segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Shortcutz Viseu 2015: os nomeados

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Nomeados aos prémios anuais do Shortcutz Viseu:
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Melhor Curta-Metragem do Ano
Bicho, de Carlos Jesus e Miguel Munhá
Bodas de Papel, de Francisco Antunez
Boy, de Bruno Gascon
Cigano, de David Bonneville
Contactos 2.0, de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto
Dédalo, de Jerónimo Ribeiro Rocha
Margem, de Miguel Pereira
Mulher. Mar., de Filipe Pinto e Pedro Pinto
Não são Favas, são Feijocas, de Tânia Dinis
Pela Boca Morre o Peixe, de João P. Nunes
O Reino, de Paulo Castilho
Salomé, de Sofia Bairrão
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Melhor Produção
Dédalo, Frederico Serra e Take It Easy
Longe do Éden, Rodrigo Areias e RIOT Films (Júlio Alves e Paulo Castilho)
Mulher. Mar., Pedro Medeiros e Um Segundo Filmes
Pela Boca Morre o Peixe, João P. Nunes
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Melhor Actor
Tiago Aldeia, Cigano
Duarte Grilo, Boy
Pedro Lamares, Dois Mil Pés
Fernando Luís, Terra 2084
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Melhor Actriz
Teresa Andrade, Mulher. Mar.
Daniela Love, Videoclube
Paula Neves, Sam Samurai
Joana de Verona, Bodas de Papel
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Melhor Realização
Francisco Antunez, Bodas de Papel
David Bonneville, Cigano
Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto, Contactos 2.0
Jerónimo Ribeiro Rocha, Dédalo
Filipe Pinto e Pedro Pinto, Mulher. Mar.
Luís Costa, Pena Fria
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Melhor Argumento
Cigano, David Bonneville e Diego Rocha
Margem, Miguel Pereira
 Mulher. Mar., Filipe Pinto e Pedro Pinto
Videoclube, Ana Almeida e José Pedro Lopes
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Melhor Montagem
Cigano, David Bonneville
Dédalo, Jerónimo Ribeiro Rocha
Mulher. Mar., Diogo Mando, Filipe Pinto e Pedro Pinto
Vida Tramada, Salvador Palma e Rui Rodrigues
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Melhor Fotografia
Cigano, Vasco Viana
Dois Mil Pés, Bruno Nacarato
Longe do Éden, Paulo Castilho
Vida Tramada, Nelson Guerreiro
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Melhor Som
Boy, Filipe Goulart
Cigano, Tiago Matos e Adriana Bolito
Contactos 2.0, Tiago Vicente (Soundframe)
Dédalo, Henrique Lima (Som de Lisboa)
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Melhor Cartaz
Boy
Dédalo
Pela Boca Morre o Peixe
Pena Fria
Ponto Morto
Por Aqui Nada de Novo
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 12 de Setembro pelas 16 horas, no Teatro Viriato, em Viseu.
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domingo, 30 de agosto de 2015

Wes Craven

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1939 - 2015
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Oliver Sacks

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1933 - 2015
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Shortcutz Viseu - Sessão #58

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O Shortcutz Viseu está de volta ao Carmo'81 para a sua Sessão #58 que se iniciará com mais uma secção de Curtas-Metragens em Competição na qual serão exibidos os filmes curtos Deus Providenciará, de Luís Porto e Tu, de Luciano Sazo estando ambos os realizadores presentes na sessão para a apresentação dos seus filmes.
Finalmente a Sessão #58 termina com o segmento Shortcutz Around the World e com a exibição de Broken Basket, de Roberto Ruiz Cespedes (Espanha).
A sessão decorrerá no Carmo'81 na Rua do Carmo, em Viseu amanhã, sexta-feira, a partir das 22 horas.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Prémios Fénix 2015: participação portuguesa

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Foram hoje anunciados os filmes pré-seleccionados aos Prémios Fénix de Cinema Ibero-Americano onde, entre os quais, se encontram três obras portuguesas sendo elas As Mil e Uma Noites - Volume 1: O Inquieto, Volume 2; O Desolado e Volume 3: O Encantado, de Miguel Gomes - indo estrear o primeiro volume em Portugal já no final de Agosto -, bem como Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa e ainda Visita ou Memórias e Confissões, a obra póstuma de Manoel de Olveira.
Os Prémios Fénix que se destinam a reconhecer e celebrar o trabalho daqueles que se dedicam ao cinema na América Latina e na Península Ibérica terão a sua segunda cerimónia a 25 de Novembro próximo no Teatro da Cidade do México, na capital daquele país.
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domingo, 16 de agosto de 2015

