sábado, 18 de novembro de 2017

Malcolm Young

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1953 - 2017
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Azzedine Alaïa

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1940 - 2017
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ann Wedgeworth

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1934 - 2017
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

European Film Awards 2017: os primeiros vencedores

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os primeiros sete vencedores da sua trigésima edição. Com base nos filmes presentes na pré-selecção aos European Film Awards, um júri composto por sete elementos decidiu os vencedores nas categorias de Montagem, Fotografia, Música, Som, Design de Produção, Guarda-Roupa e Caracterização.
São os vencedores:
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Montagem: Robin Campillo, 120 Battements par Minute
Prémio Carlo di Palma - Fotografia: Michail Krichman, Nelyubov
Música: Evgueni Galperine e Sacha Galperine, Nelyubov
Som: Oriol Tarragó, A Monster Calls
Design de Produção: Josefin Asberg, The Square
Guarda-Roupa: Katarzyna Lewinska, Pokot
Caracterização: Leendert van Nimwegen, Brimstone
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Estes, bem como os demais vencedores, serão anunciados numa cerimónia a realizar no próximo dia 9 de Dezembro, em Berlim.
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sábado, 11 de novembro de 2017

Chiquito de la Calzada

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1932 - 2017
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Sevilla Festival de Cine Europeo 2017: os vencedores

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Terminou hoje mais uma edição do Festival de Cinema Europeu de Sevilha que decorria na cidade desde o passado dia 3 de Novembro, tendo o júri oficial anunciado A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho como o grande vencedor deste ano.
São os vencedores:
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Secção Oficial
Giraldillo de Oro: A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho (Portugal)
Grande Prémio do Júri: Western, de Valeska Grisebach (Alemanha)
Menção Especial do Júri: Zama, de Lucrecia Martel (Argentina/Espanha/Portugal/França/Holanda/EUA/Brasil/México/Líbano/Suíça)
Realização: Mathieu Amalric, Barbara (França)
Actor: Pio Amato, A Ciambra (Itália/Brasil/Alemanha/França/EUA/Suécia/França)
Actriz: Selene Caramazza, Cuori Puri (Itália)
Argumento: Thierry de Peretti, Une Vie Violente (França)
Fotografia: Maria von Hausswolff, Vinterbrodre (Dinamarca)
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Secção Las Nuevas Olas
Filme: Niñato, de Adrián Orr (Espanha)
Prémio Especial Las Nuevas Olas: Pin Cushion, de Deborah Haywood (Reino Unido) e The Wild Boys, de Bertrand MAndico (França)
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Prémio Las Nuevas Olas No Ficción: Distant Constellation, de Shevaun Mizhari (Turquia/EUA)
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Prémio FIPRESCI - Competição Oficial Resistencias: Ternura y la Tercera Persona, de Pablo Llorca (Espanha)
Prémio DELUXE: El Mar nos Mira de Lejos, de Manuel Muñoz Rivas (Espanha)
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Prémio Europa Junior: Le Grand Méchant Renard et Autres Contes..., de Benjamin Renner e Patrick Imbert (França/Bélgica)
Prémio Cinéfilos del Futuro: Just Charlie, de Rebekah Fortune (Reino Unido)
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Grande Prémio do Público - Selecção EFA: Insyriated, de Philippe Van Leeuw (França/Bélgica/Líbano)
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Prémio EURIMAGES - Co-Produção Europeia: L'Intrusa, de Leonardo di Costanzo (Itália/Suíça/França)
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Prémio CICAE - Primeira Obra: God's Own Country, de Francis Lee (Reino Unido)
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Jurado ASECAN
Filme: Tierra Firme, de Carlos Marqués-Marcet
Prémio Rosario Valpuesta - Curta-Metragem Andaluza: El Mundanal Ruido, de David Muñoz
Prémio Rosario Valpuesta - Contribuição Artística: Ayer o Antever, de Hugo Sanz Rodero
Menção Especial: Diferencias, de Isabel Alberro
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IV Premio Ocaña a La Libertad: Mr. Gay Syria, de Ayse Toprak (Turquia/Alemanha/França)
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Caminhos do Cinema Português 2017: selecção oficial

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Foi hoje divulgada a programação oficial da vigésima-terceira edição do Caminhos do Cinema Português que irá decorrer em Coimbra entre os dias 27 de Novembro e 3 de Dezembro. Entre os seleccionados encontram-se curtas e longas-metragens de ficção, documentário e animação estreadas ao longo do último ano e algumas já premiadas nacional e internacionalmente e aqui a concorrerem aos mais de vinte troféus a atribuir.
É a selecção:
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Ficção
Al Berto, de Vicente Alves do Ó
Altas Cidades de Ossadas, de João Salaviza
António e Catarina, de Cristina Hanes
António Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus
Ao Telefone com Deus, de Vera Casaca
Câmara Nova, de André Marques
A Carga, de Luís Campos
Coelho Mau, de Carlos Conceição
Colo, de Teresa Villaverde
Coração Negro, de Rosa Coutinho Cabral
Coup de Grace, de Salomé Lamas
Delírio em Las Vedras, de Edgar Pêra
O Dia em que as Cartas Pararam, de Cláudia Clemente
A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho
Farpões Baldios, de Marta Mateus
Ferro Sangue, de Fábio Penela
Flores, de Jorge Jácome
Freelancer, de Francisco Lacerda e Afonso Lopes
Hei-de Morrer Onde Nasci, de Miguel Munhá
Histórias de Alice, de Oswaldo Caldeira
O Homem de Trás-os-Montes, de Miguel Moraes Cabral
Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes
A Ilha dos Cães, de Jorge António
Já Passou, de Sebastião Salgado
O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam, de João Cristóvão Leitão
Laranja Amarelo, de Pedro Augusto Almeida
A Língua, de Adriana Martins da Silva
Longe da Amazónia, de Francisco Carvalho
A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha
Nyo Vweta Nafta, de Ico Costa
São Jorge, de Marco Martins
O Sapato, de Luís Vieira Campos
Semente Exterminadora, de Pedro Neves Marques
Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo
O Turno da Noite, de Hugo Pedro
Ubi Sunt, de Salomé Lamas
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Documentário
Carta ao Meu Avô, de João Nunes
O Homem Eterno, de Luís Costa
Luz Obscura, de Susana de Sousa Dias
Nasci com a Trovoada - Autobiografia Póstuma de um Cineasta, de Leonor Areal
Norley e Norlen, de Flávio Ferreira
Notas de Campo, de Catarina Botelho
Où en Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?, de João Pedro Rodrigues
Qualquer Coisa de Belo, de Pedro Sena Nunes
Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira
Rosas de Ermera, de Luís Filipe Rocha
Souvenirs, de Paulo Martinho
Tarrafal, de João Paradela
Vou-me Despedir do Rio, de David Gomes
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Animação
Água Mole, de Laura Gonçalves
Das Gavetas Nascem Sons, de Vítor Hugo
A Gruta de Darwin, de Joana Toste
Sete, de Gustavo Sá
A Sonolenta, de Marta Monteiro
Surpresa, de Paulo Patrício
A Tocadora, de Joana Imaginário
Última Chamada, de Sara Barbas
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Ray Lovelock

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1950 - 2017
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Ética (2016)

