a realidade das suas próprias vidas e as mudanças que elas levaram e do qual só subsistiu um único elemento... a sua constante e inabalável amizade.
O argumento deste filme da autoria de Tony Spiridakis e Joseph W. Savino compõe um conjunto de personagens que, de uma ou outra forma, representam o despertar para uma idade adulta pela qual todos passam. Os medos de assumir um relacionamento e da perda de uma certa independência individual que colidem com um igual medo de perder a pessoa amada e com a qual se antevê a possibilidade de constituir uma vida, uma família e um legado para o futuro vivem lado a lado com os receios daqueles quejá tendo encontrado essa pessoa teimam em não encarar essa mesma idade dita "adulta", permanecendo insistentemente num mundo muito particular para os quais nada se diferenciou da adolescência, bem como com o medo de nunca encontrar a "tal" cara metade.
São estes mesmos medos que subsistem ao longo de todo o filme encontrando apenas alguma redenção com os próprios ensinamentos que aquele fim-de-semana decisivo parece querer fazer demonstrar a todo o momento e com todo o tipo de provações aos quais estas personagens são sujeitas. Todos, sem excepção, encaram o casamento de um deles como um teste... Uma prova não só à sua amizade que, mesmo à distância, parecia estar incólume, como também exercem uma reflexão sobre os rumos que as suas vidas levaram e aquele que pode levar a partir destes aparentemente decisivos dias, como se de um "ou tudo ou nada" se tratasse.
Todos eles, sem excepção, procuram uma espécie de segunda oportunidade que julgam poder alcançar com o casamento bem sucedido de "Ray" mas, no entanto, este não está tão certo sobre se o quer celebrar, ao mesmo tempo que sabe não querer perder "Patricia", a única mulher que alguma vez amou, e é em torno das suas próprias experiências pessoais que toda uma nova vida para cada um deles é equacionada sabendo que, é nos seus amigos... naqueles amigos, que se encontra a resposta para todas as suas perguntas bem como o único porto seguro que alguma vez irão encontrar e alguém que sem os julgar terá sempre o conjunto certo de palavras para dizer.
Se todas estas personagens se compõem de uma forma geral e onde todos contribuem para o desenvolvimento uns dos outros, desde o amigo que casou mas não cresceu, passando por aquele que está prestes a fazê-lo e pensa demais no seu futuro e terminando naquele que possivelmente nunca o irá fazer e temos também presente aquele que sem estabelecer qualquer tipo de laços afectivos se concentrou numa dinâmica profissional que, na prática, nunca foi completada com sucesso e claro, as mulheres que suportam todos os caprichos e devaneios de adultos-criança num quase total silêncio vivendo elas infelizes para que eles nunca o sejam... temos assim um pouco de tudo. No entanto se isto é verdade, também não o deixa de ser que as interpretações de Tom Waits como o excêntrico "Monte" ou a tentadora Jamie Lee Curtis como a solicita "Grace" são meramente decorativas e pouco contribuem para uma trama que já fala e bem por si, e se por um lado Fiorentino e Webb encarnam a dupla "adulta" do elenco, com reflexões sentidas sobre a possibilidade de abdicar da sua própria felicidade em nome daquele dos homens que amam, não é menos verdade que Bacon, Mantegna, Malkovich e Olin compõem com os seus "comportamentos" um homem adulto no seu todo, ainda que com algumas infantilidades que são esquecidas à medida que o final de aproxima.
Assim, este Queens Logic, que supõe uma dinâmica bairrista da qual ninguém escapa por muito longe que se afaste do bairro de Nova-York, mais não é do que um "despertar" para uma idade adulta daqueles que na prática já o são, sendo bem sucedido na química e nas dinâmicas que são estabelecidas pelo conjunto de actores mas um pouco visto para os dias que hoje atravessamos. Vale pelo conjunto de actores que qualquer bomcinéfilo reconhece de inúmeras interpretações que tem visto ao longo dos anos mas não é aquele grande filme que poderíamos esperar deles ou, pelo menos, não o é para os nossos dias onde já vimos inúmeras histórias que versam sobre a mesma temática.
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6 / 10
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

O Anjo (2013)

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O Anjo de André Marques é uma curta-metragem portuguesa de ficção que marca a estreia do realizador com uma história de suspense e mistério.
Ele (Ruben Pereira), cujo nome só mais tarde saberemos ser Henrique dos Santos, é um jovem que faz um enigmático telefonema numa cabine onde revela que está "tudo tratado".
Momentos depois passamos para uma sala de jantar onde, meses antes, Madalena (Ana Abreu) se encontrava à espera de mais dois convidados. Uma é Sandra (Rita Jardim), irmã de Madalena, e o outro é Henrique dos Santos. Sandra apresenta a irmã ao namorado para aquele que vai ser um tenso e algo desconcertante jantar no qual percebemos que algo está prestes a explodir.
Madalena descontrola-se e refugiada na sua condição psicológica tenta afugentar um Henrique em quem não confia. Terá ela alguma razão em suspeitar de um rapaz que aparenta ter tão bom coração e que a própria ironiza sobre o seu apelido?
O realizador André Marques consegue através do seu argumento recriar um suspense interessante na dinâmica entre as suas personagens, sendo que ele é mais presente na relação conturbada que se gera entre "Henrique" e "Madalena" que se degladiam através de um constante desconforto que as suas personagens emanam ao longo da curta-metragem. É evidente que algo de errado se passa entre eles e. mesmo sem o saber (nem nós nem os próprios), é notório que não se suportam e que o desprezo é mútuo.
Rita Jardim e a sua "Sandra" atormentada com um segredo do passado, que não é infelizmente mais desenvolvido e explorado, entrega-nos por esse mesmo motivo a personagem mais frágil da curta-metragem. Por sua vez, se Ana Abreu compõe uma "Madalena" convincente na sua constante instabilidade psicológica e emocional que faz daquele jantar o último local onde qualquer um quereria estar, é também um facto que Ruben Pereira nos entrega a personagem mais sólida e dominante da curta. O seu "Henrique" é aquele tipo que adoramos ir detestando. Inicialmente simpático, afável e polido, ele é o rapaz que não nos importamos que namore com a "nossa" irmã, e é também o mesmo que nos deixa desconfiados por ter tantas qualidades e nenhum aparente defeito, especialmente quando neste contexto, já vem com aquele enigmático telefonema no seu curriculum, e que aos poucos revela também estar relacionado com o obscuro segredo que "Sandra" ocultava.
A dinâmica entre os dois, e a mais explorada da curta-metragem, é apenas "atormentada" por alguma teatralidade dos diálogos onde não se sente uma completa naturalidade nos mesmos, sendo este o aspecto que precisaria de ser mais polido e trabalhado para revelar um discurso mais fluente e elaborado no "calor do momento", afastando-se assim daquela ideia de que foi trabalhado e estudado antes de ser representado. Não é um aspecto que prejudique o fundamental da curta-metragem que consegue manter um nível de tensão constante tal como esperamos no género que o filme representa mas, ainda assim assume-se como a sua maior fragilidade.
Destaque ainda para a banda-sonora de Tomás Freire que contribui eficazmente para a dramatização e tensão que se sente na interacção entre os actores bem como para o exponenciar da mesma ao longo de toda a curta-metragem.
Uma bem estruturada primeira-obra de André Marques que cultiva aqui não só um bom clima de tensão entre as suas personagens como também uma igualmente interessante personagem em "Henrique dos Santos" que de "anjo" só tem o facto de poder ser um exterminador e que tem conteúdo suficiente para ir um pouco mais longe pois permite-nos pensar sobre quem será ele realmente.
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7 / 10
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Uma Rosa no Deserto (2012)