Grande Prémio do Cinema Brasileiro 2015: os nomeados

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Melhor Longa-Metragem de Ficção
Getúlio, de João Jardim. Produção: João Jardim e Carla Camurati por Copacabana Filmes
Hoje Eu Quero Voltar Sózinho, de Daniel Ribeiro. Produção: Daniel Ribeiro e Diana Almeida por Lacuna Filmes
O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Debora Ivanov e Gabriel Lacerda por Gullane e Rodrigo Castellar e Pablo Torrecillas por TC Filmes
Praia do Futuro, de Karim Aïnouz. Produção: Geórgia Costa Araújo por Coração da Selva
Tim Maia, de Mauro Lima. Produção: Rodrigo Teixeira por RT Features
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Melhor Longa-Metragem Comédia
Confissões de Adolescentes, de Daniel Filho e Cris D’amato. Produção: Daniel Filho por Lereby Produções Ltda
O Candidato Honesto, de Roberto Santucci. Produção: André Carreira por Camisa Listrada e Roberto Santucci por Panorama Filmes
Os Homens são de Marte… É Pra Lá que Eu Vou, de Marcus Baldini Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha e Karen Castanho por Biônica Filmes
Júlio Sumiu, de Roberto Berliner. Produção: Rodrigo Letier por TV Zero e Manfredo G. Barreto
S.O.S Mulheres ao Mar, de Cris D’Amato. Produção: Julio Uchôa por Ananã Produções
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Melhor Longa-Metragem Documentário
A Farra do Circo, de Roberto Berliner e Pedro Bronz. Produção: Rodrigo Letier e Roberto Berliner por TV Zero
Brincante, de Walter Carvalho. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane e Debora Ivanov por Gullane
Dominguinhos, de Eduardo Nazarian, Joaquim Castro e Mariana Aydar. Produção: Deborah Osborn, Felipe Briso e Gilberto Topczewski por BigBonsai
Olho Nu, de Joel Pizzini. Produção: André Saddy e Paloma Rocha por Canal Brasil
Tim Lopes - História de Arcanjo, de Guilherme Azevedo. Produção: Emilio Gallo por Filmi di Luzzi e Guilherme Azevedo por Avexi Filmes
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Melhor Longa-Metragem de Animação
As Aventuras do Avião Vermelho, de Frederico Pinto e José Maia. Produção:Aletéia Selonk por Okna Produções, Camila Gonzatto  e Frederico Pinto por Armazém de Imagens.
O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Produção: Fernanda Carvalho e Tita Tessler por Filme de Papel
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Melhor Longa-Metragem Infantil
As Aventuras do Avião Vermelho, de Frederico Pinto e José Maia. Produção:Aletéia Selonk por Okna Produções, Camila Gonzatto  e Frederico Pinto por Armazém de Imagens.
O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Produção: Fernanda Carvalho e Tita Tessler por Filme de Papel
O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha.Produção: André Carreira por Camisa Listrada e Guilherme Fiúza Zenha por Solo Filmes
O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton Produção: Simone Magalhães Matos por Quimera Filmes
Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel, de Felipe Joffily. Produção: Augusto Casé por Casé Filmes
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
A Era de Ouro, de Leonardo Mouramateus e Miguel Antunes Ramos
Nua por Dentro do Couro, de Lucas Sá
O Caminhão do Meu Pai, de Maurício Osaki
O Filme de Carlinhos, de Henrique Filho
Voltando pra Casa, de Thiago Kistenmaker
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Melhor Curta-Metragem Documentário
Do Petróleo e do Cinema, de Artêmio Macedo
Efeito Casimiro, de Clarice Saliby
O Canto da Lona, de Thiago Mendonça
Se Essa Lua Fosse Minha, de Larissa Lewandoski
Sioma, O Papel da Fotografia, de Eneida Serrano e Karine Emerich
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Melhor Curta-Metragem de Animação
A Pequena Vendedora de Fósforo, de Kyoko Yamashita
Edifício Tatuapé Mahal, de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum
Guida, de Rosana Urbes
Miroca e seu Cuco Caduco, de Diego Lopes
Viagem na Chuva, de Wesley Rodrigues
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Melhor Longa-Metragem Estrangeira
Boyhood, de Richard Linklater (EUA)
Dallas Buyers Club, de Jean-Marc Vallée (EUA)
The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson (EUA)
Relatos Selvajes, de Damiãn Szifrón (Argentina)
The Wolf of Wall Street, de Martin Scorsese (EUA)
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Melhor Realizador
Carolina Jabor, Boa Sorte
Fernando Coimbra, O Lobo Atrás da Porta
João Jardim, Getúlio
Karim Aïnouz, Praia do Futuro
Daniel Ribeiro, Hoje Eu Quero Voltar Sózinho
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Melhor Actor
Alexandre Borges, Getúlio
Babu Santana, Tim Maia
Matheus Nachtergaele, Trinta
Milhem Cortaz, O Lobo Atrás da Porta
Tony Ramos, Getúlio
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Melhor Actriz
Bianca Comparato, Irmã Dulce
Deborah Secco, Boa Sorte
Drica Moraes, Getúlio
Fabiula Nascimento, O Lobo Atrás da Porta
Leandra Leal, O Lobo Atrás da Porta
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Melhor Actor Secundário
Adriano Garib, Getúlio
Antônio Fagundes, Alemão
Babu Santana, Júlio Sumiu
Cauã Reymond, Tim Maia
Cauã Reymond, Alemão
Jesuíta Barbosa, Praia do Futuro
José Wilker, Isolados
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Melhor Actriz Secundária
Alice Braga, Os Amigos
Fabiula Nascimento, Não Páre na Pista: A Melhor História de Paulo Branco
Glória Pires, Irmã Dulce
Thalita Carauta, O Lobo Atrás da Porta
Zezé Polessa, Irmã Dulce
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Melhor Argumento Original
Alê Abreu, O Menino e o Mundo
Anna Muylaert e L. G. Bayão, Irmã Dulce
Daniel Ribeiro, Hoje Eu Quero Voltar Sózinho
Fernando Coimbra, O Lobo Atrás da Porta
George Moura, Getúlio
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Melhor Argumento Adaptado
Cristiano Abud, André Carreira e Guilherme Fiúza Zenha, O Menino no Espelho
Jorge Furtado e Pedro Furtado, Boa Sorte
Matheus Souza, Confissões de Adolescente
Mauro Lima e Antonia Pellegrino, Tim Maia
Susana Schild, Mão na Luva
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Melhor Fotografia
Adriano Goldman, Trash
Ali Olcay Gözkaya, Praia do Futuro
Gustavo Hadba, Irmã Dulce
Lula Carvalho, O Lobo Atrás da Porta
Walter Carvalho, Getúlio
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Melhor Montagem Ficção
Cristian Chinen, Hoje Eu Quero Voltar Sózinho
Isabela Monteiro de Castro, Praia do Futuro
Joana Ventura e Pedro Bronz, Getúlio
Karen Akerman, O Lobo Atrás da Porta
Sergio Mekler, Boa Sorte
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Melhor Montagem Documentário
Giba Assis Brasil, Mercado de Notícias
Joana Collier, Tim Lopes - História de Arcanjo
Joaquim Castro, Dominguinhos
Pablo Ribeiro, Brincante
Pedro Bronz, A Farra do Circo
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Melhor Direcção de Arte
Cláudio Amaral Peixoto, Tim Maia
Daniel Flaksman, Irmã Dulce
Daniel Flaksman, Trinta
Tiago Marques, Getúlio
Tiago Marques, O Lobo Atrás da Porta
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Melhor Guarda-Roupa
Camila Soares, Praia do Futuro
Cris Kangussu, Irmã Dulce
Kika Lopes, Trinta
Marcelo Pies, Getúlio
Reka Koves, Tim Maia
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Melhor Caracterização
André Anastácio, Alemão
Auri Mota, David Martí, Montse Ribé e Stephen Murphy, O Lobo Atrás da Porta
Auri Mota, Irmã Dulce
Lucila Robirosa, Tim Maia
Martín Macias Trujillo, Boa Sorte
Martín Macias Trujillo, Getúlio
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Melhores Efeitos Visuais
Adam Rowland, Trash
Cláudio Peralta, Rio, Eu te Amo
Guilherme Ramalho, Tim Maia
Robson Sartori, Irmã Dulce
Sérgio Farjalla e Robson Sartori, Alemão
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Melhor Som
Danilo Carvalho, Dirk Homann, Waldir Xavier e Matthias Schwab, Praia do Futuro
Felipe Schultz Mussel, Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Eduardo Virmond Lima, Alemão
George Saldanha, François Wolf e Armando Torres Jr., Tim Maia
Pedro Melo, Alessandro Laroca e Branko Neskov, Getúlio
Vampiro e Ricardo Cutz, O Lobo Atrás da Porta
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Melhor Banda-Sonora
André Moraes, Copa de Elite
Berna Ceppas e Mauro Lima, Tim Maia
Lina Chamie, Os Amigos
Mariana Aydar, Eduardo Nazarian e Duani Martins, Dominguinhos
Roberto Berliner e Pedro Bronz, A Farra do Circo
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Melhor Banda-Sonora Original
André Abujamra, Trinta
Antonio Nóbrega, Brincante
Anyónio Pinto, Trash
Fabiano Krieger e Lucas Marcier, Irmã Dulce
Federico Jusid, Getúlio
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sábado, 15 de agosto de 2015

Festival Internacional de Cinema de Locarno 2015: os vencedores

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Selecção Oficial
Leopardo de Ouro: Ji-geum-eun-mat-go-geu-ddae-neun-teul-li-da, de Hon Sang-soo
Prémio Especial do Júri: Tikkun, de Avishai Sivan
Actor: Jung Jae-young, Ji-geum-eun-mat-go-geu-ddae-neun-teul-li-da
Actriz: Tanaka Sachie, Kikuchi Hazuki, Mihara Maiko e Kawamura Rira, Happy Hour
Realizador: Andrzej Zulawski, Cosmos
Menção Especial do Júri: Shai Goldman, Tikkun (fotografia)
Menção Especial do Júri: Hamaguchi Ryusuje, Tadashi Nohara e Tomoyuki Takahashi, Happy Hour (argumento)
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Concorso Cineasti del Presente
Leopardo de Ouro: Thithi, deRaam Reddy
Prémio Especial do Júri: Dead Slow Ahead, de Mauro Herce
Realizador Emergente: Bi Gan, Lu Bian Ye Can
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Primeiras-Obras
Prémio Swatch Primeira Obra: Thithi, de Raam Reddy
Prémio Swatch Art Peace Hotel: Ma Dar Behesht, de Sina Ataeian Dena
Menções Especiais: Lu Bian Ye Can, de Bi Gan e Kiev/Moscow. Part 1, de Elena Khoreva
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Pardi di DomaniSelecção Internacional
Pardino d’oro - Curta-Metragem - Prémio SRG SSR: Mama, de Davit Pirtskhalava
Pardino d’argento SRG SSR: La Impresión de una Guerra, de Camilo Restrepo
Prémio Pianifica - EFA: Fils du Loup, de Lola Quivoron
Prémio Film und Video Untertitelung: Mama, de Davit Pirtskhalava
Menção Especial: Nueva Vida, de Kiro Russo
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Selecção Nacional
Pardino d’oro - Curta-Metragem Suíça - Prémio Swiss Life: Le Barrage, de Samuel Grandchamp
Pardino d’argento Swiss Life: D'Ombres et d'Ailes, de Eleonora Marinoni e Elice Meng
Revelação Suíça: Les Monts s'Embrasent, de Laura Morales
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Prémio do Público UBS: Der Staat gegen Fritz Bauer, de Lars Kraume
Prémio Variety Piazza Grande: La Belle Saison, de Catherine Corsini
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Excuse Me Lisbon (2015)

