quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Milagre (2011)

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O Milagre de Amadeu Pena da Silva é uma curta-metragem portuguesa que nos relata um instante na vida de Cristo (José Fidalgo), um vendedor ambulante de peixe que sente as dificuldades da vida quando o seu trabalho reflecte os tempos de crise em que vivemos.
No entanto, nesse mesmo dia de venda numa qualquer aldeia perdida do Douro, de seu nome Las Veigas, tem uma revelação quando se cruza com a neta de um dos seus clientes que o confunde com Jesus, facto que o leva a reconsiderar toda a sua vida.
O argumento de Andreia Leandro é perspicaz nos pequenos detalhes que dão a esta curta-metragem uma graça e vida muito próprias, começando logo de imediato pelos nomes e personagens que a povoam. O pescador Cristo, a Irmã Maria (Sandra Barata Belo), um pastor (André Nunes) e como oposto ao lado do "Bem", temos toda uma acção que toma lugar numa aldeia chamada Las Veigas que, como reflexo dos potenciais comportamentos dos seus habitantes poderia ser um qualquer antro de perdição.
Com uma produção fotográfia de Pedro Negrão que merece o devido destaque e que transforma pelas suas luzes (ou ausência delas) este ambiente como se se tratasse de um qualquer lugar perdido no tempo e no espaço e transformando também assim as personagens que o povoam como únicas e, apesar dos seus nomes, não tão inocentes como se poderia inicialmente pensar.
Aqui O Milagre não é só o da multiplicação dos peixes que vão assim alimentar toda uma população carenciada, como também éo de uma inesperada bondade na qual Cristo nunca havia pensado e que ilustra, infelizmente, um dos males maiores da sociedade e dos dias que atravessamos... a pobreza.
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7 / 10
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Assim Falou a Morte (2012)

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Assim Falou a Morte de André Viuvens é uma curta-metragem que se insere no género sobrenatural ao basear o seu argumento, também da autoria do realizador que deveria ter evitado algumas semelhanças muito óbvias com segmentos do Shining, num "encontro" entre a Morte (Viuvens) e Sibyl (Io Franco), uma jovem que aparentemente não ter aproveitado o seu maior bem, a vida, da melhor forma.
Este jogo de gato e de rato entre a Morte e Sibyl não é recente. O seu primeiro encontro data do suicídio do pai de Sibyl, altura em que a jovem começou a recear aquilo que o futuro lhe tinha para apresentar.
O que mais me fascinou neste trabalho foi, logo de imediato, o ambiente que era recriado ao longo das imagens iniciais. Intencional ou não por parte do realizador, lembrei-me de imediato de inúmeros títulos de terror dos anos 70 (principalmente os italianos), em que por muito que a "vítima" tentasse a sua fuga do "predador", nunca conseguia distanciar-se o suficiente dele para se considerar a salvo, criando por um lado uma verdadeira atmosfera de claustrofobia e por outro uma sensação de clausura com a omissão de detalhes circundantes ao espaço onde se encontra a personagem protagonista como verificamos nos momentos em que "Sibyl" tenta escapar sem sucesso.
No entanto, nem tudo é perfeito e a principal falha deste filme prende-se com a excessiva utilização de música durante a curta-metragem e principalmente uma que não contribuiu para a tensão que seria de esperar da mesma fazendo com que, pelo contrário, a acção se disperse um pouco ao longo da mesma. O segundo aspecto menos positivo deste filme é a captação de som que, directamente relacionado com o anteriormente mencionado, em nada contribuem para a dinamização da tensão que este trabalho consegue, a meio gás, recriar.
Apesar das falhas óbvias, esta curta-metragem não deixa de ser interessante não só pela temática como principalmente com a atmosfera que dela consegue recriar.
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6 / 10
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6ª Festa do Cinema Italiano

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Começam os preparativos para a Festa do Cinema Italiano. De regresso a Lisboa entre os dias 20 e 28 de Março e desta vez com novidades que transportam o evento para uma das mais nobres salas de cinema da capital, o Cinema São Jorge, e ainda para o Teatro do Bairro, a Festa do Cinema Italiano estará ainda presente nas cidades de Coimbra (2 a 5 de Abril), Porto (4 a 7 de Abril), Funchal (11 a 14 de Abril) estendendo-se ainda a Angola, para a cidade de Luanda (6 a 9 de Junho).
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Yuki & Nina (2009)

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Yuki & Nina de Hippolyte Girardot e Nobuhiro Suwa, que também assinam o argumento, é uma longa-metragem francesa que nos conta a história de duas amigas. Por um lado temos Yuki (Noë Sampy) e sempre do seu lado temos Nina (Arielle Moutel). Quando Yuki descobre que os seus pais se estão a separar tenta em vão reunir o casal através dos seus inocentes actos sempre assistidos pela sua amiga.
Quando o mundo dos adultos parece totalmente transformado deixando assim de fazer o pouco sentido que fazia, o melhor escape que estas duas amigas encontram é o refúgio que têm nas suas pequenas brincadeiras e, principalmente, na sua genuína amizade.
Pouca "trama" ou inuendos alternativos existem neste filme e, a existirem, prendem-se sempre com as (re)acções e comportamentos da jovem dupla que tudo faz numa primeira fase para juntar novamente os pais de uma dela e finalmente como forma de escape a algo que não compreendem.
A mudança radical de vida que "Yuki" irá ter fazem-na tentar descobrir um pouco mais sobre o mundo que irá conhecer e que foi, até então, algo distante e longinquo do qual pouco ou nada compreendia. A novidade da sua situação é total mas, tendo isso em consideração, a sua jovem idade impedem-na de o ver como algo mau mas sim uma transformação que ainda não compreende.
Como referi, pouco neste filme existe para além desta "linha" que conduz esta jovem desde o momento em que descobre que os seus pais se irão separar até à sua nova vida no Japão. Saem reforçados os laços de amizade com a sua amiga, com o seu pai que lhe assume eterna dedicação e são, claro, criados novos com as novas amizades que irá estabelecer no seu novo país.
Simpático e com alguns momentos "familiares" não consegue, no entanto, transformar-se naquele filme sobre a infância que nós desejamos a certo ponto que ele seja.
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6 / 10
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Screen Actors Guild Awards 2013: os vencedores

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ELENCO: Argo
ACTOR: Daniel Day-Lewis, Lincoln
ACTRIZ: Jennifer Lawrence, Silver Linings Playbook
ACTOR SECUNDÁRIO: Tommy Lee Jones, Lincoln
ACTRIZ SECUNDÁRIA: Anne Hathaway, Les Misérables
CARREIRA: Dick Van Dyke
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domingo, 27 de janeiro de 2013

CLAP - Festival de Cinema de Carnide 2013

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Prémio CARNIDE - Melhor Filme: O Rapaz que Ouvia Pássaros, de Inês Rueff e João Seguro
Prémio RESTART - Melhor Fotografia: O Rapaz que Ouvia Pássaros, de Inês Rueff e João Seguro

Prémio NEXTART - Melhor Argumento: O Rapaz que Ouvia Pássaros, de Inês Rueff e João Seguro

Prémio SARDINHA EM LATA - ClapKids: Nos Terra, do Colectivo Fotograma 24 & Alunos da EB1 de Trás-di-Munti, Ilha de Santiago, Cabo Verde

Prémio do Público: Sara, de Miguel Antunes

Melhor Actor: Daniel Viana, em O Rapaz que Ouvia Pássaros

Melhor Actriz: Sara Barros Leitão, em Sara
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L.I.F.E. (2012)