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Uma Rosa no Deserto de Miguel Munhá é uma curta-metragem portuguesa de ficção que decorre em três distintos momentos.
Um rapaz (Hugo Costa Ramos) e uma rapariga (Inês Munhá) discutem. As suas palavras tanto emanam tranquilidade como uma profundo sentimento de mútua desilusão que representam o fim de um ciclo que foi o seu amor.
Cada um voltado para o seu lado... estão deitados. É depois deste pequeno segmento "real" que entramos nos dois consequentes momentos imaginados, sonhados e meramente simbólicos e figurativos, decorrendo o primeiro deles numa batalha em que a luta é um claro sinal representativo da manutenção desse agora perdido amor, e o terceiro e último segmento que se prende com a caminhada do rapaz pelo deserto onde acaba por falecer.
O argumento, também escrito por Miguel Munhá, faz uma evidente reflexão ao amor. À sua existência e manutenção da "chama" viva", e o seu desparecimento e perda de todo um conjunto de sentimento e manifestações de afectoque se dissipam como se, a uma dada altura, já nada representassem, e toda a simbologia pós-discussão não é mais do que um mundo interior que assimila que a sua realidade irá ser, a partir de então, bem diferente e onde os sentimentos mesmo que existam de uma parte são incapazes de (sobre)viver quando manifestados apenas de um lado, neste caso através da vontade do "rapaz" em continuar como percebemos pela própria manifestação do seu subconsciente onde ele luta, sofre, perde, caminha por um imenso deserto onde procura o símbolo daquele amor para perceber que mesmo alcançando-o todo o seu esforço e dedicação foi em vão, e assim estabelecendo a óbvia relação entre o imaginário e o real.
Ainda que com um argumento com potencial e que seria a meu ver melhor explorado numa longa-metragem, é nos aspectos técnicos, no entanto, que esta curta-metragem encontra alguns dos seus pontos mais fortes nomeadamente se começarmos a pensar numa evidente aposta bem sucedida da fotografia de Pedro Sacadura que nos transporta por todo um mundo quer real quer imaginário de cores e luzes vibrantes que facilmente nos inserem nos espaços e que funcionam para os exponenciar de forma bem positiva elevando assim a direcção de arte de Inês Prats e Telma Gonçalves (nos interiores) e de André Martins e Camila Benzinho (na batalha) sendo que, neste último momento, a direcção de Miguel Munhá funciona de tal forma bem que nos "perdemos" pelas imagens com a clara noção de que estamos ao mesmo tempo dentro de um sonho.
Destaco ainda a banda-sonora de Tiago Derriça que apesar de acompanhar a curta quase a tempo inteiro, funciona bem para nos enquadrarmos nos espaços e nos respectivos segmentos, incutindo a tal sensação de nos encontrarmos, por exemplo, no "sonho", o trabalho de Nuno Abrantes nos figurinos e claro, a caracterização de Catarina Santiago.
Miguel Munhá assina assim uma interessante curta-metragem que, arrisco dizer, poderia ter dado uma interessante longa-metragem bem mais explorada e "detalhada" com alguns toques de fantasia e imaginação tendo como pano de fundo os efeitos de uma relação que morreu, possibilitando ao mesmo tempo uma maior exploração das personagens de Hugo Costa Ramos e Inês Munhá, competentes para a curta mas com muito mais por dar.
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6 / 10
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

#GOG79 (2013)

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#GOG79 de Jorge Álvaro é uma curta-metragem espanhola que nos transporta para um submundo empresarial e cibernético que pela crueza dos relato nos "encosta" literalmente à parede.
Xavier (José Ortiz) é entrevistado para nos falar sobre a sua profissão... Ele é um "comunity manager"... gere conteúdos de certos produtos, marcas ou personalidades e lança-os(as) nas redes sociais para aquela que é a melhor forma de marketing alguma vez obtida onde, como diz o próprio, pode "testar produtos (ou venenos) e vender os antídotos".
Sem qualquer ideologia ou princípio mantendo-se sempre como um outsider daquilo que promove, o único objectivo deste homem que exibe uma conhecida e igualmente assustadora caracterização, é o encarnar o rosto visível de uma sociedade em que vivemos que, sem qualquer pudor ou transparência "decide" não só as ditas tendências de mercado como constrói e destrói reputações com igual facilidade.
Sem entrega, dedicação ou identificação esta personagem criada por uma soberba interpretação de Ortiz através de um actual e muito competente argumento de Jorge Álvaro e Francisco Albilares, mostra-nos um olhar frio e bastante cru de toda a publicidade que gira diariamente à nossa volta bem como nos mostra o quão susceptíveis somos à mesma e como dela dificilmente escapamos.
No final além daquele tenebroso corredor que tem de percorrer onde sentimos não só o vazio do seu dia-a-dia como também a forma como este o afecta (quando nele pensa), resta-nos a sensação de que assistimos a uma verdade da qual não queremos fazer parte (ou nela pensar), mas que está enraízada nos nossos hábitos e costumes e, como tal, dali não escaparemos... afinal, tal como nos diz "Xavier", antes dormir com as madames do que com as putas da rua, que em linguagem mais polida significa... que interessa a forma como se vende ou o mal que faz quando certos produtos ou pessoas contribuem para uma certa ilusão de "segurança" da qual não queremos escapar nem tão pouco pensar pois, na prática, o esforço exigido seria muito mais desgastante.
Uma curta-metragem forte que apesar de decorrer num único espaço físico e temporal contém uma sentida tensão e uma reflexão preocupante sobre uma sociedade em que todos vivemos... despreocupadamente.
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9 / 10
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Festival Ibérico de Cinema de Badajoz 2013

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Teatro Lopez de Ayala
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Badajoz
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15 a 18 de Maio
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Festival Internacional de Cinema de Cannes 2013

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15 a 26 de Maio de 2013
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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Two Moon Junction (1988)