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Excuse Me Lisbon, de Guilherme Fernandes é uma curta-metragem luso-americana de ficção cuja história nos remete para o mais recente desgosto sentimental de Bobby (Bobby Rodríguez). Relutante, Bobby aceita o convite dos amigos para sair da cidade por uns dias e embarcar numa viagem até Lisboa para poder descontrair e pensar na sua vida.
No entanto, é no regresso à sua realidade que é finalmente revelado o verdadeiro problema de Bobby...
A um passo relativamente lento, Excuse Me Lisbon centra a atenção do espectador desde o primeiro instante para uma história sentimental e de reencontro com o "eu" perdido e desgostoso de "Bobby", um tipo já perto dos seus trinta('s) que fora uma vez mais abandonado por uma das suas namoradas. Ainda que de forma ligeira, a sensação que é transmitida ao espectador é que esta não é a primeira vez - ou quem sabe a última - que alguém o abandona. De expressão pacata e até algo desinteressada, "Bobby" parece aquele tipo de amigo que todos têm - e aparentemente é mesmo esse o caso - e no qual todos depositam a sua confiança e entusiasmo. Mas... e se "Bobby" fosse uma pessoa totalmente diferente daquilo que deixa transparecer aos seus inúmeros amigos? E se por detrás de toda aquela tranquilidade existisse outro "Bobby" que ninguém conhece?
Depois de uma viagem promocional por Lisboa onde o mais desatento dos espectadores pode sempre encontrar a Ponte 25 de Abril, um jogo na Luz ou até mesmo a tão famosa ginjinha, é com base nesta referida premissa que Excuse Me Lisbon termina. Sim, termina. Depois de um cartão promocional que possa induzir ao turismo lisboeta, que poderá funcionar se esta curta-metragem tiver público exterior ao português, o melhor é deixado praticamente de lado. O que existe dentro do apartamento de "Bobby" com o qual ele acabou por ser tão (des)cuidado... Quem será na realidade este homem? Alguém a quem as mágoas e traumas do passado marcaram e o transformaram ou simplesmente um monstro escondido por detrás de uma pacata existência?!
Com a clara noção de que esta curta-metragem tinha - tem? - pernas para andar para outros rumos e desenvolver todas as personagens que aqui são ligeiramente abordadas - quem sabe a visita de "Amália" (Alexandra Negrão) a "Bobby" ou até mesmo aquele senhorio "George" (Daniel Kellman) que começa finalmente a suspeito do insuspeito, Excuse Me Lisbon mostra as fragilidades de um eventual primeiro trabalho do realizador mas que, ao mesmo tempo, expõe a necessidade de contar bem uma história que aqui apenas se introduz e que desperta o espectador quando a cortina está prestes a tapar o ecrã.
Interessante mas ainda não um filme "essencial", Excuse Me Lisbon precisa de terminar a construção de personagens que aqui inicia e dar um fundamento às acções de "Bobby"... nem que esse seja o simples "prazer" por detrás dos seus actos.
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6 / 10
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terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Pátio das Cantigas (2015)

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O Pátio das Cantigas de Leonel Vieira é uma longa-metragem portuguesa e o primeiro de três remakes de clássicos portugueses da já ida década de 40 do século passado, ao qual se seguirão O Leão da Estrela em 2015 e A Canção de Lisboa em 2016.
Num bairro típico de Lisboa onde todos se conhecem e convivem no seio das suas tristezas e alegrias, os sonhos de alguns dos seus habitantes confundem-se com os de todos os demais. No seio de toda a trama temos Evaristo (Miguel Guilherme), dono de uma mercearia gournet perdido de amores por Rosa (Dânia Neto) que está, por sua vez, mal de amores com Narciso (César Mourão). À sua volta, todo um conjunto de enredos que demonstra que este bairro típico, mas muito alternativo, da capital vive muito para lá do que as festividades dos santos populares podem proporcionar.
Pedro Varela adapta o argumento original de 1942 da autoria de Vasco Santana, António Lopes Ribeiro e Francisco Ribeiro e recria sim as vivências de um então bairro popular de Lisboa transformando-o naquilo que se equaciona - em alguma medida - ao século XXI do mesmo. Já não temos mercearia típica mas sim gourmet nem tão pouco uma certa ingenuidade de então que é agora reencarnada com o cinismo e alguma hipocrisia destes novos tempos em personagens tipo sedentas de poder, fama e dinheiro... e onde vale tudo. Se no original de '42 o espectador assistia ao desenrolar das relações permitidas na época onde o amor e a afectividade tinham de ser às claras para que todos testemunhassem as boas intenções alheias - fruto do regime então vivido - neste O Pátio das Cantigas de 2015, a sexualidade é não vivida no calor e na intensidade da noite como também se espelham as realidades - então - escondidas, onde nem a saudosa "Maria da Graça" (Oceana Basílio) vinda do Brasil para o seu bairro Lisboeta deixa de denotar a sua homossexualidade em pela representação Shakespeariana.
Que a sexualidade existe e que faz parte do dia-a-dia todos nós sabemos mas, no entanto, o espectador é obrigado a questionar-se sobre os seus propósitos narrativos quando na prática apenas parece existir para atrair um mais vasto público... Propósito este falhado quando não só se encontra descontextualizado e despropositado como já o vimos melhor enquadrado e com lógica - se é que o sexo o deve ter - em milhentos outros filmes. Dito isto... "não havia necessidade"...
Com alguns elementos típicos nomeadamente no que diz respeito à celebração das festas populares de Lisboa ou até mesmo uma certa tentativa de recriar o espírito de bairro - na vizinhança, na decoração dos apartamentos e ainda no convívio entre moradores -, não é menos verdade que O Pátio das Cantigas peca por uma extensa dispersão de personagens bem como por um total e completa ausência de uma estrutura narrativa que consiga credibilizar a maioria das mesmas. Se esta obra tinha como objectivo o tal conceito de remake daquela dos anos 40, não é menos verdade que apenas consegue transportar essa vivência de bairro para o século XXI esquecendo a essência das personagens originais, ou seja, não existe tanto uma transposição das mesmas mas sim a sua recriação para se enquadrarem na realidade do presente. Dito isto, o espectador mais atento questiona-se se existia necessidade de criar enredos alternativos cujo único propósito é credibilizar estas personagens que, na prática, são nulas e sem qualquer importância para o filme apenas dando "vida" a referida vizinhança mas atropelando-se com uma total desconexão de histórias, momentos ou qualquer sentido. É certo que Lisboa ganha o dono do hostel que também é carteiro (Manuel Marques), a sua cozinheira que também é vendedora de sapatos (Dânia Neto), as oportunistas do bairro que nunca irão chegar a lado algum (Sara Matos e Bruna Quintas) e até o bombeiro desatento e a divorciada sem estima (Rui Unas e Anabela Moreira) mas, ainda assim, precisaria esta história de tantas personagens que se anulam e atropelam em momentos inconsequentes que não só não conseguem ser desenvolvidos como para lá disso conseguem ser por momentos absurdas?!
Aqueles que deveriam ser protagonistas o "Narciso" de César Mourão e o "Evaristo" de Miguel Guilherme, perdem-se nesta história graças a essa avalanche de personagens. Mourão constrói uma pobre e muito barata imitação de Vasco Santana, e nem o eterno momento homem versus candeeiro consegue ter qualquer "carisma" ou marca para o futuro, e o "Evaristo" de Miguel Guilherme que na altura de António Silva era uma personagem tipo não só da época como do cinema declamatório português é aqui uma caricatura - igualmente pobre - de alguém com um sério problema na sua fala que mais parece ser alguém com prisão de ventre e que tenta descontroladamente controlar-se. Miguel Guilherme que sai de 2015 com uma intensa e seguríssima interpretação secundária em Capitão Falcão aparece aqui com um registo que oscila entre o absurdo/cómico e o irrelevante.
O que se salva de O Pátio das Cantigas versão 2015?! Pouco... Francamente muito pouco. Para lá de um registo secundário interessante e bem composto a cargo de Rui Unas - o bombeiro "Carlos" tem a sua graça - e de um sentido cheiro a século XXI - um condutor de tuk tuk como meio e método de vida e a presença dos actuais hostel com os seus sempre presentes turistas espanhóis (quase mudos) - há ainda a vontade de mostrar Lisboa como a tal cidade multicultural deste século... Portugueses, brasileiros, espanhóis e indianos, todos co-habitam nesta Lisboa moderna num filme que até se dá ao luxo de terminar com um momento musical à Bollywood que, ainda que "enfiado" neste argumento não deixa de estar bem executado e ser um dos momentos mais simpáticos do filme que se quisesse realmente ter primado pela originalidade teria começado por aqui e não por uma recriação barata de um clássico do cinema português.
Que é, esteja ou venha a ser o "maior sucesso do ano no cinema português"... não tenho a menor das dúvidas... mas está longe - muito longe - de se distanciar daquela corrente cinematográfica onde se inserem títulos como 7 Pecados Rurais, Sei Lá, Eclipse em Portugal ou Ruas Rivais... muito público... mas muito pouca parra... e menos ainda conteúdo...
Se existia expectativa quanto a este título, a sua confirmação veio apenas permitir a extrapolação sobre o que aí vem no final do ano com O Leão da Estrela e depois em 2016 com A Canção de Lisboa... que é como quem diz... medo... muito medo.
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2 / 10
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La Propina (2015)