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L.I.F.E. de António Sequeira é uma curta-metragem que reflete sobre o destino e os factos que fazem parte do caminho a percorrer por um indivíduo.
A nível de argumento esta curta não apresenta grandes revelações limitando-se na sua quase totalidade a um conjunto de clichés já pré-fabricados por outro conjunto extenso se trabalhos que se fundam na premissa do "e se...".
Vale apenas como trabalho experimental para um realizador que poderá (?) esta a começar a dar os primeiros passos na área mas, para além disso, é um trabalho dispensável e já visto.
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1 / 10
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Shortcutz Berlin 2013: os nomeados

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MELHOR CURTA DO ANO
DAS HEIMWEH DER FELDFORSCHER, de Robert Gwisdek
MPU, de Robert Bohrer
SCHWARZ WEIß DEUTSCH, de Nico Sommer
GESCHWISTER, de Joya Thome
1949, de Paul Florian Müller
HALTLOS, de Tim Dünschede
DER WECHSELBALG, de Maria Steinmtz
ZWEI MÄNNER UND EIN TISCH, de Ester Amrami
GRÜNE OLIVEN, de Gisèle Sabina Mbamu
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MELHOR ANIMAÇÃO
DAS HAUS, de David Buob
CAFFEINE, de Danae Diaz
WANDERND HAUS VOLL VOGELWASSER, de Veronika Samartseva
DER WECHSELBALG, de Maria Steinmetz
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MELHOR COMÉDIA
MPU, de Robert Bohrer
MEIN SCHATZ, ES TUT MIR SO LEID, de Haik Büchsenschuss
SCHWARZ WEIß DEUTSCH, de Nico Sommer
ZWEI MÄNNER UND EIN TISCH, de Ester Amram
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MELHOR DOCUMENTÁRIO
HEAD ROOM, de Kim Kollmer
WIR STERBEN, de Josephine Link
GEFÜHLT, de Cristoph Miera
WAS FOTOGRAFIEREN WERDEN MUSS, de Irina Linke
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MELHOR CURTA EXPERIMENTAL
CONTROLLED REMOTE, de Boris Seewald
BALKON, de Lars Kreyssig
5 MINUTEN, de Sabrina Karakatsanis
  BAD LUCK CITY, de Aaike Stuart
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MELHOR FOTOGRAFIA
 HALTLOS
WHEN DIE KÜHE GLOCKEN TRAGEN
1949
EIN AUGENBLICK IN MIR
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MELHOR ARGUMENTO
LETZTES LICHT
SCHWARZ WEIß DEUTSCH
1949
HALTLOS
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MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Conrad Oleak, em GESCHWISTER
Marc Teitler, em MISSING
Florian Erlbeck, em EIN AUGENBLICK IN MIR
Gary Marlowe, em 1949
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MELHOR REALIZADOR
Nicholas Tedeschi, por ROOM 7
Tim Dünschede, por HALTLOS
Benjamin Teske, por STILLSTAND
Hendrik Maximilian Schmitt, por FERNGESTEUERT
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MELHOR ACTOR
Axel Hartwig, em MPU
Pit Bukowski, em RETTE SICH WER KANN
Rainer Sellien, em 1949
Klaus Loch, em EIN AUGENBLICK IN MIR
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MELHOR ACTRIZ
Ava von Düsterlho, em MPU
Katrin Bühring, em ROOM 7
Michaela Wiebusch, em HALTLOS
  Monika John, em iOMA
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MELHOR CURTA-METRAGEM DE BERLIM
GABRIEL, de Alice Cugusi
NÄCHSTER HALT, de Mathias Luna
H28LV, de E. Foteinou, L. Hoffman, L. Snoek e S. Morey
ZWEI MÄNNER UND EIN TISCH, de Ester Amrami
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sábado, 26 de janeiro de 2013

Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau (2013)

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Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau de Mauro Viegas é uma curta-metragem portuguesa que nos tráz de volta um interessante e por vezes esquecido assunto como é o perigo que se esconde por "detrás" de um computador, mais concrectamente sobre os perigos que muitas jovens crianças enfrentam com as redes sociais às quais qualquer um pode aceder.
Esta curta faz assim uma interessante nova abordagem ao conto dos Irmãos Grimm transportando-o para uma tão assustadora realidade que infelizmente é muitas vezes esquecida e que deixa vulneráveis tantos jovens que por ignorância ou ingenuidade esquecem que do outro lado de um ecrã está alguém que pode estar, de facto, um Lobo Mau à espreita e à espera do seu primeiro deslize, mostrando assim que o terror, o verdadeiro terror, pode estar escondido sob um manto da mais pura inocência.
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7 / 10
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Saam Gwok Dzi Gin Lung se Gap (2008)

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Os Três Reinos: O Renascer do Dragão de Daniel Lee é uma longa-metragem de produção asiática que nos conta a história de Zhao (Andy Lau), um homem de origens modestas e que vindo de uma terra devastada por uma prolongada guerra civil consegue através dos seus heróicos actos militares não só ascender aos mais altos cargos no exército como tornar-se ele próprio numa lenda perante os seus aliados como também perante a população.
É quando se percebe que a aparentemente interminável guerra só poderá ter um fim com a derrota dos chefes revoltosos que Zhao, então já de uma idade avançada, se tornará definitivamente no símbolo que todos reconhecem.
Se a nível de interpretações este filme não é essencialmente rico, pelo contrário e há excepção de uma sempre magnífica Maggie Q. os demais intérpretes demonstram uma quase inexistente compreensão das motivações e do "espírito" da personagem que incorporam limitando-se na sua quase totalidade a entregar uma abordagem muito ao estilo das artes marciais, não deixa de ser igualmente verdade que nestas produções históricas asiáticas os seus aspectos técnicos são no mínimo surpreendentes e deslumbrantes. Os cenários naturais de uma China de há séculos atrás não deverão ser dificeis de encontrar num país tão gigante, e o mesmo se poderá dizer no conjunto admirável de figurantes que este tipo de produção consegue reunir naquele país. A grandiosidade do filme está assim, quase sempre garantida e visualmente este é rico ao ponto de nos conseguir abstrair em diversas ocasiões da história propriamente dita. Se por um lado este aspecto poderia ser suficiente para nos fazer rever o filme, não deixa de ser verdade que na prática aquilo que de pouco retiramos da mesma não nos motiva para o rever.
No entanto, e seguindo o referido no parágrafo anterior há ainda que reconhecer a qualidade artística do mesmo. Vamos pôr de parte por momentos (ou na totalidade até) as inúmeras acrobacias que preenchem este filme. Vamos "fazer de conta" que elas não existem em nenhuma ocasião... Concentremo-nos em aspectos que dão a este filme, e a outros do género, a tal referida riqueza visual... O guarda-roupa da autoria de Thomas Chong que tanto em cenário de guerra como nos ricos conjuntos a que Maggie Q. dá "forma", demonstram ser uma das componentes mais importantes do filme, bem como a fotografia de Tony Cheung que graças aos seus tons esbatidos e uma grande ausência de luz e cor dão vida a uma paisagem natural que ilustra a devastação da guerra sem que sejam necessárias visualizações de uma qualquer destruíção. Esta assume-se pela ausência de um cenário "man-made" que reflecte sobre o afastamento da civilização ou de espaços que glorifiquem a acção e obra do Homem.
Este filme é essencialmente para apreciadores do género ou da filmografia asiática que sendo tecnicamente rica e muito "visual" tem neste estilo de produção ainda um caminho longo para percorrer para um espectador dito "ocidental" mais distante desta realidade, heróis ou mitos, sendo assim um filme feito essencialmente para o espectador asiático que consegue identificar-se com os mesmos.
Interessante é sendo que, no entanto, a sua história deveria ser mais trabalhada para cativar uma audiência mais vasta. Isto dito, com a clara consciência de que um público chinês é vasto o suficiente.
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5 / 10
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Césars 2013: os nomeados