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Corpos Escaldantes de Zalman King dá continuidade a uma certa obsessão que o realizador manteve em dirigir pequenos contos eróticos de fraca qualidade mas que, misteriosamente, fizeram sucesso junto do público sedente das mais imaginativas coreografias sexuais.
April (Sherilyn Fenn) é uma jovem sulista que regressa a casa depois de terminar os seus estudos num reputado colégio. Como todas as jovens de uma sociedade bem hierarquizada, April prepara-se para casar com Chad (Martin Hewitt), o seu respeitado e aceitável namorado.
Num pequeno passeio com as suas irmãs pela feira local, April conhece Perry (Richard Tyson), um tipo que vive as suas próprias regras e conduta moral que na prática representa tudo aquilo que a família bem "estruturada" de April repudia mas que a fascina. No momento em que a sua vida parece estar planeada para sempre, April reconsidera tudo aquilo em que sempre pensou e que achou ser moralmente aceite, ao mesmo tempo que a sua paixão sentimental e sexual por Perry conhece contornos que até então lhe eram desconhecidos.
Pouco, muito pouco, há mais para dizer sobre este filme cujo argumento de Zalman King e MacGregor Douglas parece falar por si só. King dá continuidade ao devaneio começado com Nove Semanas e Meia e que continuaria com Orquídea Selvagem entre outros títulos dúbios do género onde as, há altura, novas esperanças cinematográficas femininas davam também asas às suas próprias fantasias de como conseguiriam alcançar a fama e o sucesso. Se Kim Basinger pagou caro durante anos com a sua credibilidade arruínada até quase final dos anos 90, não é menos verdade que Carré Otis se eclipsou quase instantaneamente e Sherilyn Fenn que aparentava ser uma jovem promissora, igualmente se desvaneceu em presença mais ou menos irregulares em filmes que eram também eles bem duvidosos e que jamais passariam das prateleiras empoeiradas do mais dúbio clube de vídeo.
A história quase ininterrupta apenas muda de rostos... De Mickey Rourke e Kim Basinger passamos a Richard Tyson e Sherilyn Fenn para mais tarde voltarmos a Mickey Rourke e Carré Otis, num sem fim de meninas mais ou menos inocentes e com vontade de viver e se afirmarem no mundo contra a vontade dos país, das famílias e das sociedades ultra-conservadores que de uma ou outra forma não só controlavam os seus destinos como as suas vontades e que encontravam aqui no mais suspeito e destemido "garanhão" de serviço a forma de se rebelarem (sexualmente) contra as normas impostas em tempos e que apenas se destinavam a cumprir como perpetuação das poderosas famílias de outros tempos. Não importava que, neste caso concreto, "April" seja uma mulher com estudos e com um futuro promissor porque na prática o que importa é que seja mais uma mulher/mãe de uma extensa família que o seu marido, normalmente mais imbecil que ela, sustenta orgulhosamente.
A "April" de Sherilyn Fenn é assim a personificação da emacipação da mulher que podendo ter tudo, não tem o principal... a sua individualidade. No entanto, tal como o filme, nada disto é tão linear ou perfeito assim, e esta história que na teoria tem um fundo de auto-afirmação e dignificação do ser "mulher", na prática desvirtualiza toda esta afirmação para a transformar em mais um objecto de desejo, menos digno ainda do que aquelas que o são assumidamente... e porquê? Porque esta quer mais e melhor para si, para a sua vida e para aquilo que sabe representar mas, na prática, assume a mesma postura e comportamentos que aquelas que logo de início se assumem como "mulheres para o prazer carnal", ridicularizando assim toda uma vontade de ser mais do que um mero "desejo".
Dito isto, e depois de perto de uma hora e meia de boas vontades que não são cumpridas, interrogo-me apenas com uma pergunta que é, a meu ver, essencial... o que terá levado Louise Fletcher vencedora de um Oscar pela sua tenebrosa interpretação como a Enfermeira Ratched no filme Voando Sobre um Ninho de Cucos, a participar num filme como este que está não só a milhas do seu potencial como também a milhas de um qualquer patamar mínimo de qualidade? Desejo profundamente que a resposta a esta pergunta se mantenha apenas e só pela necessidade de um salário e que esta "interpretação" tenha vindo colmatar qualquer dificuldade momentânea. À Louise Fletcher garanto que irei eliminar com convicção esta imagem da minha mente e fingir que nunca a vi por aqui.
Este filme é assim um trabalho que apenas irá interessar aos apreciadores do género (eles existem?), e mesmo esses tenho a impressão que ficarão desiludidos com a falta de "sumo" que existe por estas bandas porque ele é, do princípio ao fim, um relato medíocre e absurdo dos actores, da história, do género e principalmente do nosso tempo.
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2 / 10
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Abre los Ojos (2013)

Abre los Ojos de Borja Álvarez Ramírez é uma curta-metragem espanhola que nos transporta para um bar onde um cliente tenta incansavelmente pedir uma bebida a um barman (Jose Ortiz) que parece concentrado na vontade de não o atender e provocá-lo das mais estranhas formas.
Com um argumento linear, e por isso de certa forma esperado desde cedo, o que se confirma com o desfecho desta curta-metragem, ela não deixa de ser bem estruturada e dirigida, constituindo dessa forma um interessante alerta para os perigos dos excessos.
Não será um trabalho inovador ou original no seu todo mas, ainda assim, consegue ser simpática, agradável e conter alguns momentos bem dispostos apesar da mensagem de fundo ser bem séria e preocupante.
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6 / 10
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Domingo, 12 de Maio de 2013

Italian Online Movie Awards 2013: os vencedores

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Filme: Django Unchained, de Quentin Tarantino
Filme Italiano: Diaz: Don't Clean Up This Blood, de Daniele Vicari
Filme Europeu: De Rouille et d'Os, de Jacques Audiard
Filme de Animação: Frankenweenie, de Tim Burton
Actor: Joaquin Phoenix, The Master
Actriz: Marion Cotillard, De Rouille et d'Os e Emmanuelle Riva, Amour
Actor Secundário: Christoph Waltz, Django Unchained
Actriz Secundária: Anne Hathaway, Les Misérables
Realizador: Quentin Tarantino, Django Unchained
Argumento Original: Django Unchained
Argumento Adaptado: Argo
Fotografia: Life of Pi
Banda-Sonora: Skyfall
Montagem: Argo
Efeitos Especiais: Life of Pi
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Transilvania (2012)