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La Propina de Esteban Crespo é uma curta-metragem espanhola de ficção e o mais recente trabalho do realizador da curta-metragem vencedora do Goya e nomeada ao Oscar na sua categoria Aquel No Era Yo.
O improvável encontro entre uma diva de outros tempos (Amparo Soto) e o jovem empregado de uma florista (Alberto Ferreiro) converte-se numa história com um inesperado final quando a primeiro se recusa a assinar o recibo de entrega das flores e o jovem fica sem forma de cobrar o seu valor.
Num engenhoso e algo sentimental argumento que o próprio realizador escreve, La Propina insere o espectador em duas distintas dinâmicas entre passado e presente à semelhança do que já acontecera com a já referida Aquel No Era Yo. A primeira dessas dinâmicas surge com o conto no passado, ou seja, a dinâmica inicial (re)criada entre as duas personagens principais e que, de certa forma, é não só a central como a principal pois é a partir dela que somos levado para o segundo momento - o futuro - onde todas as não coincidências ganham forma e dimensão.
No passado o espectador observa a estranha cumplicidade formada entre a diva e o jovem, a falta de futuro sentida pela dificuldades económicas de um e, por outro lado, a distância de um passado que fora a maior glória da vida do outro. Num ardiloso plano que junta as necessidade de ambos - um de ser recordado e o outro de ser pago pelos seus serviços - Crespo e a sua La Propina perspectivam de imediato a possibilidade de um futuro através da confirmação dessa glória passada e que por algo tão simples como um autógrafo poder confirmar a satisfação - futura - do outro.
De acaso em acaso e de eventualidade em eventualidade que aos poucos se confirma, La Propina mescla harmoniosamente um certo cinema clássico com as inevitabilidades do mundo moderno onde sonhos e prazer vivem de mãos dadas confirmando que o Homem não só espera a confirmação da sua glória passada mas que tem, obrigatoriamente, de olhar para um futuro que no presente se apresenta incerto e quase impossível.
Num distinto registo daquele apresentado com Aquel No Era Yo, Esteban Crespo confirma uma vez mais o seu toque de sensibilidade para contar histórias que o próprio dirige recorrendo a sentidas homenagens àqueles que por vezes os tempos esquecem mas que se encontram sempre grandes e eternos como aquilo que em tempos foram - e são - deixando não só uma marca óbvia à interpretação de Amparo Soto como a confirmação de Alberto Ferreiro como um dos novos rostos do cinema espanhol.
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8 / 10
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La Piel y el Alma (2013)

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La Piel y el Alma de Marc Nadal é uma curta-metragem espanhola de ficção que retrata um cenário de um amor proibido.
As irmãs Mar (Núria Molina) e Celia (Montserrat Ocaña) conversam. Tudo parece uma estranha despedida que se confirma quando Mar se expõe à sua irmã mais velha. Conseguirá uma relação entre duas irmãs sobreviver a uma invulgar e inesperada revelação?
Marc Nadal constrói toda uma atmosfera de terror interno não só pela difícil questão que aqui coloca sobre um eventual amor romântico e sentimental entre duas irmãs como também pela densa atmosfera que a direcção de fotografia - também da sua autoria - cria num pequeno espaço que se sente enclausurado e reprimido.
Dividida em dois claros segmentos, esta curta-metragem apresenta-se inicialmente como uma história de duas irmãs cúmplices nos seus desabafos e sentimentos sendo "Celia" - a irmã mais velha - a eterna confidente de "Mar" até que esta última revela ter um segredo constrangedor. O segundo momento apresenta-se então na revelação de que este segredo poderá por um lado comprometer esta amizade como, por outro, se não o conseguir revelar a irá consumir de forma devastadora.
Sem tréguas ou atenuantes, o espectador é forçado a entrar nesta dinâmica semi-labiríntica quando a partir de um certo momento se torna impossível regressar e onde todas as evidências têm de ser expostas. De forma fria e avassaladora - para as personagens e para o espectador que cedo percebe não existir qualquer tipo de condescendência ou retorno - La Piel y el Alma retrata de forma crua o incesto não cometido - mas desejado - e a quebra de um elo ao qual jamais irão regressar.
Sem pudor Marc Nadal cria assim uma interessante e tensa curta-metragem que esquece os tabus apresentando-se como uma filme desafiante e com duas fortes e intensas interpretações que (se) consomem toda a réstia de uma esperança... não no amor/desejo sentido por uma das personagens mas sim pela forma como se percebe que a ideia da família perfeita cedo desmorona em favor de um afastamento que se torna anunciado.
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7 / 10
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Marta (2015)

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Marta de Bernardo Gomes de Almeida é uma curta-metragem de ficção portuguesa cuja personagem homónima é interpretada por Sara Barros Leitão.
Quando Marta e Tiago (Tomás Alves) chegam a casa sente-se o clima de desespero e agonia. Quando se preparam para tomar um chá Ele (Filipe Vargas) bate à porta e pede para falar com ela. A tensão é notória até que Marta revela finalmente parte do seu passado.
O realizador e também argumentista Bernardo Gomes de Almeida assina esta história onde a dor e a perda andam de mãos dadas com um passado já longo. Se por um lado o espectador percebe de imediato a tensa relação entre "Marta" e o "Homem" que acaba de lhe bater à porta depois do funeral da sua mãe, não é menos verdade que é no momento em que a sua identidade é revelada que percebemos - ou pelo menos desconfiamos - dos porquês de o ter recebido de forma que oscila entre a indiferença e o ódio. É então que percebemos a sua perda... A perda da inocência que lhe chegou em muito jovem idade com o desconhecimento - ou pacto silencioso - da mãe e que a tornavam imediatamente numa jovem em risco cuja dor provocada, desde esse momento, lhe modelaram não só a capacidade de confiança, de entrega como também a vulnerabilidade perdida fruto da desconfiança que tem para com o "outro".
Mas a relação entre a sua perda e a sua dor não ficariam por aí quando "Marta" confessa que o abuso iria dar lugar a uma nova e indesejada vida provocada por aquele por quem deveria ter mais confiança e amor... o seu pai. Num aguardado confronto onde os ódios renascem e onde "Marta" revela um misto de fragilidade e de uma força desconhecida que a fazem enfrentar o rosto de um mal próximo e Sara Barros Leitão revela em escassos minutos toda a grande alma entregue a uma personagem atormentada e que ficou perdida algures no tempo com a sua perda, a sua dor e a mágoa acrescida de uma jovem que foi forçada a crescer muito antes do seu tempo.
A dinâmica entre Filipe Vargas e Sara Barros Leitão é por demais evidente e bastam estes breves minutos de Marta para perceber o extremo empenho de dois grandes actores capazes de personificar com aprumo dois lados bem opostos. Vargas nunca se assume como o "mau" guardando para a sua personagem toda uma calma e tranquilidade que apenas alguém convencido que agiu por bem pode ter e, por sua vez, Barros Leitão faz da sua personagem - uma clara vítima aos olhos da sociedade - uma sobrevivente que não se vitimiza... Pelo contrário, "Marta" reage de frente e sem vacilar àquele que lhe roubou tudo quanto tinha de mais puro especialmente quando este regressa como se no passado não existisse nada de transcendente, qual pai "perfeito".
Depois de Projecto V (2012) e Contactos 2.0 (2014), Marta é a afirmação de Bernardo Gomes de Almeida como um interessante cineasta português cujo trabalho deve ser seguido, e cujas histórias não encerram na sua totalidade deixando sempre uma margem para que um dia mais tarde estas suas personagens regressem e nos revelem um pouco mais da sua história.
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8 / 10
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O Último Dia de Um Homem Morto (2013)

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O Último Dia de Um Homem Morto de Joel Rodrigues e André Agostinho é uma curta-metragem portuguesa de ficção na qual Alfredo (José Freixo) surge coberto de sangue e a arrastar o corpo de Joaquim (Joel Rodrigues) por umas escadas. Quando Joaquim desperta e percebe a sua nova condição em cativeiro, o espectador é levado a um passado em que conhece toda uma terrível história de dor física mas principalmente uma dor psicológica que destrói a mente humana.
Joel Rodrigues, André Agostinho, José Freixo e Diogo Silva assinam um argumento que roça os princípios do terror físico na medida em que praticamente toda esta história se desenvolve num espaço onde uma vítima enclausurada é sujeita à mais variada tortura mas, ao mesmo tempo, é também verdade que aos poucos percebemos que esta tortura é mais psicológica quando descobrimos quem é realmente "Alfredo".
A certa altura, e graças a uma sobreposição de imagem, o espectador compreende a complexidade de uma mente perturbada como é a de "Alfredo", um homem atormentado pela sua vida e experiências, que o condicionam a um estado de constante alucinação não distinguindo o "eu" do "outro" e até mesmo mesclá-lo num novo ser que o próprio não reconhece.
Quando a dor provocada pela vida intensifica um sofrimento já de si extremo, a mente, o pensamento e a consciência desligam-se da realidade vivida fazendo-a escapar para uma realidade paralela que o façam ignorar o momento que vive. Assim, num duelo entre o real e o imaginado, a verdade e a mentira, apenas uma alucinação extrema o conseguem fazer sentir-se vivo quando, na realidade, a vida escapa perante os seus dedos sem que disso se dê conta.
Com uma química presente entre os dois actores, Joel Rodrigues dirige-se a si próprio nesta curta-metragem mas, ao mesmo tempo, distancia-se do seu duplo papel para entregar um determinante protagonismo a José Freixo que encarna na perfeição o retrato de um corpo e de uma mente perdidos no seu próprio labirinto de dor que o fazem escapar à sua realidade entrando num domínio onde ele realmente se perde.
O Último Dia de Um Homem Morto é assim uma interessante curta-metragem sobre a dualidade do ser e da mente mas que, ao mesmo tempo, mereceria uma maior exploração das suas personagens, dos seus passados e das suas limitações que os transportaram àquele espaço e àquele local que estranhamente fazem parte do seu ser sem que, os próprios, sejam dali.
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7 / 10
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domingo, 9 de agosto de 2015