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FILME
LES ADIEUX À LA REINE, Jean-Pierre Guérin, Kristina Larsen (prods.) e Benoit Jacquot (real.)
AMOUR, Margaret Menegoz (prod.) e Michael Haneke (real.)
CAMILLE REDOUBLE, Jean-Louis Livi, Philippe Carcassonne (prods.) e Noémie Lvovsky (real.)
DANS LA MAISON, Eric Altmayer, Nicolas Altmayer (prods.) e François Ozon (real.)
DE ROUILLE ET D'OS, Pascal Caucheteux, Grégoire Sorlat (prods.) e Jacques Audiard (real.)
HOLY MOTORS, Martine Marignac, Maurice Tinchant (prods.) e Leos Carax (real.)
LE PRÉNOM, Dimitri Rassam, Jérôme Seydoux (prods.) e Matthieu Delaporte, Alexandre de la Patellière (reals.)
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PRIMEIRA-OBRA
AUGUSTINE, Alice Winocour (real.) e Isabelle Madelaine, Émilie Tisné (prods.)
COMME DES FRÈRES, Hugo Gélin (real.) e Danièle Delorme, Laetitia Galitzine, Hugo Gélin (prods.)
LOUISE WIMMER, Cyril Mennegun (real.) e Bruno Nahon (prod.)
POPULAIRE, Régis Roinsard (real.) e Alain Attal (prod.)
RENGAINE, Rachid Djaïdani (real.) e Anne-Dominique Toussaint, Rachid Djaïdani (prods.)
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REALIZADOR
Benoit Jacquot, LES ADIEUX À LA REINE
Michael Haneke, AMOUR
Noémie Lvovsky, CAMILLE REDOUBLE
François Ozon, DANS LA MAISON
Jacques Audiard, DE ROUILLE ET D'OS
Leos Carax, HOLY MOTORS
Stéphane Brizé, QUELQUES HEURES DE PRINTEMPS
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ACTOR
Jean-Pierre Bacri, CHERCHEZ HORTENSE
Patrick Bruel, LE PRÉNOM
Denis Lavant, HOLY MOTORS
Vincent Lindon, QUELQUES HEURES DE PRINTEMPS
Fabrice Luchini, DANS LA MAISON
Jérémie Renier, CLOCLO
Jean-Louis Trintignant, AMOUR
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ACTRIZ
Marion Cotillard, DE ROUILLE ET D'OS
Catherine Frot, LES SAVEURS DU PALAIS
Noémie Lvovsky, CAMILLE REDOUBLE
Corinne Masiero, LOUISE WIMMER
Emmanuelle Riva, AMOUR
Léa Seydoux, LES ADIEUX À LA REINE
Hélène Vincent, QUELQUES HEURES DE PRINTEMPS
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ACTOR SECUNDÁRIO
Guillaume de Tonquedec, LE PRÉNOM
Samir Guesmi, CAMILLE REDOUBLE
Benoît Magimel, CLOCLO
Claude Rich, CHERCHEZ HORTENSE
Michel Vuillermoz, CAMILLE REDOUBLE
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Valérie Benguigui, LE PRÉNOM
Judith Chemla, CAMILLE REDOUBLE
Isabelle Huppert, AMOUR
Yolande Moreau, CAMILLE REDOUBLE
Edith Scob, HOLY MOTORS
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REVELAÇÃO MASCULINA
Félix Moati, TÉLÉ GAUCHO
Kacey Mottet Klein, L'ENFANT D'EN HAUT
Pierre Niney, COMME DES FRÈRES
Matthias Schoenaerts, DE ROUILLE ET D'OS
Ernst Umhauer, DANS LA MAISON
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REVELAÇÃO FEMININA
Alice de Lencquesaing, AU GALOP
Lola Dewaere, MINCE ALORS !
Julia Faure, CAMILLE REDOUBLE
India Hair, CAMILLE REDOUBLE
Izia Higelin, MAUVAISE FILLE
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ARGUMENTO ORIGINAL
Bruno Podalydès, Denis Podalydès, ADIEU BERTHE OU L'ENTERREMENT DE MÉMÉ
Michael Haneke, AMOUR
Noémie Lvovsky, Florence Seyvos, Maud Ameline, Pierre-Olivier Mattei, CAMILLE REDOUBLE
Leos Carax, HOLY MOTORS
Florence Vignon, Stéphane Brizé, QUELQUES HEURES DE PRINTEMPS
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ARGUMENTO ADAPTADO
Lucas Belvaux, 38 TÉMOINS
Gilles Taurand, Benoit Jacquot, LES ADIEUX À LA REINE
François Ozon, DANS LA MAISON
Jacques Audiard, Thomas Bidegain, DE ROUILLE ET D'OS
Matthieu Delaporte, Alexandre de la Patellière, LE PRÉNOM
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FOTOGRAFIA
Romain Winding, LES ADIEUX À LA REINE
Darius Khondji, AMOUR
Stéphane Fontaine, DE ROUILLE ET D'OS
Caroline Champetier, HOLY MOTORS
Guillaume Schiffman, POPULAIRE
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MÚSICA ORIGINAL
Bruno Coulais, LES ADIEUX À LA REINE
Gaëtan Roussel, Joseph Dahan, CAMILLE REDOUBLE
Philippe Rombi, DANS LA MAISON
Alexandre Desplat, DE ROUILLE ET D'OS
Rob, Emmanuel d'Orlando, POPULAIRE
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GUARDA-ROUPA
Christian Gasc, LES ADIEUX À LA REINE
Pascaline Chavanne, AUGUSTINE
Madeline Fontaine, CAMILLE REDOUBLE
Mimi Lempicka, CLOCLO
Charlotte David, POPULAIRE
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DESIGN DE PRODUCÇÃO
Katia Wyszkop, LES ADIEUX À LA REINE
Jean-Vincent Puzos, AMOUR
Philippe Chiffre, CLOCLO
Florian Sanson, HOLY MOTORS
Sylvie Olivé, POPULAIRE
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MONTAGEM
Luc Barnier, LES ADIEUX À LA REINE
Monika Willi, AMOUR
Annette Dutertre, Michel Klochendler, CAMILLE REDOUBLE
Juliette Welfling, DE ROUILLE ET D'OS
Nelly Quettier, HOLY MOTORS
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SOM
Brigitte Taillandier, Francis Wargnier, Olivier Goinard, LES ADIEUX À LA REINE
Guillaume Sciama, Nadine Muse, Jean-Pierre Laforce, AMOUR
Antoine Deflandre, Germain Boulay, Eric Tisserand, CLOCLO
Brigitte Taillandier, Pascal Villard, Jean-Paul Hurier, DE ROUILLE ET D'OS
Erwan Kerzanet, Josefina Rodriguez, Emmanuel Croset, HOLY MOTORS
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FILME ESTRANGEIRO
À PERDRE LA RAISON, de Joachim Lafosse (Bélgica)
ARGO, de Ben Affleck (EUA)
RUNDSKOP, de Michael R. Roskam (Bélgica)
LAURENCE ANYWAYS, de Xavier Dolan (Canadá)
OSLO, 31. AUGUST, de Joachim Trier (Noruega)
THE ANGELS' SHARE, de Ken Loach (Reino Unido)
EN KONGELIG AFFAERE, de Nikolaj Arcel (Dinamarca)
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FILME DE ANIMAÇÃO
EDMOND ÉTAIT UN ÂNE, Franck Dion (real.) e Francine Langdeau (prod.)
ERNEST ET CÉLESTINE, Benjamin Renner, Vincent Patar, Stéphane Aubier (reals.) e Didier Brunner, Henri Magalon (prods.)
KIRIKOU ET LES HOMMES ET LES FEMMES, Michel Ocelot (real.) e Didier Brunner (prod.)
OH WILLY…, Emma de Swaef, Marc Roels (real.) e Nidia Santiago (prod.)
ZARAFA, Rémi Bezançon, Jean-Christophe Lie (reals.) e Valérie Schermann, Christophe Jankovic (prods.)
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DOCUMENTÁRIO
BOVINES OU LA VRAIE VIE DES VACHES, Emmanuel Gras (real.) e Nicolas Anthomé, Jérémie Jorrand (prods.)
DUCH, LE MAÎTRE DES FORGES DE L'ENFER, Rithy Panh (real.) e Catherine Dussart (prod.)
LES INVISIBLES, Sébastien Lifshitz (real.) e Bruno Nahon (prod.)
JOURNAL DE FRANCE, Claudine Nougaret, Raymond Depardon (reals.) e Claudine Nougaret (prod.)
LES NOUVEAUX CHIENS DE GARDE, Gilles Balbastre, Yannick Kergoat (reals.) e Jacques Kirsner (prod.)
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CURTA-METRAGEM
CE N'EST PAS UN FILM DE COW-BOYS, Benjamin Parent (real.) e David Frenkel, Arno Moria (prods.)
CE QU'IL RESTERA DE NOUS, Vincent Macaigne (real.) e Jean-Christophe Reymond (prod.)
LE CRI DU HOMARD, Nicolas Guiot (real.) e Fabrice Préel-Cléach (prod.)
LES MEUTES, Manuel Schapira (real.) e Jérôme Bleitrach (prod.)
LA VIE PARISIENNE, Vincent Dietschy (real.) e Alain Benguigui, Thomas Verhaeghe, Nicolas Leprêtre (prods.)
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Shortcutz Lisboa 2013: os nomeados

