quinta-feira, 11 de maio de 2017

Pompas de Jabón (2016)

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Pompas de Jabón de Patricia Hernández é uma curta-metragem espanhola de ficção e uma das cinco nomeadas na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na referida região espanhola até ao próximo dia 13 de Maio.
Duas mulheres e uma verdade escondida. Dois destinos e a vontade de um caminho cruzado em comum. Coração ou razão... qual deles sairá como vencedor?
Numa história que oscila entre o drama amoroso e a redenção sentimental, Pompas de Jabón apresenta ao espectador a vivência de duas mulheres que partilham e trilham um mesmo caminho. Se uma delas vive dividida entre a vida que teve - aquela trilhada pela razão e pelo moralmente aceitável pela sociedade - e aquela que sente ser a sua - dominada pelo seu coração e respectivos sentimentos - e uma outra mais jovem que, fruto de uma mentalidade mais aberta e um complexo ultrapassado, encara as razões do coração com uma espontaneidade diferente da primeira. Ambas percorrem no silêncio dos seus corações e na privacidade dos seus espaços, um caminho que as une pelo sentimento, pela paixão, pela entrega e pelo amor deixando, lá para trás, todos os preconceitos que uma sociedade pouco habituada à mudança ainda espelham.
Para a mulher mais velha, ainda dominada por um passado já vivido, permanecem as dúvidas existenciais e a vida familiar que, não esquecendo, resguarda num passado já experimentado. Agora tenta viver o presente e aquele amor que sempre dominou os lugares mais escondidos de um coração que, à sua medida, viveu anos num sofrimento desesperante à espera do tal dia onde pudesse finalmente viver aquilo que sentia... e exprimia com breves e pontuais olhares escondidos e tolhidos pela repressão. Viver antes que seja tarde demais ou, por sua vez, continuamente esconder o seu "eu" que tanto desesperava por (agora) viver?
Com uma dinâmica e passada temperada por vários silêncios que tentam comunicar com o espectador, Pompas de Jabón transmite uma interessante mensagem graças ao seu moderado argumento mas que as moderadas interpretações das suas duas actrizes (por vezes) não deixam voar para lá dessa contenção. Se percebemos o drama sentido e vivido por ambas as personagens, não deixa de ser uma realidade que as mesmas vivem uma constante auto-repreensão que difícil e esporadicamente consegue chegar ao espectador enquanto um sofrimento de um amor vivido mas não completo pelo medo da pressão alheia e de todos aqueles não tão breves pensamentos sobre o que se poderá perder se ele fôr consumado para uma sociedade nem sempre tolerante.
Apaixonada mas contida, Pompas de Jabón mantém-se a uma longa distância do filme que poderia ter sido mantendo-se, na sua quase totalidade, na esperança de se afirmar enquanto uma história que se permite ler nas entrelinhas onde o espectador cria empatia com um sofrimento de duas personagens que esperam o momento no qual possam reclamar, em toda a plenitude, o momento em que finalmente "vivem".
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5 / 10
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