Dark Places (2015)

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Lugares Escuros de Gilles Paquet-Brenner é uma longa-metragem franco-americana e a mais recente estreia cinematográfica de Charlize Theron depois do esperado Mad Mad: Fury Road.
Libby Day (Theron) tinha apenas oito anos em 1985 quando a mãe e duas irmãs foram brutalmente assassinadas na sua casa durante a noite. Depois da detenção de Ben (Tye Sheridan), o seu irmão mais velho, Libby viveu toda uma vida como a "criança vítima" que toda a comunidade decidiu auxiliar.
Mas quando trinta anos depois uma comunidade de investigadores decide recuperar o caso e desvendar todas as pequenas questões que ficaram por responder, Libby vê toda a verdade ressurgir num caso que a atormentou toda a sua vida revivendo assim os trágicos acontecimentos daquele noite.
Num ano em que se assume como uma presença constante nos ecrãs, Charlize Theron não só protagoniza como produz este Dark Places, um thriller dramático no qual volta a contracenar com Nicholas Hoult - tal como no já referido Mad Max: Fury Road - e que coloca o espectador no centro de uma história que mescla o passado e o presente, as memórias e uma confusão de sentimentos que apenas são desvendados no final. No centro de um Kansas rural, as vidas desgastadas não só pelas crises financeiras como principalmente por um conjunto de elementos pessoais que esvaziam as esperanças daqueles que atravessam uma já de si complicada situação, levam a que todas aquelas pequenas grandes diferenças que fogem ao "normal" do meio sejam apontadas como as causadoras de todo o mal. Um mal que não existe necessariamente no "outro" mas sim no "eu" que o observa com desdém e até alguma inveja por conseguir e querer ser diferente... algo que "deste lado" nunca é conseguido.
É com base nesta premissa que se desenvolvem os destinos de "Ben", um jovem solitário e com um espírito relativamente grande demais para o pequeno espaço em que vive e que fruto das suas escolhas de adolescente "alternativo" - para o meio - se vê no centro de um conflito social em que é apontado por tudo... e todos. É quando a tragédia invade a sua casa com a morte da mãe e de duas das suas irmãs que "Ben" vê todos os rumores da cidade caírem sobre si como se de factos já confirmados se tratassem sendo ele culpado de todo o mal que aconteceu dentro do seu lar. Mas... o que aconteceria se anos depois alguém resolvesse olhar para os factos e não para o preconceito que o resolveu "julgar"? Numa América de várias "Américas" - que é como quem diz diversas realidades - que importância tem o elemento diferente que destoa da realidade socialmente aceitável? No seio de um conservadorismo atroz que julga sem conhecer, quem é que ousa ser diferente? Quem ousa pensar pela sua própria cabeça ou até mesmo viver independente? E mais importante que tudo isto, quem poderia sequer demonstrar solidariedade perante uma família que tem - na opinião dos demais - um adorador de Satanás no seio das suas quatro paredes?!
Dark Places é para além do "ensaio" sobre a diferença, um conto sobre aqueles lugares onde a mudança e o tempo não passaram - ou passaram sem deixar marca - e que exteriormente tudo é muito bonito e polido mas que no seu interior esconde um núcleo podre que se refugia no poder do dinheiro e naqueles que na sua falta são engolidos pelo mesmo. Esses lugares onde a sobrevivência depende do engenho próprio e da capacidade de resistir no silêncio a um mundo adverso onde o sacrifício pessoal dita a qualidade de cada um e os sentimentos são uma miragem desconhecida.
O engano e o rumor estão sempre presentes em Dark Places. A incerteza paira no ar e a única coisa que o espectador mantém como certa é que as aparências revelam-se - a seu tempo - correctas e que os culpados (pelo menos alguns...) são verdadeiramente culpados estando, no entanto, a atenção desviada daqueles que o são. As evidências nem sempre o são... tal como as certezas. E aquilo que inicialmente era dado como uma prova da culpa de alguém não o é... assim como todas as vítimas... nem sempre o são. No fundo, aquilo que Dark Places nos faz descobrir é que nem sempre quem sofre é uma vítima inocente... por vezes contribuiu para a sua condição - com um sentido de abnegação - e por outras é uma vítima consciente em nome da salvação de alguém que desconhecendo faz parte do seu ser. Sem nunca esquecer que nem tudo é como inicialmente parece aos olhos dos espectador que sente desde o primeiro momento que a história tem mais do que aquilo que revela... mas que as surpresas só poderão - irão - chegar no final.
Para lá dos pré-julgamentos que sabemos existirem nos meios pequenos onde todos são "obrigados" a parecer mais do que aquilo que realmente são, Dark Places lança ao espectador uma outra questão fundamental... até onde estaria disposto a ir para salvaguardar aqueles de que mais ama? Esta questão que é "encarnada" por "Patty" (Christina Hendricks), a matriarca dos "Day", mas também por "Diondra" (Andrea Roth/Chloë Grace Moretz) que esconde durante anos o seu próprio segredo apenas conhecido de "Ben". Se para a primeira esta questão pode ser respondida por motivos de segurança e de planeamento de um futuro ao qual (não) poderá - irá - assistir, para a outra esta salvaguarda é meramente animal e instintiva sendo que a sua preservação só estará garantida se tudo for executado sem deixar as tais "pontas soltas".
Mas esta sobrevivência não se prende apenas com o poder chegar à frente mais um dia. Ela prende-se principalmente com a capacidade de chegar a esse dia sabendo que tudo aquilo que foi deixado para trás está resolvido fazendo com que seja possível viver de consciência tranquila com esse momento. Saber que somos capazes de impedir que o "mal" - tal como é a certa altura referido por "Libby Day" -, apenas pode(rá) entrar se lhe permitirmos entrada. Saber que perdoámos aquele "eu" que deixámos para trás e que por muito assustado que se encontrasse em tempos mais conturbados da sua (nossa) existência, o dia de amanhã será mais tranquilo e pacífico apenas conseguido com o perdão que lhe (nos) reservámos.
"Libby Day", ainda que uma vítima inconsciente, torna-se uma nova criação quase insensível de Charlize Theron na medida em que nada da sua história pessoal lhe reserva uma memória agradável do seu "eu", assumindo-se uma vez mais como a anti-heroína de serviço. O espectador fica quase indiferente à sua condição/situação durante a maior parte do filme e apenas aos poucos já bem perto do final consegue sentir alguma empatia com a sua personagem. No fundo, ainda que uma vítima desde jovem idade, Charlize Theron consegue criar uma personagem com a qual não existe grande simpatia mesmo tratando-se de uma jovem que esteve no centro de um brutal triplo homicídio tendo perdido toda a família no processo. Para lá de vítima ou de uma ocasional oportunista da sua própria situação, a personagem de Charlize Theron consegue manter-se ora distante e insensível ora curiosa e perdida. Afinal, o que será a realidade?
Destaque ainda para as interpretações de Tye Sheridan e Chloë Grace Moretz, dois dos novos jovens talentos de Hollywood com um percurso seguro e forte que conferem esperança para a nova geração de actores que com as suas personagens se colocam em planos bem distintos entre o Bem e o Mal e ainda as participações secundárias mas decisivas de Nicholas Hoult e Corey Stoll que não tendo grande tempo de antena em Dark Places se assume como uma figura central na evolução de toda a história.
Dark Places é assim um filme cuja história dá ênfase à eterna questão: e se o rumor ganhar vida própria? Mas acima de tudo isso faz ainda uma outra questão... e se depois de ganhar essa vida tudo o que acontecer à sua volta for imediatamente considerado como uma verdade que não se questiona? Confirmado que fica, onde poderá alguém encontrar a sua defesa?
Numa altura em que as salas de cinema ficam cheias de filmes pipoca na sua maioria sem o mínimo de interesse, Dark Places afirma-se como uma interessante e segura aposta através de uma história que para lá das evidências se afirma com as surpresas que reserva porque nem tudo é como parece ser.
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"Libby Day: The truly frightening flaw in humanity is our capacity for cruelty - we all have it."
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8 / 10
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Minhas Piores Lembranças do Fim do Mundo são Aquelas que não Guardei nem por um Segundo (2014)