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Ética de Román Reyes é uma curta-metragem espanhola de ficção que revela a história de Manu (Reyes), um homem que um dia decide seguir o seu verdadeiro "eu" como Elisa. Num mundo que não está preparado para aceitar e respeitar a diferença, conseguirá Elisa viver de bem com a sua consciência e com os seus sentimentos?
Reyes interpreta, produz, realiza e escreveu o argumento desta história que se debate com um tema quase universal... estará a sociedade como um todo capaz de aceitar a diferença e a individualidade de qualquer um de nós? A resposta, para lá de complexa, quase sempre é dada com um não inicial. No entanto, existe todo um mundo capaz de ser explorado e debatido por detrás do mesmo começando este, desde o primeiro instante, com o elemento mais importante de todos... estará este "eu" capaz de se respeitar a si próprio?
Num mundo formatado e normalizado a compreender apenas os papéis sociais que lhe foram incutidos por séculos de conceitos já estabelecidos e formados como "normais", a luta interior de "Manu" começa quando o próprio compreende a sua diferença dessa sociedade exterior não se enquadrando naquilo que a mesma "escolheu" por ele. Assim, o primeiro passo que este dá para uma total aceitação começa quando o próprio se aceita tal como na realidade se sente e vê... uma mulher. Partindo deste pressuposto começa então a segunda vida - e a única que é essencialmente verdadeira - de "Manu" mas, desta vez, como "Elisa".
"Elisa" é uma mulher proveniente de um ambiente ultra-conservador onde os valores ditos morais se confundem muito rapidamente com um extremismo ideológico latente na pessoa do seu irmão "Adrián" (também interpretado por Reyes) e pelos símbolos políticos e partidários que o mesmo exibe bem como no seu discurso claramente fruto dessa mesma educação - familiar e social - que o aproximam da xenofobia, homofobia ou transfobia. No fundo, para este "Adrián" tudo o que escape à sua noção como "normal" é automaticamente alvo das suas violentas investidas e processado como algo a abater. Assim, e da auto-aceitação a uma desejada aceitação social, "Elisa" embarca naquela que é provavelmente a sua luta mais difícil mas não comparável àquele sentida quando o seu corpo e a sua mente colidiam - também elas - violentamente levando a que o cérebro não registasse a mesma imagem que os seus olhos lhe transmitiam.
Com uma banda sonora que aproxima o espectador de um Laurence Anyways, de Xavier Dolan logo nos instantes iniciais, este Ética tenta portanto celebrar para lá daquela aceitação ou compreensão social, a luta do "eu" sobre a imagem que tem incutida desde jovem idade para com a representação de género que, na realidade, sente como sendo a sua verdadeira. Assim, e considerando todas as barreiras sociais e familiares que persistem na vida do indivíduo - "Elisa" -, o espectador observa não só a sua luta interna como principalmente aquela tida para com todos os elementos exteriores, nomeadamente a família, que deveria ser indiscutivelmente o elo ou grupo primário e de principal apoio para com ela.
Ainda que executada com algumas fragilidades técnicas nomeadamente na captação de som ou dos ângulos captados que a execução de one man show lhe impõe - afinal tudo recai nas mãos do realizador/actor -, Román Reyes consegue, no entanto, incutir a esta sua obra um cunho de relevância social francamente importante na medida em que tenta, pelos seus próprios meios, trazer à sétima arte mais um registo de um tema tido como polémico mas que, na realidade, apenas se centra na mais básica de todas as premissas... o direito de cada um de nós se exprimir e sentir livremente... tal como se sente.
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7 / 10
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Portrait of a Wind-up Maker (2015)

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Portrait of a Wind-up Maker de Darío Pérez é um documentário em formato de curta-metragem espanhol baseado na história de Chema - Miguel Ángel Herrero -, um arquitecto e emigrante espanhol em Amsterdão que dedica a sua vida à construção de pequenos brinquedos de corda a partir de materiais reciclados.
Da fatalidade à reconstrução de toda uma vida dedicada à preservação de uma memória de uma infância interrompida, este breve mas tocante documentário capta a essência de uma vida interrompida e de outra que se inicia longe de umas origens agora relativamente desconhecidas. Intenso e até mesmo terno em diversos momentos pela reconstrução de um lugar "seguro" onde se pode voltar a viver, Portrait of a Wind-Up Maker consegue nos seus parcos quatro minutos de duração conferir ao espectador uma experiência diferente e suficientemente capaz de marcar pela diferença e ser recordada não só num futuro imediato e transportar o espectador para um passado (o seu) onde, em criança, era capaz de fazer as suas delícias com estes pequenos e tradicionais brinquedos que davam cor a uma imaginação já de si bastante preenchida.
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7 / 10
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Haters (2016)

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Haters de Sergio Sánchez Cano é uma curta-metragem espanhola de ficção cuja brevíssima história reflecte sobre o ódio, sobre a sua expansão e sua gratuitidade quando um casal tenta conversar e Ele olha para Ela e disserta sobre o que odeia no mundo... tudo ao seu redor.
Sánchez Cano explora nesta brevíssima curta-metragem não só a insatisfação de um homem para o mundo que o rodeia como também a disseminação deste ódio irracional como voluntária opção de uma abordagem construtiva onde o mesmo tenta resolver aquilo que no mundo - ou pelo menos no seu imediato - mais o afecta ou preocupa. No final, e talvez como expoente máximo desta voluntária capacidade de ver o mal sem o tentar alterar, Haters reflecte sobretudo sobre a possibilidade de, no meio de um ambiente marcado pela negatividade, existir alguém que equacione a existência de um "bem"... de um amor que tenta disseminar e sobretudo sobre a sua hipótese de sobrevivência num ambiente que é, em toda a sua dimensão, adverso à sua propagação.
Do ódio ao romance (ainda que ignorado), Haters é assim a possibilidade da convivência nem sempre harmónica entre dois opostos e, no final, sobre a forma como um deles pode influenciar directamente o outro ocultando-o e mantendo a preponderância de um sentimento existente e marcante sobre o outro. Qual deles será mais forte?... É a pergunta que permanece na mente do espectador...
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3 / 10
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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Premios Sur - Academia Argentina de Cinema 2017: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Premios Sur entregues anualmente pela Academia Argentina de Cinema. Entre os nomeados a Melhor Filme do Ano encontramos El Invierno, de Emiliano Torres (com cinco nomeações), La Cordillera, de Santiago Mitre (com onze nomeações), Una Especie de Família, de Diego Lerman (oito nomeações) e finalmente a co-produção luso-argentina-espanhola Zama, de Lucrecia Martel (com doze nomeações).
São os nomeados:
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Melhor Longa-Metragem de Ficção
El Invierno, de Emiliano Torres
La Cordillera, de Santiago Mitre
Una Especie de Familia, de Diego Lerman
Zama, de Lucrecia Martel
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Melhor Primeira Obra
El Invierno, de Emiliano Torres
El Peso de la Ley, de Fernán Mirás
La Novia del Desierto, de Cecilia Atán e Valeria Pivato
Temporada de Caza, de Natalia Garagiola
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Melhor Documentário
Actriz, de Fabián Fattore
Cuatreros, de Albertina Carri
El Futuro Perfecto, de Nele Wohlatz
El (Im)Posible Olvido, de Andrés Hebegger
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Melhor Realização
Anahí Berneri, Alanis
Santiago Mitre, La Cordillera
Diego Lerman, Una Especie de Familia
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Actor Protagonista
Fernan Mirás, El Peso de la Ley
Leonardo Sbaraglia, El Otro Hermano
Ricardo Darín, La Cordillera
Daniel Giménez Cacho, Zama
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Melhor Actriz Protagonista
Sofía Gala Castiglione, Alanis
Paola Barrientos, El Peso de la Ley
Dolores Fonzi, La Cordillera
Bárbara Lennie, Una Especie de Familia
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Melhor Actor Secundário
Pablo Cedrón, El Otro Hermano
Gerardo Romano, La Cordillera
Daniel Aráoz, Una Especie de Familia
Juan Minujín, Zama
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Melhor Actriz Secundária