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MELHOR CURTA-METRAGEM
Mariana, de Maria João Carvalho
Catarina e os Outros, de André Badalo
A Dança de Sísifo, de André Lourenço e Paulo Valente
Artur, de Flávio Pires
O Grande Monteleone, de João Leitão
The Headless Nun, de Nuno Sá Pessoa
Les Paysages, de Jerónimo Rocha
O Homem da Cabeça de Papelão, de Pedro Lino e Luís da Matta Almeida
As Bodas, de Carlos Lima
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MELHOR ACTOR
Eduardo Frazão, em Feliz Aniversário
José Pinto, em O Grande Monteleone
Filipe Duarte, em Tejo
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MELHOR ACTRIZ
Custódia Gallego, em Brinca com o Fogo
Vitória Guerra, em Catarina e os Outros
Ana Mafalda, em (In)sanidade
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MELHOR REALIZADOR
André Badalo, Catarina e os Outros
João Leitão, O Grande Monteleone
Pedro Lino e Luís da Matta Almeida, O Homem da Cabeça de Papelão
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MELHOR PRODUÇÃO
Filipa Sereno, A Dança de Sísifo
Cristiana Gaspar, O Milagre
Fernando Ribeiro e Mafalda Castelo-Branco, Artur
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MELHOR ARGUMENTO
Tiago Marques, A Cabine
Eduardo Castro Fonseca, Lovely Lies
João Leitão, O Grande Monteleone
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MELHOR FOTOGRAFIA
Emanuel Magessi, José Pedroso e Patrícia Raposo, Catarina e os Outros
Paulo Segadões, Tejo
Mário Melo Costa, O Grande Monteleone
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MELHOR DIRECÇÃO DE ARTE
Rita Gonçalves, A Dança de Sísifo
Miguel Sequeira, Fratelli
Júlio Alves e Pedro Rocha, Miss Mishima
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MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Marcos Badalo, Catarina e os Outros
Miguel Sá Pessoa e Laurent Filipe, The Headless Nun
Marco Franco, O Grande Monteleone
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MELHOR SOM
Jorge Pacheco e Améba, Tejo
Diogo Tomás, Catarina e os Outros
Ricardo Faneco, A Cabine
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MELHORES EFEITOS VISUAIS
 Tiago Borrões, Aconteceu no Interior
Ricardo Lisboa, A Dança de Sísifo
Rodolfo Silveira, O Princípio do Fim
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MELHOR DOCUMENTÁRIO
Mariana, de Maria João Carvalho
Marraquexe, de Tiago Costa
Transeunte, de Henrique Pina
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MELHOR MONTAGEM
André Gouveia, No Fio da Navalha
Duarte Carvalho, A Cabine
Mário Melo Costa, O Grande Monteleone
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MELHOR ANIMAÇÃO
The Headless Nun, de Nuno Sá Pessoa
O Homem da Cabeça de Papelão, de Pedro Lino e Luís da Matta Almeida
Les Paysages, de Jerónimo Rocha
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O Alvo e a Sombra (2012)

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O Alvo e a Sombra de João Sacramento é uma curta-metragem portuguesa facilmente enquadrada num género de mistério e crime.
Dois homens comunicam entre si enquanto um deles persegue uma mulher até ao edifício onde ela se dirige. Quando lá chega o seu trajecto muda imediatamente rumo ao local onde se encontra um dos homens. A trama adensa-se quando tentamos perceber o porquê desta misteriosa perseguição que ganha, muito rapidamente, contornos de complot empresarial e financeiro.
O argumento de João Ferreira e Susana Francisco tem traços pouco habituais ou explorados no cinema português, mas que ainda assim, e caso se tratasse de uma longa-metragem, poderiam ter sido mais saudavelmente explorados entregado (potencialmente) uma história de crime e mistério bem mais apelativa. 
De notar ainda alguma fragilidade do trabalho de câmara nas filmagens que nos momentos de perseguição exteriores que tornam a visualização do filme um pouco complicada bem como a captação de som interior que contém muito eco incomodativo para o espectador. Factos estes que deduzo se devem a alguma inexperiência dos realizadores.
Ainda assim, e se considerarmos que é um trabalho amador, consegue ser interessante mesmo recorrendo aos clichés habituais dos filmes norte-americanos do género onde tudo termina numa sala misteriosa e desprovida de grandes adornos onde todos podem enfrentar a morte iminente.
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5 / 10
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Fantasma do Novais (2012)

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O Fantasma do Novais de Margarida Gil, a sua mais recente longa-metragem e produção encomendada por Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura, foi exibido na Cinemateca com a presença da realizadora e num misto de passado e presente conta-nos a história de Joaquim Novais Teixeira, escritor, jornalista e crítico.
O filme divide-se entre dois distintos momentos que, ao mesmo tempo, se interligam. O primeiro desses momentos prende-se com a história ficcionada de Ana (Cleia Almeida) que na Guimarães de 2012 tenta terminar o seu trabalho de investigação sobre Novais Teixeira, natural da terra e falecido na Paris de 1972. Para a sua pesquisa que se mostra árdua e para a qual não tem todo o tempo necessário, dispõe da ajuda de Sofia (Maria Raquel Correia) e de Jacinto (Miguel Nunes), seus amigos.
O segundo momento deste filme, o documental, retrata-nos através de segmentos que nos enquadram no tempo, na História e no espaço, e reflete através de entrevistas e testemunhos de pessoas como Júlio Pomar, Eduardo Lourenço, Teresa Ricou, António da Cunha Telles ou do filho de Luís Buñuel, a vida e o carácter de Novais Teixeira que caracterizam como sendo inteligente, um sedutor e um homem de princípios, e um notável crítico de cinema que viveu num exílio forçado por Espanha, Brasil e França onde viria a falecer.
Aquilo que consegue destacar este filme acaba por ser a junção entre os dois momentos que quase funcionam um em completo do outro. Se por um lado percebemos que  os momentos ficcionados em que assistimos ao trabalho de "Ana" em prosseguir com uma difícil e árdua pesquisa acabam por resultar nos segmentos documentais do filme, não deixa também de ser verdade que a ficção está muito limitada pelo resultado destes e, como tal, quase se tornam um apêndice desnecessário do mesmo.
A realizadora Margarida Gil consegue obter um excelente resultado enquanto filme documental, onde através das entrevistas efectuadas a um conjunto variado de personalidades das mais diversas áreas, acabamos por conhecer um pouco mais sobre este homem que para a maioria não passará de um "alegre" desconhecido mas, ao mesmo tempo, quando entramos em todos os segmentos ficcionados deste filme percebemos claramente que eles estão ali "a mais".
Cleia Almeida, uma jovem e com um muito longo futuro (espero) na representação, e que já nos entregou alguns desempenhos emblemáticos em filmes como Sangue do Meu Sangue ou Assim Assim, e aqui se assume como a intérprete principal, sente-se frágil, algo perdida e sem convicção no seu desempenho que quase representa "à letra".
E o mesmo funciona para os restantes desempenhos na ficção que funcionam quase como presenças aleatórias e sem um fundo ou carácter próprio e que apenas têm um ponto alto na participação de Miguel Nunes com a idosa vimaranense, num momento que tem tanto de cómico como de retrato de um povo e de uma cidade que se tivesse sido ensaiado não teria um tão bom resultado como ali aparenta graças à sua espontaniedade.
Se pensarmos neste filme como um documentário com momentos ficcionados, ele até consegue ser interessante e não só nos retratar a personalidade e o espírito de um homem do mundo como transportar-nos para o passado e para épocas conturbadas que afectaram todo o século XX. Por sua vez, se o considerarmos como um filme ficcionado que recorre a factos históricos e indivíduos que marcaram uma época, não consegue ser uma obra suficientemente convincente ou com a natural ficção que esperamos que um acontecimento tenha devido à pouca expressividade que os factos conseguem retirar dos actores (e até da própria História).
Não conseguindo ser memorável, consegue no entanto recriar um interessante filme documental... nos momentos em que o é.
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4 / 10
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Alda Pinto