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Minhas Piores Lembranças do Fim do Mundo são Aquelas que não Guardei nem por um Segundo de Danilo Godoy é uma curta-metragem de ficção brasileira que cruza passado e presente numa história de um amor perdido num trágico acontecimento.
Em casa, Maria (Rita Batata) assiste a uma VHS cujo título é "Barcelona 1989". Lá fora junto à sua porta Ele (Guilherme Gorski) faz distribuição de encomendas para a casa sua vizinha. Maria observa-o com uma curiosidade que rapidamente se transforma em voyeurismo confundindo esta observação com as suas próprias memórias.
Neste processo Maria conhece a sua vizinha... uma professora de Ikebana (Massae Yamaguti) que lhe devolve as fotos que Maria havia deitado fora.
Danilo Godoy, também o autor deste argumento, cria uma história que cruza de forma determinante o passado com o presente, a memória com a realidade e principalmente a relação que o antes e o depois têm na condição física e psicológica de cada um de nós onde a comunicação presente é quase exclusivamente tida através do gesto, da expressividade e daquela que é não verbalizada. "Maria" é uma jovem mulher afectada pelos acontecimentos traumáticos do seu passado que - deduzimos - estarem presos com a morte daquele que foi possivelmente o único amor da sua vida. Numa clara relação entre o seu passado e o seu presente - ambos encarnados pelo personagem que conduz uma mota, antes como seu namorado e agora como um rapaz que entrega recados e encomendas interpretado por Guilherme Gorski - "Maria" sente uma clara recordação daquilo que em tempos tivera e que agora nada mais é do que um passado perdido e distante.
Presa nas quatro paredes da sua casa e das memórias que ainda conserva, "Maria" definha num claustro que a impediu de viver, de sentir e até de evoluir. Constrangida pela prisão que essas memórias lhe conferem, ela apenas desperta deste "sono" quando uma mota pára em frente da sua casa e, ainda que não seja para ela ou tão pouco quem esperaria que ali estivesse, "Maria" passa a ter o que até então lhe tinha desaparecido... o desejo. O desejo de saber, de conhecer, de experimentar e de criar que lhe são igualmente despertados pela inesperada presença da professora de Ikebana que lhe faz perceber que a criação nunca está errada sendo sim um espelho de um estado de espírito, de um sentimento, da perda e da tristeza, da alegria e da descoberta. São o reflexo no presente de um passado tido, vivido e experimentado.
Do silêncio solitário em que observava o mundo através da sua janela, "Maria" passa a procurar o "outro" - que não o "seu" - na esperança (in)consciente de poder voltar a conectar-se com o mundo que abandonara para sarar as suas feridas da perda sendo este o exacto momento que, sem perceber, se liberta do passado que a enclausurava e que reentrava no mundo presente que esperava por ela. O fim do mundo foi, para "Maria", a perda da única pessoa que eventualmente significava algo para a sua própria existência sendo desde esse preciso momento consumida pela memória de algo que já não tinha. Algo que não a tendo abandonado deliberadamente a deixou perdida num mundo de memórias e de lembranças que que a faziam pensar no quão bom "havia sido". É esta lembrança que aquela mota e o seu condutor vêm uma vez mais despertar na sua memória.
Ainda que as personagens secundárias de Minhas Piores Lembranças do Fim do Mundo são Aquelas que não Guardei nem por um Segundo sejam fundamentais para a dinâmica desta história, não é menos verdade que é em Rita Batata que existe toda uma evolução que oscila entre a mulher apagada e afastada por vontade própria do mundo até àquela que pretende todo um novo contacto humano mesmo que este surja através de um hobbie para o qual jamais havia pensado tomar parte. De mulher amargurada a alguém que (des)espera por voltar a sentir "algo", Rita Batata assume-se como uma força relativamente silenciosa mas assumidamente viva. Um apontamento positiva para Guilherme Gorski que se sente presente durante toda esta curta-metragem mas de uma forma invulgar uma vez que parece ser apenas um fantasma do passado que resolveu surgir na vida da mulher que em tempos amara. Ou pelo menos um que resolveu na medida das suas possibilidades trazê-la de volta à vida que abandonara.
Destaque ainda para a direcção de fotografia de Alexandre Escanfella que faz o espectador sentir-se constantemente num espaço etéreo, inexistente e que apenas habita a mente daqueles que viveram uma dada situação... Perdidos entre o paraíso - ou purgatório - ou as ideias de um ser, a luminosidade captada nesta curta-metragem assumem-se pouco "terrestres" e mais presentes no campo do sonho, da imaginação e da memória realçando uma invulgar história de amor que parou no tempo... sem se perder.
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8 / 10
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sábado, 8 de agosto de 2015

La Famille Bélier (2014)

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A Família Bélier de Eric Lartigau é uma longa-metragem de ficção francesa nomeada a vários César da Academia Francesa de Cinema tendo saído vencedora do de Actriz Revelação atribuído a Louane Emera.
Paula (Emera) é uma jovem adolescente e a única na família que consegue ouvir. O pai Rodolphe (François Damiens), a mãe Gigi (Karin Viard) e o irmão Quentin (Luca Gelberg) são surdos-mudos desde nascença e Paula ajuda-os em todas as tarefas burocráticas e laborais tendo-se tornado adulta antes do seu tempo.
Na escola Paula tem uma paixoneta por Gabriel (Ilian Bergala) pelo que se inscreve nas aulas de coro para poder passar mais algum tempo com ele. No entanto, e contra tudo aquilo que ela própria pensava, Paula revela uma magnífica voz sendo convidada para um concurso de canto e bolsa de estudo pelo seu professor Fabien (Eric Elmosnino). Conseguirá Paula deixar a sua família e rumar para outra cidade?
O argumento original de Eric Lartigau, Thomas Bidegain, Victoria Bedos e Stanislas Carré de Malberg é uma pequena pérola e este filme poderá - infelizmente - passar ao lado do grande público que prefere ignorar cinema falado que não em língua inglesa. Para lá de mais uma comédia francesa, La Famille Bélier é sim uma comédia mas uma que prefere abordar as excentricidades de uma família invulgar sem esquecer todos os dramas que estão associados não só à condição que afecta três dos seus membros mas também aqueles de uma família com dois adolescentes e uma activa vida profissional que não esquece um pequeno toque de política.
Longe de uma qualquer comiseração ou indulgência pelo casal protagonista, La Famille Bélier aborda questões de dois pais que vivem uma vida livre de preconceitos e com uma acentuada dose de carisma onde residem os seus espíritos livres, encarando a fase de crescimento dos seus filhos de forma livre e libertária celebrando não só a vida como todos aqueles pequenos momentos que partilham de forma empolgante como se o último momento que vivem fosse o seu último. Os Bélier são, essencialmente, uma família longe de todas as formalidades e códigos... Aliás, o único código que têm é simplesmente não existirem regras per si.
Mas o que acontece quando um destes elementos, aqui pela personagem "Paula" interpretada por uma inspirada Louane Emera, revelam que a sua vida está para lá daquela pequena vila onde sempre viveu? O que acontece quando se percebe que existe tanto para lá daquilo que sempre se conheceu mas que, ao mesmo tempo, separar-se daqueles com quem se têm os mais fortes elos provoca uma dor nostálgica profunda? É esta mesma dor que leva a que se inicie o primeiro momento de tensão entre pais e filha - principalmente mãe e filha - que revela a dor que sentiu ao ter uma filha "diferente" - para eles... tal como já havia sido mencionado ao longo do filme que também o tal bezerro era diferente dos demais - e que sempre havia odiado pessoas que ouviam... "Gigi", num desempenho magnífico de Karin Viard nomeado ao César, é uma mulher que sofre pela segunda vez... Primeiro por ter uma filha que revela ter pensado com quem não saberia comunicar, e agora de quem tem uma dependência extrema e que vê finalmente "partir".
Neste que é um dos mais tensos e "amargos" momentos de La Famille Bélier, o que se celebra não é essa indiferença entre mãe e filha mas sim a forma encontrada pela primeira de se separar - arriscaria dizer rejeitar se não fosse tão cruel - da sua prole em nome de uma auto-preservação sentimental e emocional que percebe não conseguir controlar. "Paula" é como o elo de ligação da família ao resto do mundo e ainda que sabendo interagir com os demais, "Gigi" entende que não poderá voltar tão depressa a contar com o apoio da sua filha sendo mais fácil afastá-la do que viver com a dor de lhe ter dado a sua benção.
Mas não há momento como aquele em que a família se "reencontra", e Eric Lartigau filma com uma sensibilidade extrema os momentos em que os pais Bélier assistem não só ao dueto da sua filha com "Gabriel" como também à audição que a jovem "Paula" faz na escola. Se no primeiro momento Lartigau priva o espectador de escutar o dueto colocando-o na mesma situação que os seus pais podendo apenas assistir às reacções e emoções que o restante público emite, no segundo faz da audição da jovem um momento de verdadeira comunicação com os seus pais através da linguagem gestual que esta havia ensaiado. Dois momentos verdadeiramente emotivos que apenas encontram igual na despedida final da jovem e da restante família que não revelarei na esperança de que este comentário chegue a alguém e desperte a sua curiosidade em assistirem a um filme diferente mas que preenche pela sua franqueza e transmissão de momentos de uma disposição verdadeiramente contagiante.
Se de Karin Viard ou de François Damiens muito se poderia dizer sobre o seu mais que confirmado talento, é de Louane Emera - justa vencedora do César Revelação - que se tem de fazer notar um comentário bem positivo não só pelo seu sentido de comédia recatada como principalmente pela sua entrega e dedicação à expressão de um conjunto de sentimentos que podendo ou não fazer uma lágrima fazem, com toda a certeza, despoletar todo um conjunto de emoções.
Um filme simples, bem disposto mas também emotivo... La Famille Bélier é a confirmação de que o cinema francês (sobre)vive com boa saúde, com disposição e muita dedicação sem medo de contar bem histórias diferentes mas simples. E o espectador que atente aos momentos musicais... os mais poderosos de todo o filme...
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8 / 10
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Uggie