Mara Bestelli, El Invierno
María Onetto, El Peso de la Ley
Justina Bustos, Los que Aman, Odian
Marilú Marini, Los que Aman, Odian
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Revelação Masculina
Diego de Paula, El Candidato
Dario Barassi, El Peso de la Ley
Juan Grandineti, Pinamar
Lautaro Bettoni, Temporada de Caza
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Revelação Feminina
Dana Basso, Alanis
Agustina Cabo, Mamá se Fue de Viaje
Cumelén Sanz, No Te Olvides de Mi
Yanina Ávila, Una Especie de Familia
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Melhor Argumento Original
Anahí Berneri e Javier van de Couter, Alanis
Marcelo Chaparro e Emiliano Torres, El Invierno
Cecilia Atán e Valeria Pivato, La Novia del Desierto
Diego Lerman e María Meira, Una Especie de Familia
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Melhor Argumento Adaptado
Israel Adrián Caetano e Nora Mazzitelli, El Otro Hermano
Milagros Mumenthaler, La Idea de un Lago
Esther Feldman e Alejandro Maci, Los que Aman, Odian
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Montage
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Alejandro Alem e Alejandro Parysow, Campaña Antiargentina
Nicolás Goldbart, La Cordillera
Alejandro Brodersohn, Una Especie de Familia
Miguel Schverdfinger, Zama
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Melhor Fotografia
Ramiro Civita, El Invierno
Julián Apezteguía, El Otro Hermano
Wojciech Staron, Una Especie de Familia
Rui Poças, Zama
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Melhor Direcção Artística
José Luis Arrizabalaga e Arturo García, El Bar
Sebastián Orgambide e Micaela Saiegh, La Cordillera
Mercedes Alfonsín, Los que Aman, Odian
Renata Pinheiro, Zama
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Melhor Guarda-Roupa
Paola Torres, El Bar
Sonia Grande, La Cordillera
Beatriz di Benedetto, Los que Aman, Odian
Julio Suárez, Zama
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Melhor Caracterização
Marisa Amenta e Angela Garacija, La Cordillera
José Quetglas, El Bar
Osvaldo Esperón, Emanuel Miño e Susana Ravello, Los que Aman, Odian
Marisa Amenta e Alberto Moccia, Zama
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Melhor Música Original
Gabriel Nesci, Casi Leyendas
Alberto Iglesias, La Cordillera
Leo Sujatovich, La Novia del Desierto
Nicolas Sorin, Los que Aman, Odian
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Melhor Som
Sebastián González, Campaña Antiargentina
Javier Stravrópulos, El Peso de la Ley
Federico Esquerro e Santiago Fumagalli, La Cordillera
Guido Berenblum, Zama
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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Brad Harris

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1933 - 2017
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Karin Dor

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1938 - 2017
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sábado, 4 de novembro de 2017

Victoria and Abdul (2017)