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Transilvania de David Tordable é uma curta-metragem espanhola que através de alguma comédia toca em diversos pontos sensíveis das sociedades actuais.
Pedro (David Rubio) e Juan (Emilio Gonzalez) são dois amigos que depois de muitos anos sem um contacto presencial se reencontram com novidades para partilhar. Pedro vai casar e, em vez de encontrar nisso um motivo de satisfação, passa o pouco tempo que está com o amigo a encontrar argumentos para justificar e dar sentido a este mesmo casamento. Qual será o problema que realmente o atormenta?
O argumento de Pablo Gutiérrez é súbtil na reflexão cómica que efectua a respeito das sociedades modernas, conseguindo assim identificar alguns dos problemas da actualidade e apontar os medos irracionais que problemas como o desemprego e as dificuldades económicas fazem crescer junto da população.
"Pedro" vai casar. Conheceu a mulher da sua vida "mas"... ela é romena, da Transilvânia... terra dos monstros como mais tarde apontava "Juan". É a mulher que face às dificuldades de encontrar um trabalho dentro da sua área de formação, o ensino, continuou a procurar e encontrar trabalho como enfermeira. É bonita, ama-o e aceitou constituir família com ele. No entanto, algo atormenta "Pedro"... ela é romena mas "das normais"... não é "escura" e o nome dela até passa por espanhol... "Natália", podendo desta forma encontrar uma maior receptividade junto da sociedade de uma forma geral. Ou será que a aceitação que tarda em chegar é a de "Pedro", aquela que já deveria estar garantida desde o primeiro momento?
Aos poucos, e sempre através das maiores irracionalidades e preconceitos que aos poucos aumentam nas sociedades europeias como a xenofobia e o medo do "outro", provocados pela falta de oportunidades e o exponencial crescimento do desemprego, da insegurança e da incerteza do futuro, esta curta-metragem e a excelente direcção de David Tordable dão vida a um argumento que infelizmente não é apenas mais uma história mas sim a realidade de uma sociedade que aos poucos dá os seus sinais de ruptura. Como pode Espanha ser uma super-potência quando aparentemente tudo à sua volta parece aos poucos desmoronar e a sua população viver num constante clima de insegurança económica que rapidamente se traduz numa insegurança social?
Este argumento e respectivas premissas estão aqui adaptados a uma realidade espanhola mas, na prática, podem ser realidades de qualquer outra parte de um continente que aos poucos se ressente das suas más políticas (e políticos) que graças a medidas de corrosão social fazem aumentar não só essas referidas incertezas como principalmente a necessidade de encontrar os ditos bodes expiatórios que de alguma forma "justifiquem" os problemas que as populações e a sociedade enfrentam. Como posso ir "eu" a uma entrevista onde todos os outros indivíduos que lá estão são imigrantes? Imigrantes esses que, tal como "eu" podem ser atletas de alta competição, pioneiros na medicina, na cibernética, nas engenharia ou nas artes e letras mas que, face à incerteza de um futuro desconhecido, são para o nativo um impedimento para a prosperidade.
A curta-metragem de David Tordable reflecte assim sobre um importante e muito presente problema da nossa sociedade mas de uma forma ligeria e não tão "negra", facto que nos permite pensar mais seriamente sobre o mesmo não o encarando como uma fatalidade mas sim como um preconceito ou estigma que não deveremos ter na nossa vida nem na nossa mentalidade, deixando assim de encarar o "outro" como algo diferente do "eu". E acima de tudo, dá-nos também um pequeno olhar sobre como a forma de violência mais escondida e menos avaliada pode estar mesmo ao meu lado, junto daqueles que considero como sendo iguais a mim e que, por esse mesmo motivo, não o considero como uma real ameaça ou violência como é o caso da doméstica presente no segmento final desta excelente e muito bem elaborada curta-metragem.
Um filme imprescindível e um dos mais bem dirigidos que vi nos últimos tempos que poderia muito bem ser exemplo e motor de sensibilização pois são estas "pequenas" histórias que por vezes conseguem mais facilmente chegar às mentes menos receptivas.
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9 / 10
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Sábado, 11 de Maio de 2013

Decay (2012)

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Decay de Luke Thompson e Michael Mazur é a mais recente longa-metragem que a temática zombie trouxe aos espectadores mais ou menos sedentos por um filme do género.
Um grupo de jovens que trabalha nas instalações da LHC (Large Hedron Collider) são convocados para fazer o turno nocturno nos subterrâneos das mesmas como forma de prevenir algum problema que possa surgir durante a noite.
Após uma noite aparentemente calma o acelerador de partículas emite significativos sinais de instabilidade que preocupam o grupo e que fica desde esse momento ameaçado pelos ataques constantes da restante equipa que se encontrava nas instalações e que estão agora transformados em perigosos zombies devoradores de carne humana. É a partir deste momento que não só devem tentar escapar a estes seres como também fugir das instalações em segurança e de uma terrível conspiração académica e económica.
Se é verdade que este género desperta sempre uma mórbida curiosidade no público que é dele fã, não deixa também de ser verdade que ser fã não é apreciar todas as inúmeras entregas que o respectivo género faz. Aqui, se por um lado é de louvar a longa-metragem e produção independente com poucos recursos que um grupo de jovens faz, não podemos ignorar que os clichés estão mais do que presentes e o factor inovação é na sua essência uma nulidade.
Luke Thompson também escreve este argumento e é notória a presença de inúmeras referências a outros títulos do género que passam muito especificamente pela saga sucesso britânica 28 Dias Depois e 28 Semanas Depois que podemos facilmente identificar já perto do final deste filme quando a única sobrevivente do grupo desce um monte a correr num segmento que é uma cópia clara do filme anteriormente referido, sendo que, adianto, esta é apenas uma das comparações imediatas a ambos títulos. Assim, se por um lado as referências e a presença de um conceito coerente para uma história do género estão presentes, também é verdade que o excesso de colagem a trabalhos já efectuados não abona em nada a favor desta longa ou tão pouco da vontade de criar uma obra original.
As interpretações, claramente amadoras, vivem numa dualidade gritante. Se por um lado não as posso considerar nem fracas (por serem más), nem frágeis (por serem inseguras), também não deixa de ser verdade que não são interpretações que se possam considerar de uma qualidade marcante ou que contribuam para o crescente dramatismo que a história nos pede e, apesar da caracterização de Rob Cantrill conseguir captar nos momentos de interiores uma qualidade notória e que auxilia assim o dinamismo da história, não deixa também de ser um facto que nos momentos finais em que percebemos realmente como ela está feita e as suas falhas, que a mesma contribui para um decréscimo do clímax ou ponto de certos segmentos parecerem retirados de filmes de comédia de qualidade duvidosa.
Dito isto, fica claro que este filme não é nenhum ponto de referência do momento, nem tão pouco para o futuro, mas como referi logo no início há que dar o devido crédito, mérito e valor para uma produção assumidamente independente que, com todas as suas fragilidades, foi feita com entrega e dedicaçã que lhe são facilmente reconhecidas. Funciona como uma obra de entretenimento que consegue provocar um ou dois sobressaltos mas para além disso não há muito mais "sumo" para retirar.
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2 / 10
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

To the Wonder (2012)