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2002 - 2015
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Trois (2015)

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Trois de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem de ficção espanhola e que dá continuidade à premissa que rege a curta-metragem Fugaces que hoje mais cedo aqui comentei.
Ele (Álex García) e Ele (Adrián Expósito) conhecem Ela (Marine Discazeaux). Eles espanhóis, Ela francesa. Não falam a mesma língua e passaram a noite juntos na praia. Para um deles foi o primeiro ménage à trois. Falam... mas não se entendem.
O ménage à trois inventaram-no os franceses mas... onde fica o amor?
Pérez Toledo volta uma vez mais e de forma astuta à temática das relações humanas. Em que lugar ficou o amor num ménage à trois? Será este a única forma de duas pessoas, cuja atracção é mútua e evidente, conseguem encontrar para se amarem? A falta de comunicação aqui levada à letra através da representação em duas línguas distintas - francês e espanhol - é, no entanto, uma forma inteligente e figurativa da falta de capacidade das pessoas comunicarem realmente entre si e transmitirem as suas preocupações, desejos e sentimentos. Se aquela noite é para "Ela" francesa e a tentar recuperar de um passado complicado - que não é nunca facultado ao espectador - para "Eles" foi a transformação em algo real de um sentimento maior até então impossível de expressar. Aquela noite, e principalmente aquele ménage à trois, foi a confirmação de um amor não declarado - apenas o é com um muito francês mas também muito universal je t'aime - revelado entre os dois amigos espanhóis com aquele que é possivelmente o único afecto/sentimento expressivo do tal amor que esta curta-metragem vê cumprir.
No entanto, existe mais para lá da confirmação deste sentimento. Existe ainda uma alma estrangeira e que não consegue - nem tenta - revelar o quão de positivo foi aquela noite para ela... como de certa forma a salvou de um passado de infelicidade não sabendo ela que, também para eles, esta noite também os salvou de um segredo vivido, sentido e até então nunca confessado... o amor.
Sempre presente nos brilhantes argumentos de Pérez Toledo está não só a dinâmica das relações humanas como principalmente esta (in)comunicabilidade que nos (des)governa diariamente... Porque razão teremos tanto medo de confessar os nossos sentimentos e aquilo que somos àqueles que (n)os motivam e impelem a senti-los?! Porque razão acaba por ser sempre o silêncio o melhor amigo das almas apaixonadas que se perdem pela inexpressividade do sentimento? Porque será a culpa o estado associado do amor? E finalmente, porque motivo utilizaremos inuendos e o acaso como o mote perfeito para expressar algo que nos vai na alma? Se não o medo da rejeição que se esquece quando finalmente se cumpre o sentimento, o que leva cada um de nós a optar por um sofrimento sentido nesse mesmo silêncio que nos impossibilita de sentir e de viver?
Com uma interessante música original de Alejandro Ventura e três inspiradas interpretações que conseguem comunicar para lá das barreiras linguísticas, Trois é mais um filme curto que confirma todo o potencial de um dos mais prolíferos e entusiastas realizadores espanhóis e da condição humana enquanto ser incapaz de expressar todos os seus sentimentos e afectos.
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8 / 10
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Fugaces (2015)

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Fugaces de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção elaborada aquando da semana do Orgulho Pride de Madrid e que nos dá a conhecer a história de dois jovens adultos. O primeiro (Fran Ropero) residente em Madrid que dá a indicações sobre a cidade a Luís (Álvaro Pérez Muñoz), vindo de Albacete para as referidas festas.
Numa cidade cheia de jovens turistas tanto da província como estrangeiros, há sempre algum de se destaca por entre a multidão. É com este pensamento que Roberto Pérez Toledo lança Fugaces, a sua mais recente curta-metragem onde mais uma vez estuda a dinâmica das relações humanas.
Depois de Rotos (2012), Al Final Todos Mueren (2013) ou Los Amigos Raros (2014), Pérez Toledo leva o espectador a mais uma das suas incursões sobre aquilo que nos une e nos separa reflectindo sobre as características individuais que podem aproximar as pessoas mas principalmente sobre todos os elementos que as podem separar. Em Fugaces a sua perspectiva leva o espectador a um encontro casual que durante alguns dias se transforma num romance - ou pelo menos naquele que poderia ser o seu projecto - e que funciona pela química demonstrada entre os dois protagonistas mas que, ao mesmo tempo, se anuncia findo desde o primeiro instante. Findo não pela distância que separa os ditos protagonistas - Madrid vs. Albacete - mas sim pela hipótese, pela circunstância e pelo imediatismo a que as relações modernas são ou estão "condenadas" sabendo que pode perder-se a pessoa com quem se está tendo sempre outro alguém por perto. No fundo Pérez Toledo preconiza sobre esta dimensão humana em que todos somos mais ou menos viciados em encontros fugazes e inconsequentes nos quais preenchemos as nossas necessidades afectivas e sexuais de momento não criando ou tendo qualquer tipo de ligação mais duradoura limitando- se apenas ao instantâneo, fácil e em certa medida descartável.
No final aquilo que fica implícito nesta história é que a possibilidade de uma relação duradoura e que consiga sobreviver às distâncias e eventuais adversidades é sempre preterida a favor daqueles de momento, de ocasião e que satisfazem apenas os apetites do instante ignorando a potencialidade de algo que seria necessário construir e fomentar.
Pérez Toledo que não me canso de referir de cada vez que estreia um dos seus novos filmes curtos é um dos novos nomes do cinema espanhol. Independentemente daquilo que a sua carreira venha a entregar ao espectador e mesmo que se separe desta linha condutora que tem apresentado até à data, a sua habilidade e capacidade de contar histórias com as quais o espectador se identifique ou reveja no principal da sua essência, certo é que o faz como aprumo e excelência conferindo credibilidade e veracidade a cada uma destas novas personagens que cria e às quais dá vida. Dito isto e como voto pessoal, espero que nunca se separe deste cinema de personagens, de histórias e de ligações que mesmo sendo interrompidas caracterizam não só as adversidades como todos aqueles elementos que compõem as relações humanas... duradouras ou não.
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7 / 10
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Um Rapaz Chamado Jaime (2015)