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Vitória & Abdul de Stephen Frears é uma longa-metragem britânica e a directa sequela (sem o ser) de Mrs. Brown (1997) na qual a actriz Judi Dench volta a encarnar a Raínha Victoria.
Se em Mrs. Brown, a Raínha Victoria chorava a recente morte do marido que a levara a afastar-se dos olhares dos seus súbditos encontrando, posteriormente, consolo no seu empregado Brown (Billy Connoly), em Victoria and Abdul o espectador é levado até à comemoração do seu Jubileu onde, para homenagear o seu papel enquanto Imperadora da Índia, Abdul Kareem (Ali Fazal) é enviado para Inglaterra demonstrando dessa forma não só a diversidade do seu Império como também o seu papel enquanto conciliadora de todos os seus habitantes.
Envelhecida e farta do protocolo que a corte pedia, Victoria (Dench) é uma mulher pouco preocupada com as aparências, com as práticas e as normas de um Império que percebe... estar prestes a abandonar... Até chegar Abdul.
O espectador encontra-se em 1887. Da Índia colonial dominado pelo todo poderoso Reino Unido numa sociedade dividida por classes e onde tudo tem forçosamente o seu lugar próprio não podendo existir qualquer tipo de mistura - quer das classes quer das etnias -, Victoria and Abdul é não só o retrato de uma monarca na última etapa da sua vida como principalmente a sua vontade de reerguer-se num mundo onde volta a encontrar o poder de uma amizade fiel e digna livre de constrangimentos e hipocrisias que sentia - até então - por parte de todos aqueles com quem privava mais directamente.
Aquilo que se destaca no imediato para o espectador mais atento é a radical transformação da Raínha entre as duas obras. Separam-nas vinte anos reveladores de uma vida - não só para a actriz como obviamente para a sua personagem - conferindo-lhes (Dench) não só a omnipotência de um vulto real como obviamente aquela de uma actriz enorme como o é actriz britânica. Se em Mrs. Brown a "Raínha Victoria" de Judi Dench era uma mulher marcada pela perda - do marido - neste Victoria and Abdul voltamos a encontrá-la novamente marcada por essa perda mas, no entanto, agora algo mais profundo... não só a solidão que a sua velhice lhe confere mas também o abandono de todos aqueles que sempre amou... um marido, alguns amigos mais próximos, um velho amante e até mesmo alguma presença enquanto monarca absoluta de um Império que agora pouco controla para lá da imagem fugaz e simbólica que representa no e para o mesmo.
Mas, todo este núcleo emocional de e para com ela e o seu meio "natural" e fortemente abalado quando esta mulher é confrontada com a chegada daquilo que qualquer um de nós diria como "ar fresco" que a retiram da sua espiral de decadência entregando-a novamente aos prazeres da curiosidade, do fascínio e da descoberta com a presença de "Abdul" (Ali Fazal), um indiano muçulmano com quem decide não só aprender a sua língua - poluída para os costumes da corte - como alguns dos costumes que iriam abalar a corte ultra-conservadora e que via assim abalada a sua existência por não conseguirem oferecer a esta mulher o conforto e a tranquilidade de espírito que "Abdul" lhe conferia.
A transformação de Dench - ou melhor... de Victoria - é por demais evidente... de um jantar entre monarcas e respectiva corte onde não só ignora todos os convidados à sua volta como também as suas conversas, as suas polidas maneiras e, no fundo, toda uma hipocrisia que já não tende a tolerar e que para lhe escapar... até adormece, para uma descoberta pelo desconhecido que o seu novo hóspede lhe confere ao ponto de se tornarem cúmplices, confidentes e até mesmo travar uma amizade impossível num meio que esperava ansiosamente pela sua morte para poderem fazer girar as influências e uma pirâmide social já estabelecida há muito. Incomodando uma corte podre por dentro e criando inimigos onde nem sequer os imaginava ter, "Abdul" transforma-se assim num estrangeiro não só dentro do palácio como também no país que o acolheu apenas quando possui a sua protectora então desaparecida.
Dench, magnífica desde o primeiro instante não por irradiar toda uma opulência esperada de uma raínha mas sim por dignificar a imagem da mesma com igual pujança como aquela sentida em Mrs. Brown - ainda que marcada pelos já referidos vinte anos de distância transformando-a numa mulher em plena fase de decadência física mas nunca emocional ou psicológica como, a certa altura, a própria faz questão de mencionar - e afirmando-se como a monarca toda poderosa que a própria História recorda, é capaz de entregar ao espectador não só essa magnificência como principalmente toda a sua fragilidade enquanto uma mulher marcada pelos anos, pela História e, sobretudo, pela perda daqueles que mais amou.
"Abdul", curioso mas distante, dedicado mas sempre no seu lado da barricada, desenvolveu um fascínio por esta mulher que nunca abandonou. Ainda que obrigado a estar sempre do seu lado da porta e nunca interferir na presença de outros, a interpretação de Ali Fazal prima não só pela dignificação da sua personagem sempre ao lado não da mulher nem da monarca mas da amiga que conquistou respeitando, mesmo depois da sua morte, a sua memória. Despojado, por ordem do seguinte Rei (filo de Victoria) dos seus bens (em Inglaterra) e da memória que o poderia ter colocado naquele local, "Abdul" manteve a sua integridade e o seu respeito pela amiga e não, tal como ela, por todo o meio repleto de hipocrisia, lutas e jogos pelo poder ou mesmo interesses que em nada o moviam num espaço que, afinal, também não era o seu.
Ainda que repleto de pequenas grandes sequências sobre as intrigas palacianas ou mesmo da revalidação da imagem da mulher-Raínha, Victoria and Abdul não se centra tanto nestes momentos mas sim naqueles em que a monarca, então afastada da vida tal como ela é, ganhou um novo impulso para apreciar os pequenos prazeres que ainda lhe restavam. Uma conversa, uma descoberta, um conhecimento, uma língua nova ou até mesmo um fruto que nunca provara fazem "Victoria" regressar a uma vida que julgava já não ter... ganhar (ou reclamar) mais uns dias e esperar que todo o seu recente sofrimento pudessem ser dissipados com a presença de alguém que, na realidade, a fez voltar a querer viver.
Longe de um drama assolapada pelos feitos de uma monarca cujo reinado foi - até então - o mais longo da História Britânica, Victoria and Abdul é sim uma história que pretende não só fazer justiça a um vulto esquecido da História como também expôr - ainda que de forma pouco acentuada - o equilíbrio encontrado nas diferenças que, em vez de separar e dividir, aproximam as pessoas sedentas de conhecimento, de descobrir e principalmente de fazer renascer a curiosidade de encontrar semelhanças ou pontos de interesse no "outro" pois, afinal, quando analisadas todas características dessa "diferença"... existirão assim tantos opostos ou serão as semelhanças que, no fundo, fazem aproximar e despertar a tolerância?
Mais espaçado no que diz respeito à congruência da história aqui contada como pequenos factos ou relatos dos últimos dias da raínha do que aquilo que se fazia sentir com Mrs. Brown, Victoria and Abdul não deixa de ser mais um estimulante desafio colocado a Judi Dench que, uma vez mais, faz vibrar com a sua presença impondo-se tal como ela é... uma verdadeira lenda que prende o espectador cativando-o desde o primeiro instante. O espectador sente a sua força, a sua determinação e o seu empenho a dignificar um vulto mesmo na sua queda física e, em diversos momentos, até mesmo emocional. Não será a obra mais de Dench... mas mente quem não sente um certo prazer em ver a dramatização da sua personagem e aproximar-se dela nas suas falhas, incertezas e até mesmo defeitos de alguém que sabe já não agradar... não querer agradar... e que simplesmente decidiu que os seus últimos passos serão dados como ela quer... e não como o mundo (neste caso a corte) espera que ela os dê.
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7 / 10
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European Film Awards 2017: os nomeados

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Foram há momentos divulgados a partir do Festival de Cinema de Sevilha os nomeados há trigésima edição dos EFA - European Film Awards atribuídos anualmente pela Academia Europeia de Cinema.
São os nomeados:
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Melhor Filme
120 Battements par Minute, de Robin Campillo
Nelyubov, de Andrey Zvyagintsev
The Square, de Ruben Östlund
Teströl és Lélekröl, de Ildiko Enyedi
Toivon Tuolla Puolen, de Aki Kaurismäki
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European Discovery/Prix FIPRESCI
Bezbog, de Ralitza Petrova
Die Einsiedler, de Ronny Trocker
Estiu 1993, de Carla Simón
Lady Macbeth, de William Oldroyd
Petit Paysan, de Hubert Charuel
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Melhor Documentário
Austerlitz, de Sergei Loznitsa
La Chana, de Lucija Stojevic
The Good Postman, de Tonislav Hristov
Komunia, de Anna Zamecka
Stranger in Paradise, de Guido Hendrikx
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Melhor Comédia
King of the Belgians, de Jessica Woodworth e Peter Brosens
The Square, de Ruben Östlund
Vincent, de Christophe van Rompaey
Willkommen bei den Hartmanns, de Simon Verhoeven
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Melhor Filme de Animação
Ethel & Ernest, de Roger Mainwood
Louise en Hiver, de Jean-François Laguionie
Loving Vincent, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
Zombillénium, de Arthur de Pins e Alexis Ducord
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Melhor Curta-Metragem
Copa-Loca, de Christos Massalas
Los Desheredados, de Laura Ferrés
En la Boca, de Matteo Gariglio
Fight on a Swedish Beach!!, de Simon Vahlne
Gros Chagrin, de Céline Devaux
Havêrk, de Rûken Tekes
Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes
Information Skies, de Metahaven
Jeunes Hommes à la Fenêtre, de Loukianos Moshonas
Love, de Réka Bucsi
The Party, de Andrea Harkin
Scris/Nescris, de Adrian Silisteanu
Timecode, de Juanjo Giménez
Ugly, de Redbear Easterman e Nikita Diakur
Wannabe, de Jannis Lenz
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Prémio do Público
Bacalaureat, de Cristian Mungiu
Bridget Jones's Baby, de Sharon Maguire
Fantastic Beasts and Where to Find Them, de David Yates
Frantz, de François Ozon
Kollektivet, de Thomas Vinterberg
A Monster Calls, de Juan Antonio Bayona
La Pazza Gioia, de Paolo Virzì
Stefan Zweig: Farewell to Europe, de Maria Schrader
Toivon Tuolla Puolen, de Aki Kaurismäki
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Melhor Realizador
Yorgos Lanthimos, The Killing of a Sacred Deer
Andrey Zvyagintsev, Nelyubov
Ruben Östlund, The Square
Ildiko Enyedi, Teströl és Lélekröl
Aki Kaurismäki, Toivon Tuolla Puolen
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Melhor Actor
Claes Bang, The Square
Colin Farrell, The Killing of a Sacred Deer
Josef Hader, Vor der Morgenröte
Nahuel Pérez Biscayart, 120 Battements par Minute
Jean-Louis Trintignant, Happy End
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Melhor Actriz
Paula Beer, Frantz
Juliette Binoche, Un Beau Soleil Intérieur
Alexandra Borbély, Teströl és Lélekröl
Isabelle Huppert, Happy End
Florence Pugh, Lady Macbeth
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Melhor Argumento
François Ozon, Frantz
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou, The Killing of a Sacred Deer
Oleg Negin e Andrey Zvyagintsev, Nelyubov
Ruben Östlund, The Square
Ildikó Enyedi, Teströl és Lélekröl
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Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 6 de Dezembro, numa cerimónia a realizar em Berlim, na Alemanha.
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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