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A Essência do Amor de Terrence Malick esteve presente na selecção oficial da última edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Neil (Ben Affleck) é um Americano em viagem pela Europa, e é em Paris que conhece Marina (Olga Kurylenko), uma Ucraniana divorciada e com uma filha na pré-adolescência com um humor muito próprio. É na capital francesa que a sua paixão nasce, e o casal vive dias de felicidade exacerbada partindo de seguida para o emblemático Mont Saint Michel onde a sua jovem relação conhece as mais profundas promessas de amor e de dedicação, que levam Neil a convidar Marina e a sua filha a partirem com ele para os Estados Unidos, e aí começarem a sua nova vida.
Uma vez no seu nativo Oklahoma, Neil começa a sua actividade como inspector ambiental enquanto Marina inicia a sua nova vida e Tatiana, a sua filha, frequenta uma nova escola onde todos os rostos são desconhecidos. Aos poucos aquilo que parecia perfeito começa a degradar-se e o amor que ambos uniu parece agora posto à prova e lentamente se dissipa numa relação que os começa não só a separar como principalmente tornar indiferentes e resistentes a si próprios. Enquanto Neil reencontra a paixão em Jane (Rachel McAdams), uma antiga namorada, Marina encontro o conforto junto do Padre Quintana (Javier Bardem) que, tal como ela, é um estranho naquelas terras e que coloca também a sua própria fé em causa questionando até que ponto lhe consegue ser fiel.
Quando o visto de Marina expira e com isso se vê obrigada a regressar a França, irá a relação dos dois terminar para sempre, ou será este o factor que irá determinar até que ponto estão realmente ligados?
Para mim um filme que tenha a assinatura de Malick é motivo suficiente para me deixar expectante sobre o seu conteúdo. Com uma carreira com poucos títulos realizados mas que, todos eles, representam um marco de reflexão sobre a verdadeira essência do Homem, e que já nos deu obras como A Barreira Invisível ou o mais recente A Árvore da Vida, este seu novo título que teve ante-estreia em Veneza, é um acontecimento que não poderia deixar passar em branco. Sim, assumo-me como um fã da sua obra, e depois da Árvore, este não poderia perder.
Esta história, também ela assinada por Malick, é marcada por dois distintos momentos. O primeiro ainda na Europa, onde o amor entre "Neil" e "Marina" nasce, cresce repentinamente e onde ambos pensam ter encontrado a sua metade. Tal como a viagem a Saint Michel, o seu amor é uma descoberta, uma confirmação do futuro ainda não vivido mas que ambos pretendem consumar e que, abençoados pela água pura, tal este amor será imaculado. No entanto, com a mudança para os Estados Unidos e muito concretamente para um ambiente bem distinto daquele ao qual "Marina" estava habituado, também este amor será colocado à prova e as certezas outrora confirmadas serão agora questionadas. As marcas de um passado vivido com dificuldades e com provações emergem, e tal como o próprio espaço contaminado e poluído, também este amor começa a denotar as suas fraquezas, mazelas e provações falhadas que o abanam, o fazem ressentir e que o demonstram ser tão frágil como os próprios intervenientes pouco preparados para algo "para a vida", onde a mudança de espaço é uma clara analogia para a própria mudança, e decréscimo, do amor sentido.
As marcas desta ausênciaou perda de amor são uma constante ao longo do filme, podendo ser retratadas pelo evidente afastamento do casal que não partilha momentos, como principalmente pelos pequenos detalhes que as imagens nos entregam... A casa nunca terminada, as caixas nunca desempacotadas ou os silêncios que aos poucos se apoderam daquelas pessoas que quase evitam olhar um para o outro ou permanecer muito tempo no mesmo espaço.
Este momento é assim um dos objectivos do filme que se prende com uma reflexão sobre o amor humano. Aquele partilhado entre dois indivíduos que após uma qualquer atracção, desenvolvem a vontade de partilhar momentos, espaços, situações e pensamentos. A vontade de estabelecer uma confiança mútua, de entrega pessoal e sentimental que aos poucos se completa com a própria criação e desenvolvimento de uma família e de um espaço comum... o lar.
O segundo momento é representado pelos segmentos em que o "Padre Quintana" de Javier Bardem, reflete sobre a sua dedicação à Igreja, a Deus e a Jesus, ao mesmo tempo que somos acompanhados, e acompanhamos, as suas visitas a uma camada populacional desprovida de reais condições de vida, afectados pelo alcoól, pelas drogas e por uma vida cheia de provações e de dificuldades que o fazem questionar a sua fé e a sua crença na obra de Deus.
É assim que é estabelecida uma estreita relação entre os dois tipos de amor. Por um lado o amor Divino que não se deve questionar, colocando assim em causa a própria fé, e por outro lado o amor humano que une dois indivíduos na vontade de se amarem e construir uma vida comum. Questionar um é colocar em dúvida o outro pois ambos são, à sua medida, um mútuo complemento. Amar implica empenho, dedicação, confiança e entrega... tal como na fé. Assim, falhar num casamento ou numa união é falhar no compromisso para com Deus sobre o amor mútuo que se prometera, independentemente de ser uma constante prova repleta de bons e maus momentos, de defeitos e qualidade mútuas que se complementam e de emoções que são (in)constantes, como refere "Quintana", tal como as nuvens. "Love is a duty... You shall love"... não há outra forma de o encarar... Ele irá aparecer numa ou outra altura da vida de cada um. Para Malick, amar é uma forma de honrar Deus, mesmo que longe de uma qualquer Igreja ou templo, é a forma de poder homenagear o amor que o próprio entregou ao Homem, constituindo assim uma verdadeira reflexão de fé sem que esta se torne religiosa, celebrando-o como um instinto natural e do qual ninguém pode escapar.
E é esta mesma presença divina que sentimos em todas as obras de Malick. Esteve presente no filme A Barreira Invisível, mais ainda em A Árvore da Vida e neste A Essência do Amor é tão claro como a água que "benze" o amor de "Neil" e de "Marina", mas também pela presença invisível mas sempre constante que sentimos quando nos são apresentadas as personagens, os espaços ou os seus silêncios. Existe algo que os observa como que estando junto a eles sem se dar a conhecer ou se apresentar. Algo que observa as suas reacções e que quase lê os seus pensamentos que nós, espectadores, escutamos como sendo uma voz da consciência que os acompanha para todos os locais e que ao mesmo tempo transmite uma calma e tranquilidade que contrastam com os seus reais pensamentos. Algo que os observa como se tentando perceber como reage a sua "obra" face às provações e aos testes que a vida (um elemento também sempre constante nas obras de Malick) se lhes coloca.
Terrence Malick é, como sempre, grande na sua observação à mais simples condição e pensamentos humanos e deixando sempre a sua reflexão sobre a Humanidade e que, ao mesmo tempo, nos obriga também a pensar sobre ela.
As interpretações competentes, e quase arriscaria "reais" pois transmitem uma constante preocupação e vulnerabilidade presentes em qualquer um de nós, não poderiam estar melhor entregues aos actores em questão. Se Rachel McAdams tem um desempenho quase figurativo, e de Javier Bardem é credível na sua abordagem ao padre com uma crise de fé quando se depara com toda uma população que parece ter sido em tempos abandonada por Deus, é igualmente justo dizer que Ben Affleck, ainda que não na sua melhor interpretação, consegue encarnar o espírito do homem que vive indeciso entre o amor de juventude e que de certa forma nunca esqueceu mas que ao mesmo tempo equaciona se terá ou não chegado finalmente a altura de encarar que já não é o adolescente que em tempos foi, estando assim preparado para dar alma ao homem em que se tornou e construir a vida com a mulher que realmente o completa. No entanto, é uma etérea e magnífica Olga Kurylenko que tem aqui a sua prova de fogo (e superada), como aquela que foi em tempos traída, esquecida e abandonada que encontar em "Neil" o homem que pensa poder voltar a amar mas que, face às suas dúvidas e incertezas se vê entrar numa espiral de desgraça, abandono e incertezas que a podem facilmente levar à loucura e colocando-a no purgatório de onde pensa ter saído quando o conheceu. Kurylenko, até há bem pouco tempo uma alegre desconhecida do grande público, tem agora a sua confirmação enquanto actriz capaz e convincente dos mais sentidos e emotivos desempenhos que se espelham pelos seus últimos e poderosos instantes do filme.
Não sendo uma obra "superior" (está colocado entre aspas pois isto é sempre muito subjectivo) a A Árvore da Vida, este A Essência do Amor é um filme que segue a sua já conhecida reflexão sobre o Homem, sobre a Humanidade e sobre a nossa capacidade de nos auto-analisarmos perante o mundo e os outros como segue também a já tradicional excelência técnica das obras de Malick quer a nível da sua música original composta por Hanan Townshend que nos coloca não direi num transe mas sim num lugar superior onde nos podemos dar ao luxo de "descontrair" para reflectir, quer pela inigualável fotografia de Emmanuel Lubezki que quase sempre nos transmite uma sensação dessa mesma tranquilidade, mesmo quando os momentos parecem não permiti-lo, tal como se nos encontrássemos num desconhecido paraíso.
A Essência do Amor segue ainda a tradição que os filmes de Malick têm que os define como "difíceis", "complicados" ou sem uma linha condutora da sua acção. Tal como esta sua história, eles precisam também de dedicação e de um espírito aberto receptivo a compreendê-los e não de uma mente extremamente negativa que espere um filme de acção com desempenhos que nos entreguem tudo com as suas meras palavras. Aqui tudo é transmitido por momentos, por gestos e acções e principalmente com uma capacidade inigualável que Malick tem de fazer os seus actores transmitirem as mais profundas conversas apenas com os seus olhares e com o vazio, ou plenitude, que estes conseguem fazer-nos chegar e que fazem, na sua própria essência, uma reflexão sobre o amor, sobre a fé, a entrega e a dedicação ou, no fundo, sobre a vida que a todos nos é comum.
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"Father Quintana: The man who makes a mistake can repent. But the man who hesitates, who does nothing, who buries his talent in the earth, with him He (Jesus) can do nothing."
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8 / 10
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David di Donatello 2013: os nomeados