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Um Rapaz Chamado Jaime de André Marques é uma curta-metragem portuguesa de ficção e o mais recente trabalho do realizador de O Anjo (2013).
O argumento desta curta-metragem, também da autoria do realizador, apresenta-nos Jaime (Henrique de Carvalho), um rapaz para quem a normalidade do seu dia-a-dia reside na violência a que é sujeito às mãos do seu pai.
Incapaz de se relacionar com os outros, Jaime tem uma invulgar forma de interagir com César (Pedro Ó Parente), aquele que parece ser o seu único amigo, e que irá determinar de forma dramático o resto da sua vida.
Num evidente salto qualitativo desde O Anjo, André Marques cria uma interessante história não só pela forma como aborda uma invulgar e escondida dinâmica familiar como, ao mesmo tempo, quebra o - um - silêncio sobre a violência física e sexual no seio da mesma de forma crua e quanto baste explícita. Para lá dos inúmeros relatos informativos dos quais tomamos conhecimento e que tantas vezes preferimos ignorar, em Um Rapaz Chamado Jaime o espectador entre não só dentro da mente perturbada e atormentada de "Jaime" como também dentro daquele que deveria ser o seu porto de abrigo... o seu lar. O que será que realmente acontece na mente daqueles que vêem e vivem no único local do mundo onde qualquer um se deveria sentir protegido e em segurança? O que acontece quando este local se torna naquele que mais atormenta a existência de alguém transformando-o numa zona de tensão e repúdio? E finalmente, o que acontece quando todo um ambiente de tortura física e psicológica são tidos como "normais" transformando toda a interacção humana num único e contínuo acto de violência?
Todas estas questões têm obviamente uma resposta. Uma resposta que não se avizinha desde o primeiro instante como sendo aquela que esperamos para um desfecho feliz - impossível depois de todos os momentos mais ou menos explícitos que presenciamos da "rotina" a que "Jaime" está sujeito mas que, ao mesmo tempo, desencadeiam todo um processo de auto-destruição.
"Jaime" está perdido... apenas ele não consegue ainda perceber isso. Incapaz de se sentir seguro no seu lar ou de estabelecer um qualquer tipo de relações de amizade ou afectivas com outras pessoas - percebemos aliás que boa parte da sua existência foi vivida neste estado de insegurança e com a ausência de uma mãe que fugiu do seu lar -, toda a atracção física se direccionam na imagem de "César" mas puramente num instinto animal que lhe é transmitido como sendo "normal". A afectividade não existe tendo sido destronada pela possessividade e violência e estas a uma manifestação de relação meramente carnal e tida pela força. Quando o afecto é desconhecido e a violência é um estado psicológico "normal" e o único que compreende como o correcto para se relacionar com os demais, o espectador percebe que "Jaime" está a uma curta distância de descarrilar definitivamente.
Com uma interessante direcção de fotografia de Teresa O. Sousa que capta não só uma luz interessante nos exteriores no primeiro segmento da curta-metragem como um ambiente tenso e pesado que parecem transformar aquele apartamento numa câmara de penitências escura e mórbida, Um Rapaz Chamado Jaime destaca-se não só pelo já referido argumento como ainda pela inspirada interpretação de um jovem Henrique de Carvalho como o jovem atormentado e preso dentro de um ambiente tortuoso, inseguro dos seus sentimentos e principalmente de como expressá-los e cuja inaptidão irão, a curto prazo definir o seu destino, no desempenho que o coloca afastado da "escola" que podem ter sido as novelas e no rumo como um potencial e interessante protagonista em cinema.
Um último e igualmente positivo apontamento às interpretações de Pedro Ó Parente que tendo uma interpretação secundária faz dela o ponto de desejo - e sem retorno - desta história, e ainda para Sérgio Mendes como "António", o pai abusador e violento que dá todo um novo rosto àquilo que facilmente poderemos identificar como um predador com o rosto do mal demonstrando que sem qualquer artifício ou caracterização este (mal) pode ter um rosto igual a tantos outros e bem mais próximo do que qualquer um de nós imagina.
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8 / 10
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Tu (2015)

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Tu de Luciano Sazo - também o autor do argumento - é uma curta-metragem portuguesa de ficção que nos apresenta uma mulher (Liliana Leite) naquele que parecia ser um dia como tantos outros... e era.
Ela acorda e faz a sua rotina matinal que, no entanto, está longe de ser apenas vestir-se e ir beber o seu café. O seu dia começa quando vê aquele homem (Luís Eusébio) que ama loucamente. Será que ele também a ama?
Solitária e aparentemente reservada, "Ela" é uma mulher que vê - literalmente - o mundo pela janela. Observa quem passa e aqueles que captam a sua atenção são imediatamente alvo de um jogo a "dois" sem que esse outro interveniente perceba que faz parte da trama. Presa às suas noções de interacção e à vontade que tem de estar perto de alguém, "Ela" parece desconhecer outro tipo de relação que não aquela que ocasionalmente estabelece com a troca de duas ou três palavras.
O argumento de Luciano Sazo parece prender o espectador à noção de que há relações complicadas demais para serem estabelecidas e, como tal, porque não imaginá-las na medida em que tudo acontece... apenas não é concretizado de facto. Quando um "olá" ganha contornos de atracção e um "como estás?" a confirmação de um desejo, Tu parece levar o espectador para uma personagem cuja mente não teve a interacção suficiente com o exterior para perceber que alguns contactos são meramente superficiais e de ocasião. No entanto, é quando continuamos a acompanhar esta mulher - num interessante e algo neurótico registo que a actriz Liliana Leite confere à sua personagem - que percebemos que para ela vários são os focos da sua atenção.
O espectador poderia inicialmente pensar que esta mulher teria sido magoada ou desiludida sentimentalmente mas esta teoria esbate-se quando a vemos imaginar a "primeira vez" que conversou com a tal pessoa com mais do que um homem. Para lá de um difícil (re)começar, aquilo que Tu nos revela é que no silêncio de uma sombra ou resguardada por uma qualquer janela existe uma mulher que fixamente observa aqueles que a sua mente imagina como alguém com quem estabeleceu interacção e com os quais existiu uma empatia que os leva a serem "o tal".
Assim, e num domínio que nos escapa enquanto ocasional mas sim o fruto de uma mente perturbada, aquilo que esta mulher representa não é tanto uma mente magoada mas sim a de alguém que se perdeu algures no tempo e que apenas a sua imaginação a faz crer que todos aqueles homens - sim, o espectador deduz automaticamente que podem ser mais do que dois - são seus eventuais amigos ou até mesmo alguém com quem pode estabelecer uma relação amorosa e sentimental.
Sem nunca confirmar qual o seu destino, "tu" pode ser qualquer um com quem tenha trocado um comentário banal - como a simples troca de um isqueiro - e que para ela por uma eventual desistência de se fixar em alguém se fixa, por sua vez, em todos aqueles que se atravessam o seu caminho. De desespero sentimental a um potencial distúrbio psicológico, esta mulher senta-se no limbo deixando o espectador numa sempre presente dúvida.
A dar continuidade a um conjunto de obras nas quais salienta a destreza das relações humanas, Luciano Sazo destaca-se uma vez mais pela forma complexa com que aborda não só o momento como a condição em que no mesmo se situa o "Homem". Quais as suas condições ambientais, sociais e até mesmo económicas destacando, no entanto, toda uma complexidade narrativa que não especifica nem o passado ou tão pouco o futuro deixando apenas o presente como a certeza que abre vários potenciais caminhos.
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7 / 10
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Lux (2015)

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Lux de Bernardo Lopes e Inês Malveiro é uma curta-metragem portuguesa de ficção e a vencedora do Over & Out 2015 como Melhor Filme que nos conta a história de Pedro (Sérgio Moura Afonso), um escritor em plena crise criativa que se isola no seu apartamento na esperança de poder construir o seu mais recente romance.
Mas o que acontece quando Pedro parece estar com uma ideia nova? Algo de curioso sucede na sala do lado...
O argumento original de Bernardo Lopes contém algumas interessantes ideias não só sobre os dilemas de um escritor em plena crise criativa que se deixa levar pelo ambiente claustrofóbico que povoa como também pela forma como reproduz activamente os momentos em que surgem ao mesmo as suas novas ideias e, por sua vez, os momentos em que as perder - sem revelar porque é necessário vê-los - conseguindo desta forma não só transmitir ao espectador o momento que imaginamos mas aqui recriá-lo para lá do papel ou da imaginação.
Se toda a ambiência daquele apartamento parecem levar o espectador para um isolamento onde o cuidado para com o "eu" deixa de ser uma preocupação - tal como podemos constatar na situação de "Pedro" que parece deixar-se arrastar para o início de uma qualquer depressão -, não é menos verdade que aos poucos - e à medida que descobrimos os pequenos detalhes que compreendem a criação da "obra" - é possível destacar Lux como uma curta-metragem atenta nos detalhes. Atenta ao ponto de merecer uma maior exploração de toda a condição psicológica da sua personagem principal - numa interessante e bem construída interpretação de Sérgio Moura Afonso - para a qual contribui de forma decisiva a própria direcção de fotografia de Pedro Arial que confere ao espaço não só a amplitude que a criação exige como o condicionamento que a falta de inspiração impõe, como também a um desenvolvimento daquela que parece ser o início de uma neurose que a falta de inspiração lhe provoca.
Original e bem construída Lux teria - tem - pernas para andar um pouco mais longe.
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7 / 10
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