William Frye

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1921 - 2017
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Kidnap (2017)

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Rapto de Luis Prieto é uma longa-metragem norte-americana e a mais recente obra de Halle Berry aqui como Karla, uma mulher que vê o seu filho raptado por dois estranhos sendo que, de seguida, os persegue na tentativa de recuperar Frankie (Sage Correa), o seu filho.
O argumento de Knate Lee não foge à premissa de tantas outras obras do género. O espectador encontra aqui uma mãe solteira, com um trabalho precário e que passa os seus dias na tentativa de dar uma vida digna ao seu filho e impedir que o pai obtenha a custódia total do mesmo. No fundo, encontramos aqui a vítima perfeita quer da sociedade quer de todo o tipo de marginais que queiram ganhar a vida à custa de golpes macabros e redes de tráfico de menores para destinos incertos e futuros improváveis, deixando para trás todo um rasto de destruição emocional caso os seus propósitos saiam vencedores. No entanto, e contrariando talvez o tradicional comportamento da vítima, aqui "Karla" decide, de forma impulsiva, tomar o controle sobre o seu destino bem como o do seu filho.
Num estilo de road movie repleto de acção e perseguições por vezes alucinantes, "Karla" é uma mulher condicionada no seu próprio espaço. Refém da vontade de dois raptores cuja vontade é sempre incerta e limitada pela falta de comunicabilidade dentro do veículo após ter perdido o seu telemóvel através do qual poderia ter pedido auxílio, esta mulher decide abandonar a perspectiva de vítima transformando-se - involuntariamente - numa caçadora em alta velocidade e não perder de vista o carro onde segue o seu filho conseguindo aqui aquele que é, eventualmente, o elemento potencialmente diferenciador desta história em relação às demais do género.
Através de toda uma história a um relativo frenético passo - à excepção do segmento inicial onde se fica a conhecer aquela que é a vida de "Karla" presa a um trabalho que garante a sua sobrevivências mas que, ao mesmo tempo, a remete a uma vida de abusos profissionais - Kidnap é assim aquele filme de acção cuja história é já conhecida de antemão pelo espectador. Isento de surpresas ou de momentos reveladores - para as personagens ou para os espectadores - Kidnap centra a sua dinâmica na vontade de uma mãe em não desistir de resgatar o seu filho e não se auto-condenar a uma vida de espera na qual as autoridades tomam as rédeas de uma investigação que (tal como (nos) é alertado) remete a busca pela vítima a um conjunto de fotografias na parede que nunca irão resultar em grandes conclusões. Numa situação em que a vítima se pode perder ou na qual pode ser capturada por aquela com quem tem a sua maior ligação, Kidnap é assim o relato de uma mãe que não desiste independentemente de todas as adversidades com que depara.
Halle Berry enquanto actriz - e aqui também produtora - é o nome e figura central de toda esta história. Todos os demais actores são meros acessórios para a promoção de uma única personagem interpretada por si mas que, rodeada de frases cliché e lugares comuns por todo o argumento, não consegue manter a dinâmica de uma personagem que se quer dramática ou de um filme de acção suficientemente relativo e que promova a sua personagem e o seu trabalho mantendo-se, na sua quase totalidade, um daqueles filmes que pretende misturar o blockbuster com o drama de acção mas que, na realidade, entretém nos seus noventa minutos de duração mas deixa, no final, uma sensação de que poderia ter ido mais longe para lá da acção moderadora de "é isto que se passa pelo mundo relatado pelos mais variados noticiários"... Que os raptos acontecem já nós sabemos... que eles devastam famílias e que, em muitos casos, nunca são resolvidos... também o sabemos. Assim, Berry não encontra aqui "aquele" filme que volte a projectá-la para lá da saga X-Men para o campo das interpretações dramáticas (como seria claramente o objectivo com esta obra), contribuindo apenas para a sua manutenção sob mira do espectador que quer a sua presença no grande ecrã mas, no entanto, com projectos artisticamente mais complexos e melhor elaborados do que o thriller tradicional onde, no fundo, qualquer actor poderia participar sem grandes problemas a nível de construção de personagem - que, também a sua "Karla" não desenvolve emocionalmente o suficiente para lá do expectável.
Com um ou outro segmentos melhor desenvolvidos e uns secundários - os raptores claro está - que poderiam ter uma maior profundidade (independentemente das suas motivações claramente direccionadas para o enriquecimento ilícito), Kidnap é um regular filme de acção, medianamente estruturado para cumprir os seus propósitos mas que, na realidade, pouco mais além vai do que um simpático thriller.
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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Fugiu. Deitou-se. Caí. (2017)