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MELHOR FILME
DIAZ, Domenico Procacci (produtor) e Daniele Vicari (realizador)
EDUCAZIONE SIBERIANA, Riccardo Tozzi, Giovanni Stabilini e Marco Chimenz (produtores) e Gabriele Salvatores (realizador)
IO E TE, Fiction e Wildside (produtores) e Bernardo Bertolucci (realizador)
LA MIGLIORE OFFERTA, Isabella Cocuzza e Arturo Paglia (produtores) e Giuseppe Tornatore (realizador)
VIVA LA LIBERTÀ, Angelo Barbagallo (produtor) e Roberto Andò (realizador)
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MELHOR PRODUTOR
Fabrizio Mosca, Alì Ha Gli Occhi Azzurri
Domenico Procacci, Diaz
Riccardo Tozzi, Giovanni Stabilini, Marco Chimenz, Educazione Siberiana
Isabella Cocuzza e Arturo Paglia, La Migliore Offerta
Angelo Barbagallo, Viva la Libertà
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MELHOR REALIZADOR
Bernardo Bertolucci, Io e Te
Matteo Garrone, Reality
Gabriele Salvatores, Educazione Siberiana
Giuseppe Tornatore, La Migliore Offerta
Daniele Vicari, Diaz
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MELHOR REALIZADOR REVELAÇÃO
Leonardo di Costanzo, L'Intervallo
Giorgia Farina, Amiche da Morire
Alessandro Gassmann, Razzabastarda
Luigio Lo Cascio, La Città Ideale
Laura Morante, Ciliegine
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MELHOR ACTOR
Aniello Arena, Reality
Sergio Castellitto, Una Famiglia Perfetta
Roberto Herlitzka, Il Rosso e il Blu
Luca Marinelli, Tutti i Santi Giorni
Valerio Mastandrea, Gli Equilibristi
Toni Servillo, Viva la Libertà
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MELHOR ACTRIZ
Valeria Bruni Tedeschi, Viva la Libertà
Margherita Buy, Viaggio Sola
Federica Victoria Caiozzo, Tutti i Santi Giorni
Tea Falco, Io e Te
Jasmine Trinca, Un Giorno Devi Andare
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MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Stefano Accorsi, Viaggio Sola
Giuseppe Battiston, Il Comandante e la Cicogna
Marco Giallini, Buongiorno Papà
Valerio Mastandrea, Viva la Libertà
Claudio Santamaria, Diaz
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MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Ambra Angiolini, Viva l'Italia
Anna Bonaiuto, Viva la Libertà
Rosabell Laurenti Sellers, Gli Equilibristi
Francesca Neri, Una Famiglia Perfetta
Fabrizia Sacchi, Viaggio Sola
Maya Sansa, Bella Addormentata
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MELHOR ARGUMENTO
Niccolò Ammaniti, Umberto Contarello, Francesca Marciano e Bernardo Bertolucci, Io e Te
Giuseppe Tornatore, La Migliore Offerta
Maurizio Braucci, Ugo Chiti, Matteo Garrone e Massimo Gaudioso, Reality
Ivan Cotroneo, Francesca Marciano e Maria Sole Tognazzi, Viaggio Sola
Roberto Andó e Angelo Pasquini, Viva la Libertà
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MELHOR FOTOGRAFIA
Fabio Cianchetti, Io e Te
Gherardo Gossi, Diaz
Marco Onorato, Reality
Italo Petriccione, Educazione Siberiana
Fabio Zamarion, La Migliore Offerta
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MELHOR MÚSICA
Alexandre Desplat, Reality
Ennio Morricone, La Migliore Offerta
Mauro Pagani, Educazione Siberiana
Franco Piersanti, Io e Te
Teho Teardo, Diaz
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MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Fare a Meno di Te", Gianluca Misiti (música) e Laura Marafioti (música e texto), La Elle (intérprete), por Buongiorno Papà
"Novij Den", Mauro Pagani (música e letra), Dariana Koumanova (intérprete), por Educazione Siberiana
"La Vita Possibilie", Pivio e Aldo de Scalzi (música), Francesco Renga (letra e interpretação), por Razzabastarda
"Tutti i Santi Giorni", Simone Lenzi, Antonio Bardi, Giulio Pomponi, Valerio Griselli, Matteo Pastorelli e Daniele Catalucci (música e texto), Virginiana Miller (intérprete), por Tutti i Santi Giorni
"Twice Born", Arturo Annecchino (música e texto), Angelica Ponti (intérprete), Venuto al Mondo
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MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Paolo Bonfini, Reality
Marco Dentici, È Stato il Figlio
Marta Maffucci, Diaz
Rita Rabassini, Educazione Siberiana
Maurizio Sabatini e Raffaella Giovannetti, La Migliore Offerta
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MELHOR GUARDA-ROUPA
Patrizia Chericoni, Educazione Siberiana
Grazia Colombini, È Stato il Figlio
Alessandro Lai, Appartamento ad Atene
Maurizio Millenotti, La Migliore Offerta
Roberta Vecchi e Francesca Vecchi, Diaz
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MELHOR CARACTERIZAÇÃO
Dalia Colli, Reality
Enrico Iacoponi, Viva la Libertà
Enrico Iacoponi e Maurizio Nardi, Educazione Siberiana
Mario Michisanti, Diaz
Luigi Rocchetti, La Migliore Offerta
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MELHOR DESIGN CABELO
Carlo Barucci e Marco Perna, Viva la Libertà
Stefano Ceccarelli, La Migliore Offerta
Giorgio Gregorini, Diaz
Francesco Pegoretti, Educazione Siberiana
Daniela Tartari, Reality
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MELHOR MONTAGEM
Benni Atria, Diaz
Clelio Benevento, Viva la Libertà
Walter Fasano, Viaggio Sola
Massimo Quaglia, La Migliore Offerta
Marco Spoletini, Reality
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MELHOR SOM
Gaetano Carito, Bella Addormentata
Fulgenzio Ceccon, Viva la Libertà
Maricetta Lombardo, Reality
Gilberto Martinelli, La Migliore Offerta
Remo Ugolinelli e Alessandro Palmerini, Diaz
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MELHORES EFEITOS ESPECIAIS VISUAIS
Storyteller e Mario Zanot, Diaz
Andrea Marotti, Dracula
Paola Trisoglio e Stefano Marinoni (VISUALOGIE), Educazione Siberiana
Wonderlab de Bruno Albi Marini, Reality
Gianluca Dentici (Reset VFX), Viva la Libertà
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MELHOR FILME DA UNIÃO EUROPEIA
Amour, de Michael Haneke
Anna Karenina, de Joe Wright
Quartet, de Dustin Hoffman
De Rouille et d'Os, de Jacques Audiard
Skyfall, de Sam Mendes
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MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Argo, de en Affleck
Django Unchained, de Quentin Tarantino
Life of Pi, de Ang Lee
Lincoln, de Steven Spielberg
Silver Linings Playbook, de David O. Russell
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MELHOR DOCUMENTÁRIO (LONGA-METRAGEM)
Anija (La Nave), de Roland Sejko
Bad Weather, de Giovanni Giommi
Fratelli & Sorelle - Storie di Carcere, de Barbara Cupisti
Nadea e Sveta, de Maura Delpero
Pezzi, de Luca Ferrari
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MELHOR CURTA-METRAGEM
Ammore, de Paolo Sassanelli
Cargo, de Carlo Sironi
L'Esecuzione, de Enrico Iannaccone
Preti, de Astutillo Smeriglia
Settanta, de Pippo Mezzapesa
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DAVID GIOVANI
La Migliore Offerta, de Giuseppe Tornatore
Il Principe Abusivo, de Alessandro Siani
Una Famiglia Perfetta, de Paolo Genovese
Venuto al Mondo, de Sergio Castellitto
Viva l'Italia, de Massimiliano Bruno
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Depois de Abril (2012)