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1930 - 2013
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lo Imposible (2012)

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O Impossível de Juan Antonio Bayona é sem qualquer margem para reservas um dos filmes sensação do ano que conta com um notável duo de actores protagonistas como são Naomi Watts e Ewan McGregor.
A história deste filme transporta-nos para os trágicos acontecimentos do dia 26 de Dezembro de 2004 quando um tsunami devastou uma larga área geográfica nos Oceanos Índico e Pacífico e vitimou, em vários países, dezenas de milhares de vidas humanas.
Aqui acompanhamos a história de uma família. Maria (Watts) e Henry (McGregor) que juntamente com os seus filhos Lucas (Tom Holland), Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendergast) estão numas férias paradisíacas na Tailândia. A 26 de Dezembro, o impossível acontece quando um tsunami invade o resort em que se encontravam separando não só a família como também devastando tudo o que se encontra no seu caminho.
Para todos aqueles de nós que assistiram aos relatos nos diversos canais de televisão naquele fatídico dia, lembramo-nos perfeitamente de todas as imagens que aos poucos nos chegavam do mais variado conjunto de países, e das trágicas histórias humanas que eram relatadas. Este filme é uma dessas histórias. Retirado da experiência de sobrevivência de María Belón e da sua família que, naquele dia, se viu separada, tendo Belón e o filho mais velho sido arrastados para um lado e o seu marido e os outros dois filhos para outro.
O essencial do argumento da autoria de Sergio G. Sánchez baseado na história de Belón não é tanto a catástrofe natural em si, à qual temos uma realística abordagem que causa os momentos mais tensos e desesperantes do filme, mas sim a história humana e de sobrevivência que se "esconde" para lá da tragédia. Impossível de imaginar (mas ainda assim tentemos)... encontramo-nos num local longínquo do nosso espaço, onde estamos para relaxar e aproveitar umas férias... um sítio onde não falamos a língua e onde não conhecemos ninguém... Um desastre natural que provoca uma devastação sem limites e do qual escapamos com vida sem, no entanto, encontrar ninguém a quem se possa recorrer para pedir auxílio. É urgente sobreviver e manter aqueles que estão perto de nós também com vida, não só pelo acto em si como também pela necessidade que se tem de perceber que não se está só. A Humanidade do acto em ajudar o próximo que poderá estar numa situação bem mais trágica e problemática e com isto perceber (mais tarde) de que um semelhante foi salvo. Não pelo acto heróico mas sim por se perceber que no meio de uma destruíção onde tudo foi perdido, o lado humano foi, felizmente, salvo e que a fraternidade existente entre os Homens existe... mesmo que só detectável nos piores momentos. É isto que conta a história de Belón... Os laços que criamos e que sobrevivem ao mais improvável dos acontecimentos não só pela sobrevivência do outro, como também, pela sobrevivência do "eu". Quando o impossível acontece, a Humanidade resiste.
Nem sempre neste género cinematográfico a que muitos chamam os "filmes catástrofe", se conseguem retirar as mais empenhadas interpretações. Aqui, felizmente, não é o que acontece, conseguindo assim encontrar aqui algumas das mais fortes interpretações que este ano cinematográfico nos irá apresentar. Começando logo pela protagonista Naomi Watts que tem sido nomeada para todos os prémios na sua categoria desde o Goya (não esquecer que este filme é uma produção espanhola), ao Globo de Ouro, ao SAG e culminando claro com a nomeação ao Oscar, o mais cobiçado prémio de cinema. Watts, de quem ninguém poderá questionar sobre o seu profundo empenho em cada personagem a que dá vida, encarna aqui a mulher e mãe de família que sobrevive a um enorme desastre natural. A sua interpretação que não dominando o filme consegue estar sempre presente em todos os momentos é não só forte e determinada como principalmente comovedora e o suporte de toda uma família.
E o mesmo se poderá dizer de Ewan McGregor, também ele nomeado a um Goya de Actor Secundário, que uma vez mais demonstra o seu enorme potencial dramático como o pai que perante a catástrofe pensa ter perdido toda a sua família apenas para, mais tarde e aos poucos a ir recuperando. De todo um filme que se quer comovente e que dê um fiel retrato daquele dia, se pudessemos escolher um momento que o caracterize além do já óbvio tsunami, seria o telefonema que o seu "Henry" faz à família e o seu subsequente colapso emocional. Do mais forte e comovente que todo este filme poderia conseguir alcançar.
No entanto, é no mínimo justo e coerente dizer que não é sobre estes dois actores, já bem estabelecidos e firmados na sua carreira, que se encontra a interpretação protagonista e aquela em quem recai, de uma ou outra forma, toda a força dramática e de união de todo este filme. O protagonista é, sem qualquer ressalva, Tom Holland, o jovem actor que tem dado vida a "Billy Elliot" nos palcos londrinos, e que é aqui a grande revelação (também ele nomeado a um Goya nesta categoria e uma enorme falha se não o vencer) do filme. Se inicialmente encontramos nele um adolescente desligado e desinteressado das férias em família onde assume o papel do irmão e filho mais velho a quem se exigem algumas novas "responsabilidades", não deixa igualmente de ser verdade que estas surgem sob o rosto de um desconhecido e inesperado acidente natural que assume proporções que ninguém esperava. É ele que fica automaticamente encarregue de cuidar de uma mãe debilitada... De encontrar familiares que sobreviveram àquela tragédia mas que se separaram pela mesma. E finalmente é através dele que toda a sua família se consegue reunir novamente. Se pudessemos construir uma comparação com tantas histórias sobre o "crescer" de uma personagem, poderíamos dizer que esta teria sido a sua história (e que de facto para a pessoa que interpreta o deve ter sido), e que o tsunami e a devastação e provação que se lhe seguiram constituíram de facto a transformação de uma adolescência para uma idade adulta que lhe apareceu precocemente.
Àparte de um filme catástrofe, que existe mas que assume uma dimensão secundária, o magnífico argumento deste impressionante filme da autoria de Sergio G. Sánchez, relata com dignidade o acontecimento, as suas vítimas e sobretudo os seus sobreviventes, escapando assim a qualquer tipo de sensacionalismo que pudesse à partida colocar em causa a memória daqueles que a ele não conseguiram resistir. Os dramas e provações pelas quais passaram e sobretudo a história de união e sobrevivência que dali resulta são assim o factor no qual o filme se baseia, afastando-se assim de um banal filme em que se colocam em evidência os efeitos especiais em detrimento da história e da mensagem que ele deveria querer transmitir. Aqui tudo está perfeito e na medida desejada. Estamos assim perante um retrato do quão frágeis e vulneráveis são as pessoas e de como num momento onde tudo parece estar perdido a ajuda surge sem qualquer barreira para lá da nacionalidade, da língua ou de qualquer credo. Tudo isto consegue estar implicitamente referido neste filme através de pequenos segmentos e momentos que nos são transmitidos e para os quais poucas palavras são necessárias... Basta apenas que prestemos atenção a todos os instantes que a magnífica realização de Bayona nos faz chegar.
E tecnicamente este filme é também um dos mais arriscados e bem sucedidos trabalhos da cinematografia espanhola e a própria recriação do tsunami bem como a devastação a que assistimos de seguida "falam" por si ao contribuir não só pelo impacto das imagens como, principalmente, por fazer transcender todo um culminar de emoções que nos "reduzem" ao percebermos que estamos perante um filme que irá definitivamente ficar na nossa memória não só pela força das imagens, como pelos efeitos especiais, pelas interpretações, por uma música de Fernando Velázquez simplesmente arrebatadora numa das inúmeras nomeações ao Goya que este filme recebeu, como também (e possivelmente o mais importante de todo este magnífico filme) pela força de uma mensagem que, em última análise, nos diz que perante uma catástrofe estamos e somos todos iguais independentemente não só do lugar da nossa proveniência como principalmente dos valores que pensávamos "representar".
Independentemente de ainda só nos encontrarmos em Janeiro e de o ano cinematográfico ainda agora ter começado, este O Impossível é um dos filmes que irá marcar.
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"Woman: Some of those stars, have been burnt out for a long long time. Did you know that?
Thomas: They're dead aren't they?
Woman: They're dead, but once they were so bright that their light is still travelling through space, we can still see them.
Thomas: How can you tell which ones are dead and which ones are not?
Woman: Oh you can't, it's impossible. It's a beautiful mystery isn't it."
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10 / 10
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CinEuphoria em Itália