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Fugiu. Deitou-se. Caí. de Bruno Carnide é uma curta-metragem portuguesa de ficção recentemente estreada no Chelsea Film Festival, em Nova York.
Uma jovem mulher (pela voz de Cátia Biscaia), reflecte sobre a sua existência e relações no seio de uma família disfuncional na qual cresceu e se desenvolveu enquanto mulher que hoje é.
À semelhança de Calou-se. Saiu. Saltei., Fugiu. Deitou-se. Caí. reflecte sobre uma violência, Uma violência auto-infligida na medida em que a protagonista revela (ao espectador) os seus pensamentos mas íntimos sobre a perda e a separação psicológica para com aquele com quem partilhou mais de perto o seu espaço; o pai. Perda essa que lentamente também se assumia como física distanciando os dois apesar de partilharem um mesmo espaço.
Tal como em Calou-se. Saiu. Saltei. também esta curta-metragem está dividida em três segmentos distintos sendo que, no entanto, estes não dispersam por outras personagens que não pai e filha remetendo-se exclusivamente para a perspectiva desta sob a relação com o pai e com a solidão que se sente como uma terceira e isolada personagem que condiciona, de certa forma, a sua própria existência.
Em Fugiu., o primeiro desses segmentos dominado pela relação entre pai e filha, o espectador escuta como foi erguida uma parede de silêncios entre os dois. A filha fala sobre a relação indiferente e frígida que dominava a relação entre os seus pais e como a sua (dele) voz a incomoda ao ponto de não o suportar. Num segundo momento - Deitou-se. - existe uma directa relação entre a postura do pai indiferente à vida e a sua (dela) vontade em estabelecer uma nova ligação agora com um namorado com quem, no entanto, não consegue ter um relacionamento próximo. Finalmente em Caí. - o terceiro segmento -, o espectador compreende que é o momento de uma total solidão, aquela que em tempo desejara mas que, nesta sua actualidade, abomina. Com a partida de uma mãe. depois do seu namorado e finalmente do pai, "Ela" procura a ausência desse silêncio que é, agora, a sua condição natural. Ela reconhece aquilo que sempre procurou mas, no entanto, sente desconforto com a presença desta "entidade" que ocupa todo o seu tempo e espaço, toda a sua condição enquanto mulher agora atormentada com a materialização desse "ser" que não a larga.
Da fuga - de uma mãe - ao deitar - de um pai - e à queda - sua -, Fugiu. Deitou-se. Caí. é assim um relato na primeira pessoa de momentos transformadores e potencialmente traumáticos na vida desta jovem mulher. Momentos que a condenaram a uma existência fantasmagórica por uma vida em que, na realidade, nunca sentiu ou chegou a viver mantendo-se apenas áspera e ressentida contra as pessoas e o espaço em que habitava remetendo a sua existência para uma dependência indesejada para com um pai que, de certa forma, a fazia validar a sua própria existência mas, ao mesmo tempo, condenando-o a uma responsabilidade por essa (existência) ser apenas confirmada pela necessidade da sua presença impedindo-a de progredir, fazer ou experimentar aquilo que nos vários momentos da sua vida sentiu vontade.
Ao mesmo tempo, e ainda que podendo qualquer um destes segmentos referir-se ao desaparecimento mental e psicológico dos seus progenitores é, no entanto, o terceiro segmento que permite ao espectador depreender - sem qualquer confirmação - que essa "partida" dos mesmos se deva a uma eventual morte física - afinal, a "fuga" da mãe apesar de não referenciada como tal é de certa forma confirmada pela sua ausência no relato dos seguintes segmentos e o "deitar" do pai que se remete a uma posição post-mortem também fazem crer nesta teoria - deixando o Caí. final antever que, face a uma total solidão no mundo em que então vive, foi factor decisivo para a materialização do seu próprio fim como que validando toda a indiferença para com a sua própria vida.
À semelhança do que acontecera com o argumento de Paulo Kellerman em Calou-se. Saiu. Saltei., também em Fugiu. Deitou-se. Caí. sem mantém presente uma certa ideia de violência sendo que nesta última esta se manifesta não na dinâmica das relações entre diversas personagens mas sim naquela que uma única personagem - a jovem mulher - se inflige como manifestação do seu desagrado para com o pai e para com o espaço a que sente estar condicionada.
Muito à semelhança do que acontece com Persona (1966), de Ingmar Bergman na qual o espectador parece viver na primeira pessoa as sensações e emoções relatadas pelas duas personagens principais interpretadas por Bibi Andersson e Liv Ullmann, também nestas duas curtas-metragens de Bruno Carnide, que se complementam de uma estranha forma e que funcionam como um diário de confissões das suas personagens é em Fugiu. Deitou-se. Caí., que o espectador retém (e vive) um desconcertante estado de espírito vivido por esta jovem mulher que, aparentemente, passou pela vida de forma anónima junto daqueles que deveriam ser o seu grupo primário onde estabeleceria a sua auto-confiança deixando-se, no entanto, levar por uma inicial empatia para com a relação desgastada e terminada de um casal - seus pais - em completa rumo de separação e abandono sentimental. Assim, Fugiu. Deitou-se. Caí. transforma-se no cúmulo de uma relação solitária de uma perdida para os demais e principalmente compreendida como tal e que, em última análise, vê apenas na "queda" a solução final para o conjunto dos seus problemas e, como tal, da sua própria existência.
A direcção de fotografia, também a cargo de Bruno Carnide, volta a funcionar como o registo de uma memória experimentada mas distante. O seu granulado que distancia - do espectador - a percepção de momentos vividos confirma que aquilo que é visto é apenas o distante registo de uma memória, de um tempo e de um espaço passados e o argumento - numa parceria de Carnide, com Cátia Biscaia e António Cova - permitem ao espectador inserir-se mentalmente nesta história/relato e sentir, tal como a sua personagem, o desconcertante desdém sentido por alguém prestes a libertar-se do seu espaço e de tudo aquilo que ele comporta.
Assim, se em Calou-se. Saiu. Saltei. (2014) existia uma violência mútua entre personagens que co-habitavam uma mesma experiência, em Fugiu. Deitou-se. Caí. essa violência regista-se na amargura de uma única personagem e na violência psicológica que se auto infligiu. Sobre Bruno Carnide enquanto contador de histórias fica aqui - uma vez mais - o registo de uma forte e madura visão de alguém capaz de contar a violência (gráfica) de forma tranquilamente assustadora e genialmente construída com o recurso a imagens que se assemelham a breves sopros de uma memória uma vez tida.
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British Independent Film Awards 2017: os nomeados