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Depois de Abril de José Alberto Pinheiro é um documentário em curta-metragem que recupera um tema por vezes muito esquecido no cinema português como é o período do 25 de Abril de 1974.
Este documentário conta-nos a história do jovem militar Orlando Mesquita pelas palavras do próprio, a partir do 25 de Abril de 1974 quando se juntou à grande massa popular que saiu às ruas naquele importante dia da nossa História moderna.
Semanas após este dia que pôs um fim à ditadura que fez o país atravessar por décadas de pobreza, opressão e austeridade, Orlando é tal como inúmeros outros jovens, enviado para África para ajudar a limpar os vestígios do conflito. É então que se iniciam uma série de acontecimentos que o iriam marcar profundamente e, ao mesmo tempo, ajudar a reflectir sobre o mundo em que vivia e especialmente sobre o mundo em que hoje vive.
Eu poderia resumir todo este documentário numa breve, mas muito sentida, expressão... ele é simplesmente uma agradável e comovente experiência cinematográfica. Tantos são os documentários que, centrados numa tentativa de contar um facto histórico, se perdem em inúmeros relatos desprovidos de um factor essencial...a sua Humanidade. Aqui, por sua vez, é de forma intimista e próxima não só do realizador como principalmente do espectador a quem se destina a sua mensagem, transmitida toda uma experiência de vida que começa não necessariamente com os acontecimentos que Orlando Mesquita vivera em África mas principalmente sobre os ensinamentos de vida que lhe foram por eles proporcionados.
Não só este documentário é intimista pela forma como transmite as suas inúmeras mensagens sobre os reais valores de liberdade como também o faz de uma forma assertiva graças à constante presença de Orlando Mesquita que com muita calma e tranquilidade fala não para a câmara mas sim a pensar naqueles que estão para lá da mesma... os espectadores. A sua forma de transmitir a sua (e de todos) mensagem é cativante e perdemo-nos a escutar cada palavra sua com gosto e com vontade de termos mais dos seus conhecimentos, tão importantes são.
Desde as suas recordações de África onde ao contrário do que se pensava a guerra não havia terminado como que de um passo de magia se tratasse, e onde tal como nos relata Mesquita, "tudo o que era branco era para eliminar", o seu "batalhão de paz", acaba por se ver envolvido numa continuidade do conflito apesar de, oficialmente, este já não existir e do qual vários pensamentos traumáticos ainda permanecem como por exemplo o ter de eliminar uma quantidade enorme de cadáveres que, não podendo ser enterrados haviam de ser queimados. A morte é uma constante nas suas memórias, e todas as histórias que tem acabam por denotá-lo. Até mesmo no ambiente em que as conta, é presente a ironia das pinturas que se encontram atrás de si denotarem alguns destes elementos sendo que, ao mesmo tempo consegue manter uma postura muito espiritual e calma que nos faz querer sempre saber um pouco mais das suas experiências ditas "ultramarinas".
Tudo valia para se abstrairem da guerra desde a fé, a amizade que unia aqueles militares e até mesmo os "esquemas" que encontravam para se livrarem do conflito como por exemplo fingir insanidade e poderem assim voltar a Portugal, e é inquestionável que este período o(s) marcou para sempre, e cada sua expressão marca vincadamente este período das(s) sua(s) vida(s).
Orlando Mesquita é, do início ao final, a alma deste documentário. Não só o é por ser o indivíduo que nos fala sobre as suas experiências como também pela forma como o faz e, ao mesmo tempo, ter composto a música que ambienta as suas palavras e fazendo assim com que o espectador o escute como se o estivesse a fazer num frente a frente e deixando-nos com um conjunto de pensamentos que exprimem por um lado a sua celebração à liberdade que tem como por outro lado, as mágoas e as feridas que este período da sua vida e da nossa História lhe deixaram.
Normalmente prefiro nunca comentar grandes pensamentos retirados dos filmes a que assisto mas, no entanto, achei de grande interesse algumas ideias aqui explicitadas, nomeadamente aquela que escolho para terminar este comentário a este genial documentário, um dos melhores que vi nos últimos tempos e digo-o sem qualquer reserva ou segundo pensamento. Expressão essa que sem qualquer imagem é apenas escutada, tal a sua importância, e que deveria ser retida pela sua dimensão como que numa representação de um local onde a realidade (seja ela qual fôr) não é um dado presente. Para além de sabermos que Orlando, possivelmente como tantos outros, nunca matou ninguém em conflito, ele refere-nos que "nunca se deixou morrer". A dor, para um humanista, de ter passado por um conflito onde a vida é um bem que está sempre em risco, é um fardo real mas que nunca se esquece, e é esta sua mensagem de tal forma comovente que a meu ver representa o clímax de todo o documentário.
E ao mesmo tempo Orlando deixa-nos alguns pensamentos sobre o passado que podem muito bem ser aplicados nestes dias conturbados pelos quais atravessamos... Fala-nos sobre a incapacidade de o destruir enquanto ser humano pois não conseguindo comprometer os seus valores, a sua capacidade de raciocínio ou de felicidade, não destruíram o indivíduo, o Homem e o ser pensante capaz de interagir e de viver em sociedade podendo assim transmitir a sua mensagem, especialmente por ser tão importante.
As conquistas e os feitos deste documentário são demasiadamente importantes para que ele não seja visto. Desde o seu conteúdo histórico que é importante para qualquer sociedade que se preze, como também pelo conteúdo humanista e forma de "interagir" através do seu interlucutor, a mensagem que pretende fazer chegar ao espectador. Com uma estrutura simples e eficaz, este documentário prende-nos ao ecrã durante os pouco mais de vinte e quatro minutos de duração que tanto poderiam ser três vezes mais que não seriam demasiados. A capacidade de transmitir uma época histórica e uma mensagem humana predominam ao longo de todo o filme que se assume facilmente como um dos mais importantes trabalhos documentais dos últimos tempos bem como uma aposta forte e segura do realizador que acertou no ponto certo da nossa História ao conseguir transpôr o passado para o presente fazendo com que a sua mensagem seja eterna e muito actual e que num país que levasse a sua História e o seu cinema a sério o tornaria obrigatório em qualquer escola e o facilitaria para exibições públicas sobre o nosso passado recente.
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"Orlando Mesquita: Nunca me deixei matar... não é fácil viver com isso."
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10 / 10
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Alfredo Landa