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É com redobrada satisfação que mais um artigo sobre o CinEuphoria chega de Itália. Depois de anunciada a vitória de 33 Giri, de Riccardo Di Gerlando, este ano como Melhor Curta-Metragem na Competição Internacional, o realizador italiano em entrevista ao Jornal La Stampa a 20 de Janeiro faz referência à vitória no CinEuphoria.
É ainda destacada a vitória do filme Ruggine de Daniele Gaglianone como Melhor Filme (que venceu também nas categorias de Actor e Actriz Secundários), facto que me deixa pessoalmente francamente orgulhoso e empenhado em dar continuidade a este muito satisfatório trabalho.
Esta notícia chega alguns meses depois da inclusão dos CinEuphoria no site italiano cinemaitaliano.info com a referência a alguns dos vencedores transalpinos das últimas edições.
De referir ainda que a curta-metragem 33 Giri, que fora também pré-seleccionada para o David Di Donatello em 2012, se encontra disponível na íntegra no arquivo do CinEuphoria para todos aqueles que a queiram visualizar.
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Beatriz, o teaser poster

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Beatriz, o novo trabalho da dupla de realizadores Hernâni Duarte Maria e Pedro Noel da Luz e que assinala a estreia de ambos da direcção de uma longa-metragem, tem já divulgado o seu teaser poster.
Filmado no Algarve e com um conjunto de actores onde se destacam as participações de Alda Gomes, Sofia Reis e Lourenço Seruya, é de destacar ainda que esta é uma longa-metragem independente a efectuar apenas com o apoio de instituições locais e à qual o CinEuphoria tem a honra de participar como parceiro para a divulgação da mesma.
Brevemente, esperemos, numa sala perto de si.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Silver Linings Playbook (2012)

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Guia para um Final Feliz de David O. Russell é possivelmente um dos filmes sensação do momento. Não só pela dinâmica existe entre o par protagonista Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, como pela sua inspirada história que oscila entre a comédia e o drama.
Pat (Cooper) esteve internado numa instituíção psiquiátrica depois de, num momento mentalmente perturbado, ter agredido o homem que encontrou no chuveiro com a sua mulher. De volta a casa de Dolores (Jacki Weaver) e Pat Sr. (Robert De Niro), os seus pais, o único objectivo de Pat é manter-se em forma, controlar a sua impulsividade e bipolaridade e reconquistar a sua mulher que, entretanto, se havia afastado dele.
É depois de um reencontro com alguns momentos, locais e pessoas do seu passado que Pat conhece Tiffany (Lawrence), uma jovem mulher que perdera recentemente o seu marido e com quem estabelece, quase de imediato, uma estranha ligação de amizade. Quando esta empatia entre ambos parece estar instântaneamente cimentada, Tiffany convida-o para uma competição de dança que, mais tarde, ganha novos e desafiantes contornos e principalmente o aparecimento de um novo e improvável amor.
O extraordinário argumento da autoria do próprio David O. Russell consegue criar uma entusiasmante e convincente atmosfera entre as personagens principais às quais dão vida dois brilhantes actores como Bradley Cooper e Jennifer Lawrence. Se desta actriz já não me restava qualquer margem para dúvida sobre a sua entrega dramática à personagem que incorpora, sendo disso exemplo o seu notável desempenho em Winter's Bone, pelo qual fora nomeada ao Oscar de Melhor Actriz, e Hunger Games também do passado ano, aquilo que não deixa de ser uma agradável surpresa é o notável desempenho de Cooper que aqui se assume definitivamente como um actor de primeira linha capaz de entregar as mais sentidas e emocionantes interpretações e assim "desligando-se" do tradicional desempenho cómico com o qual já se estava a "colar" há imenso tempo.
Cooper consegue com o seu "Pat" demonstrar que é o tipo bon-vivant habituado a uma vida estável dentro da sua própria definição de estabilidade e que vivia para o seu grande amor... até este o trair e arruinando assim toda e qualquer confiança no seu "eu" e que tudo está disposto a fazer para o recuperar. Aparentemente... pois na prática aquilo que quer recuperar é algo mais importante e profundo do que um primeiro amor. Aquilo que o seu "Pat" pretende recuperar é o seu própri "eu" há muito perdido em nome não da satisfação pessoal mas sim da satisfação dos outros com quem co-habita. Com o passar dos anos "Pat" habituou-se a anular-se em nome de uma boa relação com a sua mulher, com os seus colegas de trabalho e amigos e com os seus próprios pais a quem nada diria que fizesse estremecer a boa relação que com eles mantinha. No entanto este trágico acontecimento com a traição da sua mulher levou-o a procurar o lado mais positivo dos dias, das situações e daqueles com quem convive. Afinal todos terão algo de bom a transmitir... Um ensinamento, umas quantas palavras ou simplesmente os bons momentos que com eles passará e que irão assim contribuir, de uma ou outra forma, para a sua própria estabilidade e assim voltar a encontrar uma forma de encontrar o "eu" que havia esquecido em nome do bem-estar dos outros a quem tudo havia dedicado.
Por sua vez Jennifer Lawrence dá corpo a "Tiffany", uma personagem tão determinada como as outras que tem interpretado mas com a singular diferença que aqui não é tão contida nas palavras e nos actos como as demais a que deu vida. "Tiffany" é aquele tipo de pessoa que todos nós conhecemos e julgamos ser de certa forma frias e indiferentes pela sua espontaneidade de actos, palavras e acções. Forte, concisa e sem meandros menos claros e cujos comportamentos a colocam naquele conjunto de pessoas que tendencialmente não conhecemos realmente mas de quem secretamente todos gostamos. São pessoas que vivem a sua vida sem aparentes problemas mas que na prática vivem na angústia de saber se são real e verdadeiramente apreciadas por aqueles com quem de mais perto convivem.
É a esta inicial disparidade de personalidade e comportamentos que une "Tiffany" e "Pat" e aos quais tanto Cooper e Lawrence, que têm sido justamente nomeados a tudo quanto é prémio nesta temporada que está prestes a terminar, incluindo os Oscars, conseguem dar não só um corpo como, acima disso, uma alma transformando-os assim num dos mais seguros pares sentimentais do ano e dos últimos tempos. Acredito no potencial "Oscarizável" deste casal e, apesar de no caso de Cooper isso ser mais difícil de acontecer, não deixa de ser verdade que para além de "A Ressaca", esta será sim a interpretação pela qual será recordado por muito tempo.
De mencionar ainda o regresso de um Robert De Niro a uma interpretação que mostra todo o seu drama, e o motivo que justifica uma certa instabilidade emocional de "Pat", demarcando-se assim de uma interminável lista de personagens que interpretou nos últimos anos e que muito pouco contribuíram para o seu enorme potencial.
Além deste ser um daqueles filmes com o qual qualquer um de nós se pode identificar e sair com uma sensação de que assistimos a uma das mais simples e emocionantes histórias dos últimos tempos, consegue ainda entregar-nos duas das mais interessantes, emocionantes e marcantes personagens que de tão "comuns" serem poderiam caracterizar tantos de nós num ou noutro momento das nossas vidas. É certo que os mometos de comédia existem mas não deixa de ser injusto classificar este filme como uma "comédia". O risco que por vezes vem colado a esta palavra é demasiado perigoso para o "reduzir" a algo que, no fundo, ele não é. Os momentos dramáticos e que poderiam caracterizar tantos e tão delicados momentos da vida de um indivíduo podem sim possuir alguma comédia mas a ela sempre aliada uma condição dramática profunda que, no entanto, se consegue rapidamente redimir com um estrondoso segmento final onde uma dança bem coreografada e de estilos diferentes consegue demonstrar que aqueles dois seres estão, sem qualquer margem para dúvida dos mais cépticos, interligados para sempre. A química e a união entre eles é evidente e ninguém o poderá negar.
Se o objectivo deste filme era realmente encontrar um caminho para se ser feliz... a prova foi superada. É impossível vê-lo e não sentir no final que acabou como queríamos e como esperávamos. Sem clichés, dramas desproporcionais ou comédia de situação, o certo é que todo o seu passado aconteceu daquela forma porque estas duas pessoas tinham um dia de se encontrar pois na prática elas complementam-se e completam-se. E nós, enquanto espectadores tantas vezes cínicos e descrentes nas histórias de amor que o cinema nos tem vindo a apresentar, sabemos que esta sim saiu real e bem sucedida, e cedemos. Cedemos porque pensamos que estamos realmente satisfeitos com o que ela nos transmitiu... Aquele especial e tantas vezes esquecido momento (passo o cliché)... feel-good.
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"Tiffany: I do this! Time after time after time! I do all this shit for other people! And then I wake up and I'm empty! I have nothing!"
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10 / 10
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domingo, 20 de janeiro de 2013