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Foram ontem divulgados os nomeados aos BIFA - British Independent Film Awards atribuídos anualmente no Reino Unido, destacando Lady Macbeth, de William Oldroyd como o mais nomeado do ano.
São os nomeados:
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Melhor Filme Independente Britânico
The Death of Stalin
, de Armando Iannucci
God’s Own Country, de Francis Lee
I Am Not a Witch, de Rungano Nyoni
Lady Macbeth, de William Oldroyd
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh
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Melhor Filme Independente Internacional
The Florida Project, de Sean Baker (EUA)
Get Out, de Jordan Peele (EUA)
I Am Not Your Negro, de Raoul Peck (EUA)
Nelyubov, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
The Square, de Ruben Östlund (Suécia)
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Melhor Documentário
Almost Heaven, de Carol Salter
Half Way, de Daisy-May Hudson
Kingdom of Us, de Lucy Cohen
Uncle Howard, de Aaron Brookner
Williams, de Morgan Matthews
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The Discovery Award 
Even When I Fall, de Kate McLarnon e Sky Neal
Halfway, de Daisy-May Hudson
In Another Life, de Jason Wingard
Isolani, de R. Paul Wilson
My Pure Land, de Sarmad Masud
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Melhor Curta-Metragem Britânica
1745, de Gordon Napier
Fish Story, de Charlie Lyne
The Entertainer, de Jonathan Schey
Work, de Aneil Karia
Wren Boys, de Harry Lighton
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Melhor Realizador
Armando Iannucci, The Death of Stalin
Francis Lee, God’s Own Country
Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Rungano Nyoni, I Am Not a Witch
William Oldroyd, Lady Macbeth
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The Douglas Hickox Award - Realizador Revelação
Deborah Haywood, Pin Cushion
Francis Lee, God’s Own Country
Thomas Napper, Jawbone
Rungani Nyoni, I Am Not a Witch
William Oldroyd, Lady Macbeth
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Melhor Actor
Jamie Bell, Film Stars Don’t Die in Liverpool
Paddy Considine, Journeyman
Johnny Harris, Jawbone
Josh O’Connor, God’s Own Country
Alec Secareanu, God’s Own Country
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Melhor Actriz
Emily Beecham, Daphne
Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Margaret Mulubwa, I Am Not a Witch
Florence Pugh, Lady Macbeth
Ruth Wilson, Dark River
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Melhor Actor Secundário
Simon Russell Beale, The Death of Stalin
Steve Buscemi, The Death of Stalin
Woody Harrelson, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Ian Hart, God’s Own Country
Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
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Melhor Actriz Secundária
Naomi Ackie, Lady Macbeth
Patricia Clarkson, The Party
Kelly MacDonald, Goodbye Christopher Robin
Andrea Riseborough, The Death of Stalin
Julie Walters, Film Stars Don’t Die in Liverpool
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Intérprete Revelação
Naomi Ackie, Lady Macbeth
Harry Gilby, Just Charlie
Cosmo Jarvis, Lady Macbeth
Harry Michell, Chubby Funny
Lily Newmark, Pin Cushion
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Melhor Argumento
Alice Birch, Lady Macbeth
Armando Iannucci, David Schneider e Ian Martin, The Death of Stalin
Francis Lee, God’s Own Country
Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Rungano Nyoni, I Am Not a Witch
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Argumentista Revelação
Alice Birch, Lady Macbeth
Gaby Chiappe, Their Finest
Johnny Harris, Jawbone
Francis Lee, God’s Own Country
Rungani Nyoni, I Am Not a Witch
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Produtor Revelação
Gavin Humphries, Pin Cushion
Emily Morgan, I Am Not a Witch
Brendan Mullin e Katy Jackson, Bad Day For The Cut
Fodhla Cronin O’Reilly, Lady Macbeth
Jack Tarling e Manon Ardisson, God’s Own Country
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Melhor Montagem
Johnny Burke, Williams
David Charap, Jawbone
Jon Gregory, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Peter Lambert, The Death of Stalin
Joe Martin, Us And Them
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Melhor Fotografia
Ben Davis, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
David Gallego, I Am Not a Witch
Tat Radcliffe, Jawbone
Thomas Riedelsheimer, Leaning Into the Wind
Ari Wegner, Lady Macbeth
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Melhor Música
Carter Burwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Fred Frith, Leaning Into the Wind
Matt Kelly, I Am Not a Witch
Paul Weller, Jawbone
Christopher Willis, The Death of Stalin
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Melhor Som
Anna Bertmark, God’s Own Country
Maiken Hansen, I Am Not a Witch
Andy Shelley e Steve Griffiths, Jawbone
Joakim Sundström, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Breathe
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Melhor Casting
Shaheen Baig, Lady Macbeth
Shaheen Baig e layla Merrick-Wolf, God’s Own Country
Sarah Crowe, The Death of Stalin
Sarah Halley Finn, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Debbie McWilliams, Film Stars Don’t Die in Liverpool
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Melhor Design de Produção
Jacqueline Abrahams, Lady Macbeth
Cristina Casali, The Death of Stalin
James Merifield, Final Portrait
Nathan Parker, I Am Not a Witch
Eve Stewart, Film Stars Don’t Die in Liverpool
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Melhor Guarda-Roupa
Dinah Collin, My Cousin Rachel
Suzie Harman, The Death of Stalin
Sandy Powell, How to Talk to Girls at Parties
Holly Rebecca, I Am Not a Witch
Holly Waddington, Lady Macbeth
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Melhor Caracterização
Julene Paton, I Am Not a Witch
Jan Sewell, Breathe
Nadia Stacey, Journeyman
Nicole Stafford, The Death of Stalin
Sian Wilson, Lady Macbeth
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Melhores Efeitos
Nick Allder e Ben White, The Ritual
Luke Dodd, Journeyman
The Death of Stalin
Dan Martin, Double Date
Chris Reynolds, Their Finest
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Pablo Cedrón

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1958 - 2017
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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jigsaw (2017)

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Jigsaw: O Legado de Saw de Michael Spierig e Peter Spierig é uma longa-metragem norte-americana e a mais recente entrega da saga Saw, de James Wan iniciada em 2004 e cujo título precedente fora Saw 3D: The Final Chapter (2010), de Kevin Greutert.
Dez anos depois da morte de John "Jigsaw" Kramer (Tobin Bell), vários são os corpos que começam a aparecer pela cidade com a marca do assassino e, à medida que a investigação se acentua, todas as pistas parecem indicar que Jigsaw ainda está vivo.
Pete Goldfinger e Josh Stolberg escrevem o argumento deste Jigsaw recuperando, sete anos depois, alguma da tensão sentida com as histórias do famoso assassino cinematográfico com desfechos normalmente surpreendentes e inesperados. Aqui, tudo começa como uma perseguição policial de um vulgar criminoso que, para o espectador, será o "gatilho" da o início de mais uma história repleta de reviravoltas e presunção de uma culpabilidade anunciada que, no entanto, pode nem sempre estar direccionada para o verdadeiro responsável de mais uma (esta) onda de bizarros assassinatos.
Invariavelmente semelhante aos títulos anteriores, com a devida excepção ao título original que começou toda esta saga e que se revelou uma obra referência no género pela sua originalidade e surpresa, este Jigsaw apresenta a fórmula já conhecida onde o labirinto de terror apresentado ao espectador é enriquecido com um conjunto de momentos já conhecidos do espectador onde o agressor é transformado numa improvável vítima às mãos de "Jigsaw" mas, ao mesmo tempo, reside nos seus actos a compreensão de uma culpa não assumida. "Jigsaw" está de volta e mais impiedoso que nunca.
No entanto, este argumento deixa no espectador que segue esta saga, uma dúvida constante. Se "Jigsaw" morreu dez anos antes, quem poderá estar por detrás destes assassinatos? Um fã?!... Terá ele realmente falecido?!... Estará novamente a autoridade por detrás deste revivalismo da sua obra?!... Numa rota pela penitência das suas "vítimas", Jigsaw cruza memórias passadas da saga, um ritual de bárbara tortura e, no fundo, firma este capítulo como a transição entre as obras passadas e todo um futuro incerto para o assassino "Jigsaw" ou a sua personificação por entre os seus (percebemos) inúmeros discípulos.
Assim, incerto que permanece o espectador até ao último instante onde confirma as suas certezas ou esclarece as suas dúvidas, Jigsaw é, no fundo, aquele capítulo intermédio que apresenta as personagens futuras. Uma história que não fazendo transparecer grande novidade para o espectador consegue, no entanto, cativá-lo pela essência mórbida que cruza todas estas histórias e manter-se como uma entrega fiel ao género - ainda que algo repetitiva -, potencialmente mais elaborada nos cenários recriados mas essencialmente uma repetição de uma fórmula que precisa urgentemente renovar-se para que não se mantenha num registo "mais do mesmo" ao final de tantos anos (por muito que a mesma venda junto do público...).
Alheio a qualquer registo que o marque pela diferença cumprindo, no entanto, os requisitos mínimos para se assumir como um fiel da saga... sendo um filme com algum suspense e surpresa mas, ainda assim... pouco mais vai para lá do seu imediato resultado pós visionamento na sala de cinema. Jigsaw - ou um informal Saw VIII - continua a referida temática da punição pela ausência de compreensão e responsabilização da culpa ou, mais concretamente, a punição daqueles que sabem ter cometido um crime que provocou a desgraça de outros... e continuam a viver como isentos de uma responsabilidade moral que os vincula ao crime.
"Jigsaw" não perdoa... mas Jigsaw precisa rapidamente de se inovar.
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Porto (2016)