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1933 - 2013
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Bryan Forbes

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1926 - 2013
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The Expatriate (2012)

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O Expatriado de Philipp Stölzl é a mais recente longa-metragem de Aaron Eckhart que interpreta Ben Logan, um antigo agente da CIA agora a trabalhar para uma agência de segurança em Bruxelas e que após descobrir um pequeno erro de patentes dos produtos que analisa, se vê envolvido numa conspiração internacional da qual todos pretendem que saia morto e que, juntamente com a sua filha, passa a ter de fugir e lutar pelas suas próprias vidas.
É nesta fuga que parece ser interminável e que coloca no seu rasto um conjunto de assassinos profissionais que Logan descobre o envolvimento de Anna Brandt (Olga Kurylenko), a mulher por quem em tempos teve uma paixão e que considerou uma idealista, mas que agora em nome de interesses movidos pelo dinheiro, optou por juntar-se ao lado menos nobre da lei.
Conseguirá Logan escapar a esta teia de intriga internacional ou irá, tal como todos os seus colegas de trabalho, ser eliminado desta equação de onde parece ser o elemento mais fraco?
Depois de uma calma e refletida análise podemos facilmente concluir que o argumento de Arash Amel não tem nenhum elemento fundamentalmente original... Taken com o Liam Neeson... hello... as semelhanças estão bem presentes se bem que numa nova variável onde aqui a filha não é raptada mas está mortalmente ameaçada... Um Americano a viver na Europa que descobrimos ser um ex-agente da CIA, logo uma arma humana mortal, vê agora a sua identidade desaparecer ao mesmo tempo que um complot internacional ganha forma e a vida de todos aqueles que conhece e da sua própria família está em risco. Ora, aquilo que esperamos logo de imediato é um filme frenético e com acção a todo o gás que só termina mesmo no final, quase sempre com tanto de positivo como de emotivo... E na prática, não nos enganamos, tornando-se este o seu elemento mais presente durante todo o filme e aquele que o faz ser um bom exemplar de entretenimento que nos prende ao ecrã durante a sua duração.
Não temos aqui um filme cujas interpretações se excedem no dramatismo, também no fundo seria quase impossível, e nem tão pouco Aaron Eckhart consegue elevar-se ao ponto de outros desempenhos nomeadamente daquele que nos deu em Erin Brockovich, limitando-se a ser um típico actor num filme de acção onde mata, luta e (sobre)vive numa pressão extrema tendo como único objectivo recuperar a sua vida e garantir a sobrevivência da sua filha.
A surpresa, a existir uma, centra-se na presença de uma enigmática Olga Kurylenko que tem aos poucos vindo a ocupar uma interessante, e central, lugar na indústria conseguindo ter vários filmes a estrear quase em simultâneo e colocando-se como a favorita do momento em interpretações mais ou menos secundárias mas seguras e consistentes para o género que representam. Aqui a sua "Anna Brandt", uma agente da CIA que em tempos foi uma idealista, evidenciando assim a relação e atracção tensa, mas não confirmada, que se sente com "Logan", consegue manter tudo aquilo que esperamos de uma espia. Alguma presença etérea e distante mas que, ao mesmo tempo, denota uma réstia de Humanidade que tudo faz por esconder e que até ao último instante não percebemos que lhe vai dar "ouvidos" ou se a oculta para todo o sempre. Kurylenko tem, por vezes com uma presença quase discreta (impossível), a capacidade de nos fazer querer ver mais dela, da sua personagem e, sobretudo, de um certo passado que percebemos ter mas que não é explorado pois, afinal, não é dela que o filme nos "fala".
Sim, é de acção e competente mas para além disto não tem nenhuma linha condutora que nos faça considerá-lo o melhor do género, é competente mas já visto e em melhores condições, mas não passa disso mesmo... um filme de acção.
Destacam-se obviamente as sequências de acção e de perseguição que não sendo extremamente elaboradas ou sequer gigantescas, conseguem transportar-nos para um universo onde nos sentimos presos a pensar sobre o que vai acontecer a seguir e que por muito tempo que este filme tivesse não deixaria de ser cativante mesmo que o seu argumento esteja repleto de clichés do género onde de certa forma já sabemos o que irá acontecer mas que não faz a menor diferença. E destaca-se também a fotografia de Kolja Brandt que recria toda a fria atmosfera de uma Bélgica aparentemente menos pacífica do que aquilo que parece.
Entretém e é um filme de fim-de-semana competente e bem conseguido que nos faz passar um bom bocado. Para além disso... não se espere mais.
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7 / 10
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Prémio Consagração de Carreira 2013 da Sociedade Portuguesa de Autores

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O realizador António-Pedro Vasconcelos foi anunciado como o vencedor do Prémio Consagração de Carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores.
O galardão, a ser atribuído numa cerimónia a realizar no próximo dia 22 de Maio, Dia do Autor, na Sala Galeria Carlos Paredes da SPA, pelas 18 horas, "distingue uma carreira em prol do audiovisual em Portugal", tal como anunciou Rui Negrão, director do Gabinete Cultural e de Relações Internacionais da SPA.
António-Pedro Vasconcelos, natural de Leiria, foi o realizador de filmes como Perdido por Cem..., Adeus, Até ao Meu Regresso, O Lugar do Morto, Os Imortais, A Bela e o Paparazzo, Call Girl e Jaime com o qual conquistou o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional de Cinema de San Sebastian.
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