A Luz Escureceu Nos Teus Cabelos (2012)

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A Luz Escureceu nos Teus Cabelos de Bruno Carnide é uma curta-metragem que passou recentemente no Shortcutz Lisboa e que nos retrata as potencialidades do poder da memória e do caminho que um indivíduo pode efectuar para a ela recorrer e se agarrar ao que lhe transmite. O espaço e o tempo são, por si só, locais longinquos que seguram as mais ou menos poderosas lembranças do passado.
Se a nível de argumento esta curta-metragem tem muito mais potencial que poderia ter sido explorado, não deixa de ser igualmente verdade que a nível técnico ela recria um interessante ambiente fiel àquilo que se propõe... o espaço para a memória individual.
Bruno Carnide, o realizador, e que aqui também assina a fotografia desta curta-metragem consegue recriar um dos pontos mais fortes deste trabalho através de uma justa e enigmática junção de tons azuis, dourados e castanhos que em tudo nos transportam para o imaginário da memória ao focar e desvanecer alguns dos momentos que guardámos. E o mesmo acontece quando através dos vários segmentos desta pequena curta-metragem são anuladas as margens impossibilitando assim a visualização de pequenos detalhes que, tal como se de uma memória se tratasse, não são recordados na sua perfeição e detalhe.
Interessante na sua execução técnica deixa, no entanto, uma vontade de receber um pouco mais a nível de argumento e desenvolvimento da personagem em questão.
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7 / 10
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sábado, 19 de janeiro de 2013

La Fidélité (2000)