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Porto de Gabe Klinger é uma longa-metragem portuguesa em co-produção franco-americano-polaca que através de um argumento de Larry Gross em parceria com o realizador conta uma história de amor tendo a cidade homónima como pano de fundo.
Jake (Anton Yelchin) e Mati (Lucie Lucas) são dois estrangeiros na cidade do Porto. Um olhar que se cruzou permitiu-lhes passar uma breve noite de paixão que ficaria para sempre guardada nas suas memórias.
Gross e Klinger deram corpo a uma história de amor que, cinematograficamente falando e não só, é intemporal. Quão válido - ou validado - poderá ser um amor que apenas foi consumado uma única noite tendo os seus intervenientes perdido o contacto entre si transformando-se naquilo que sempre foram... dois estranhos!
Dividido em três momentos específicos, Porto começa por apresentar ao espectador aquele breve instante em que os olhares de "Jake" e "Mati" se cruzaram. Da cumplicidade imediata para, de seguida, revelar um pouco de "Jake", Porto segue para um longo segmento sobre ele e sobre as suas memórias daquele que poderá ter sido o momento mais significativo de toda a sua vida e no qual sentiu, pela primeira vez, uma sentida ligação sentimental com outra pessoa. "Jake" vive da memória enquanto caminha pela cidade. O espectador observa-o e compreende-o como alguém acabado e que se deixou consumir pela perda. A vida - desde "Mati" - perdeu todo o significado e as memórias, que guarda com afecto e significado, mais contribuem para uma certa decadência emocional que fisicamente o transformam num rosto (e num corpo) acabado. Da rotina numa cidade estranha onde se refugiou a um quarto onde parece conter os seus poucos pertences, a vida passa por ele consumido nas recordações perdidas daquilo que poderia ter sido - em tempos - o momento perfeito de uma vida sem significado.
Da sua dependência ao afastamento consequente de "Mati", o espectador entra então pelo segundo segmento de Porto dedicado à perspectiva dela sobre os acontecimentos. Anos depois, já com uma filha de "João" (Paulo Calatré), "Mati" revela a sua insatisfação e a sua condição de um silêncio desesperante incerta sobre a possibilidade de uma vida a dois. Será ela mais ou menos válida se se mantiver indefinidamente solitária?!
Já com o conhecimento dos instantes em que se conheceram, o espectador é então apresentado ao primeiro instante em que se cruzaram na escavação arqueológica em que ela o viu. Do acaso aos vários acasos que os juntaram naquele café em que os observamos a trocarem as primeiras palavras, é então que ficamos a conhecer os seus percursos antes de um Porto como ponto de encontro. Errantes, libertos e com um intenso desejo de poder criar algum laço afectivo e sentimental digno de registo, é também essa mesma necessidade que os acaba por afastar. Enquanto "Mati" vive uma aparente recuperação emocional, "Jake" denota uma imperativa necessidade de se sentir pertença de alguém que pode, naquele momento, não corresponder aos seus desejos.
Ambos, no "fecho" destes dois segmentos iniciais, demonstram um reviver e revisitar das suas memórias. Memórias que o espectador presume serem saudosas e desejadas num tempo impossível - o presente - onde a perda se afirmou como o resultado directo das suas escolhas mais ou menos voluntárias.
É então que em "Mati e Jake" o espectador conhece todo o percurso do Ceuta Caffé até à primeira e única noite de paixão que seria (no futuro) alvo da recordação de ambos. Do sexo a uma cumplicidade aparente, do primeiro "amo-te" à sua retribuição, da convicção de um sentimento à certeza da sua duplicidade, Porto celebra portanto a simplicidade e a complexidade de um amor privado de julgamentos, mas repleto de apatia e loucura que o confirmam como certo.
Klinger filma portanto as memórias e as consequências de um tempo passado. Como um simples dias consegue caracterizar todo um futuro porvir, demonstrando no mesmo a capacidade que teve de o influenciar, desde as suas escolhas aos seus aparentes resultados. Como um caminho e uma decisão puderam, e conseguiram, alterar toda uma vida não só marcada pelo mais forte dos sentimentos algumas vez experimentados mas que, pela recusa da sua aceitação, comprometeu todo um futuro então transformado. Da saudade desse passado - sentimento tão português aqui sentido por estes dois estrangeiros que, na sua própria língua, não possuem a palavra - à compreensão do que poderia ter sido se ambos estivessem preparados para se "encontrarem" num terreno neutro que oscilava entre a menor dependência - dele - e a vontade de uma total entrega e compreender a felicidade - dela - podendo, dessa forma, construir algo que agora, na memória de ambos, não foi mais do que uma noite efémera.
O amor, simples ou complexo, encontra uma componente melancólica na direcção de fotografia de Wyatt Garfield que transforma a beleza da cidade do Porto e o par que nela vive, em três seres - eles e a cidade - incapazes de viver uma vida completa, os primeiros pela ausência de um caminho comum e a última por não se consumar como a cidade daquele amor. Aliás, não fosse a certeza da produção de Porto por Jim Jarmusch que o espectador iria obrigatoriamente recordar um já ido Only Lovers Left Alive (2013) que coloca o par protagonista como automaticamente dependente de um sentimento e de uma cidade que para lá de observadora presente da sua relação é, na mesma (relação), um seu directo participante. Mais, a fugaz mas intensa relação de "Jake" e de "Mati" em muito se assemelha àquela tida por "Adam" e "Eve" de Tom Hiddleston e Tilda Swinton que vivem numa dependência ausente necessitando da certeza da existência do "outro" mas, ao mesmo tempo, sem com ele partilhar muito do sentimento nutrido. Como que numa eterna depressão - menos longa que a de "Adam" e "Eve" - Porto celebra então a potencialidade desse amor sem que o mesmo alguma vez ganhe "vida" e a tal confirmação que seria de esperar (para o espectador).
Sem finais felizes, Porto é portanto a confirmação desse amor - ou do seu potencial - pela memória e pelas recordações de uma noite, do espaço, dos lugares comuns e partilhados mas sobretudo pela certeza de que o fim - esse pena presente - existe de facto.
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sábado, 28 de outubro de 2017

DocLisboa 2017: os vencedores

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Competição Internacional
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme: Milla
, de Valérie Massadian
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: Why is Difficult to Make Films in Kurdistan
, de Ebrû Avci
Prémio Jornal Público / MUBI para Melhor Curta-Metragem: Saule Marceau
, de Juliette Achard
Menção Honrosa: Spell Reel
, de Filipa César
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Competição Portuguesa
Prémio Revelação / Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Obra: Those Shocking Days
, de Selma Doborac
Prémio NOVA FCSH/ Íngreme para Melhor Filme: Vira Chudenko
, de Inês Oliveira
Prémio Kino Sound Studio: À Tarde
, de Pedro Florêncio
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Prémio do Público

Prémio RTP para Melhor Filme Português: Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves
Prémio Escolas / Prémio ETIC para Melhor Filme: I Don't Belong Here
, de Paulo Abreu
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Competição Transversal
Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade: Martírio
, de Vincent Carelli
Menção
Honrosa: Medronho Todos os Dias, de Sílvia Coelho e Paulo Raposo
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago para Melhor Filme falado maioritariamente em português, galego ou crioulo de origem portuguesa: Spell Reel
, de Filipa César
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VERDES ANOS
Prémio FAMU para Melhor Filme: Norley and Norlen
, de Flávio Ferreira
P
rémio Especial Walla Collective: Pesar, de Madalena Rebelo
Prémio Melhor Realizador:
Ana Vijdea, John 746
Prémio Walla Collective para melhor Work in Progress - Arché: Sílvia
, de María Silvia Esteve
Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas para melhor Projecto em Desenvolvimento: Follha 84
, de Catarina Mourão
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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

John Mollo

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1931 - 2017
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