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A Fidelidade de Andrzej Zulawski e com a produção de Paulo Branco conta com um trio de actores protagonista que ao mais desatento dos cinéfilos iria de imediato despertar a atenção.
Clélia (Sophie Marceau) sabe ser o fruto de uma relação entre um pai e uma mãe que nunca se amaram para além de uma próxima amizade. Quando sente a frágil condição de saúde da sua mãe faz uma última grande viagem com ela onde descobre que terá, provavelmente, outro pai do que aquele que sempre conhecera.
É devido àquilo que conhece da relação dos seus pais que Clélia nunca se comprometera com ninguém. Acha que o amor é apenas algo idílico que ninguém conhece mantendo, por isso, relações ocasionais com homens que a atraem nos momentos mais inesperados e inoportunos. Fotógrafa de profissão conhece um dia Clève (Pascal Greggory), um editor que se apaixona perdidamente pela sua beleza e forma de estar mas que esconde, ele próprio, os seus demónios sentimentais do passado.
A relação, inicialmente meramente sexual, de Clélia e Clève envereda por um caminho que os guia ao casamento. No entanto, Clélia conhece Nemo (Guillaume Canet), fotógrafo que, tal como ela, se deixa seduzir por mulheres com quem mantém relações físicas mas pouco sentimentais e que nela encontra alguém capaz de o deixar "preso".
É este trio físico e sentimental que irá determinar todas as relações e destinos dos que com eles convivem mais proximamente, num conjunto de momentos que se mostram mais auto-destrutivos do que propriamente sentimentais.
Esta co-produção luso-francesa (que de lusitana pouco tem além do produtor que se note), cujo argumento também da autoria de Zulawski inspirado na obra A Princesa de Clèves de Madame de La Fayette, reflete sobre a capacidade (ou falta dela) de um indivíduo criar laços sentimentais que o unam a outro(s) seres, acaba por encontrar com este filme um estranho conjunto de relacionamentos que quase nos transporta para um mundo imaginário de personagens que parecem retiradas de um universo surreal.
É perfeitamente válido que existam indivíduos que tenham sérias reservas à sua ligação a um outro mas, no entanto, aquilo que me parece mais estranho nem é este facto mas sim a constante neurose em que vivem como se essa união fosse, à partida, prejudicial. Vou mais longe ainda quando afirmo que quase parecem "viver" para mostrar que as ligações entre duas pessoas são, em si, impossíveis e fruto de uma qualquer imaginação mais frágil, limitando-se assim (como confirmamos pela personagem interpretada por Marceau) a encontrar constantes "provas" de que a qualquer momento poderia trair o seu marido mas que, para sorte dele, opta por não o fazer, e com isto mostrar-lhe que o "amor" é menos certo que a própria falta dele.
Mais longe ainda do que isto é o facto de "Clélia" ser uma mestre do erotismo e da sexualidade sempre preparada para a próxima relação carnal que lhe é proporcionada, não com isso tirando qualquer satisfação sexual mas sim prazer por demonstrar que é capaz de o fazer, agonizando depois no seu íntimo sobre a impossibilidade de ser feliz ao lado de alguém que ame, e que a ame, tal como acontecera pela auto-privação da sua mãe em viver junto do homem a quem sempre amou em segredo e que era, na realidade, o seu pai biológico (mais tarde patrão).
Mais enigmática ainda é "Clèves", onde temos um Pascal Greggory estranhamente infantil e quase sempre alucinado como se tivesse sido retirado de uma dose bem pesada de ecstasy nos cinco minutos anteriores a ter entrado em cena e que, com isso, nem consegue ser convincente nos aparentes ciúmes que parec sentir da relação extra-matrimonial platónica que a sua mulher mantém com "Nemo" que a persegue incansavelmente por todo o lado mesmo quando "Clélia" e "Clèves" estão nas posições mais íntimas que poderemos imaginar na privacidade do seu quarto.
Como se a dinâmica entre estes três não fosse já por si digna de um filme à parte, seria impossível não referenciar brevemente todas as dinâmicas que surgem para lá do trio. Desde as problemáticas insinuações à mafia chinesa e de leste que faz tráfico de orgãos humanos (olhos), passando pelos dissabores profissionais, pela mutilação genital, prostituição, luta ilegal de cães, bissexualidade e escândalos religiosos, convivemos ainda com um conjunto perfeitamente disforme de personagens que parecem retiradas de um hospicio que passam pela chefe de redacção alcoolatra e que sobe profissionalmente à custa de uns "favorzitos", a mulher do patrão que vive com o cérebro cozinhado em alcoól e estupefacientes, um conjunto de mulheres que vive num convento e adoram cantar e dançar (não, não são freiras) e todo um diferente e muito "exótico" conjunto de personagens que, em última análise, têm tanto de presente como de decorativo.No fundo, estamos perante uma selva onde metade dos seus habitantes não sabe bem o que lá está a fazer.
O potencial desta história é, na minha opinião, enorme. A dificuldade em encontrar "o" ou "a" tal que poderá ser ou não a dita cara-metade com quem se irá passar o resto de uma vida é tema suficiente para que um filme tenha uma extensa e intensa história. A incapacidade de um indivíduo se ligar a outro não perdendo a sua individualidade mas encontrando nesse outro o seu complemento é também por si argumento suficiente para construir um filme desafiante, tal como o medo que se sente em poder cometer os mesmos erros que outros no passado cometeram e que não os permitiram viver a felicidade plena tal como a mereciam. No entanto aqui, não só estes elementos funcionam a favor do filme como toda a demais almálgama de temas secundários e as personagens paranóicas e delirantes deitam tudo a perder naquilo que é mais semelhante a alguém que está numa trip de crack do que propriamente a tentarem encontrar o seu lugar no mundo e aquele alguém com quem o compartilhar.
Vale pelo olhar frio que a fotografia fria de Patrick Blossier entrega não só às personagens como a todo o meio onde elas co-habitam, como também pela potencial reflexão passado-presente-futuro que poderia ter sido feita numa perspectiva reconciliadora para com o "eu" mas que resulta apenas num sem fim de momentos não muito interessantes com o único propósito de, no futuro, poder servir de mais um lamento sobre o "isto já aconteceu".
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4 / 10
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International Cinephile Society 2013: os nomeados

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FILME
Amour
Cloud Atlas
Django Unchained
Holy Motors
Lincoln
The Master
Moonrise Kingdom
Once Upon a Time in Anatolia
Tabu
Zero Dark Thirty

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REALIZADOR
Paul Thomas Anderson - The Master
Kathryn Bigelow - Zero Dark Thirty
Leos Carax - Holy Motors
Nuri Bilge Ceylan - Once Upon a Time in Anatolia
Miguel Gomes - Tabu
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FILME EM LÍNGUA NÃO INGLESA
Alps (Grécia)
Amour (Áustria)
Holy Motors (França)
Le Gamin au Vélo (Bélgica)
Once Upon a Time in Anatolia (Turquia)
Oslo, August 31st (Noruega)
De Rouille et d'Os (França)
Tabu (Portugal)
This Is Not a Film (Irão)
A Torinói Ló (Hungria)
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ACTOR
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Denis Lavant - Holy Motors
Anders Danielsen Lie - Oslo, August 31st
Joaquin Phoenix - The Master
Matthias Schoenaerts - Rundskop
Jean-Louis Trintignant - Amour
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ACTRIZ
Jessica Chastain - Zero Dark Thirty
Marion Cotillard - De Rouille et d'Os
Greta Gerwig - Damsels in Distress
Nina Hoss - Barbara
Emmanuelle Riva - Amour
Rachel Weisz - The Deep Blue Sea
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ACTOR SECUNDÁRIO
Dwight Henry - Beasts of the Southern Wild
Philip Seymour Hoffman - The Master
Matthew McConaughey - Killer Joe
Christoph Waltz - Django Unchained
Jun-Sang Yu - In Another Country
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams - The Master
Rosemarie DeWitt - Your Sister's Sister
Gina Gershon - Killer Joe
Nicole Kidman - The Paperboy
Edith Scob - Holy Motors
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ARGUMENTO ORIGINAL
Amour - Michael Haneke
Holy Motors - Leos Carax
The Master - Paul Thomas Anderson
Moonrise Kingdom - Wes Anderson, Roman Coppola
Tabu - Miguel Gomes, Mariana Ricardo
Zero Dark Thirty - Mark Boal
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ARGUMENTO ADAPTADO
Cosmopolis - David Cronenberg
The Deep Blue Sea - Terence Davies
Lincoln - Tony Kushner
Oslo, August 31st - Joachim Trier, Eskil Vogt 
De Rouille et d'Os - Jacques Audiard, Thomas Bidegain
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FOTOGRAFIA
The Master - Mihai Malaimare Jr.
Once Upon a Time in Anatolia - Gökhan Tiryaki
Skyfall - Roger Deakins
Tabu - Rui Poças
A Torinói Ló - Fred Kelemen
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MONTAGEM
Cloud Atlas - Alexander Berner
Holy Motors - Nelly Quettier
The Master - Leslie Jones, Peter McNulty
Moonrise Kingdom - Andrew Weisblum
Zero Dark Thirty - William Goldenberg, Dylan Tichenor
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DESIGN DE PRODUÇÃO
Anna Karenina - Sarah Greenwood
Holy Motors - Florian Sanson
The Master - David Crank, Jack Fisk
Moonrise Kingdom - Adam Stockhausen
Prometheus - Arthur Max
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BANDA-SONORA
Anna Karenina - Dario Marianelli
Beasts of the Southern Wild - Dan Romer, Benh Zeitlin
Cloud Atlas - Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer
The Master - Jonny Greenwood
Moonrise Kingdom - Alexandre Desplat
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ELENCO
Holy Motors
Lincoln
Moonrise Kingdom
Once Upon a Time in Anatolia
Tabu

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FILME DE ANIMAÇÃO
Frankenweenie
ParaNorman
The Secret World of Arrietty
Tatsumi
Wreck-It Ralph

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DOCUMENTÁRIO
How to Survive a Plague
The Imposter
Marina Abramovic: The Artist is Present
The Queen of Versailles
This Is Not a Film

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MELHOR FILME NÃO EXIBIDO EM 2012
The Angels' Share
L'Âge Atomique
Berberian Sound Studio
Beyond the Hill (Tepenin Ardi)
Beyond the Hills (Dupa dealuri)
Blancanieves
Caesar Must Die
differently, Molussia
Faust
Frances Ha
Jagten
In the House
Klip
Laurence Anyways
Leviathan
Lore
No
À Perdre la Raison
Stories We Tell
Student
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