sábado, 19 de agosto de 2017

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sonny Landham

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1941 - 2017
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domingo, 13 de agosto de 2017

Joseph Bologna

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1934 - 2017
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sábado, 12 de agosto de 2017

El Bar (2017)

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El Bar de Álex de la Iglesia é uma longa-metragem espanhola e a mais recente obra do realizador de El Día de la Bestia (1995), La Comunidad (2000), Balada Triste de Trompeta (2010) e Las Brujas de Zugarramurdi (2013).
No centro de Madrid. O reboliço de uma cidade que não pára contrasta com a relativa calmaria que se faz sentir no bar de Amparo (Terele Pávez) onde algumas pessoas do bairro se reúnem. As conversas de ocasião são interrompidas quando após a saída de um cliente este é abatido a tiro à porta do bar. A cena repete-se uma segunda vez e todos compreendem que não podem sair. Existirá escapatória para este conjunto de pessoas que agora lutam pela sua sobrevivência... também dentro do bar?!
Álex de la Iglesia regressa à sua já longa parceria com Jorge Guerricaechevarría - enquanto argumentista - iniciada com Acción Mutante (1993), criando mais uma história que celebra, uma vez mais, a evolução dos medos humanos quando colocados em situações de pressão ou crise extrema. Assim o verificámos com a descida à Terra de um Diabo então celebrado - El Día de la Bestia -, com o anúncio de uma pequena grande fortuna por todos cobiçada - La Comunidad - ou até com o medo do extermínio por parte de um conjunto de bruxas sedentas de sangue e vingança - Las Brujas de Zugarramurdi - e que aqui ganha forma com a potencial chegada de um vírus que pode infectar toda uma população desprotegida. Aquilo que começa por ser um relato de uma qualquer sociedade moderna, indiferenciada e cínica face à existência individual alheia - mendigos que são forçados a sair do espaço em que se encontram sem que os seus problemas sejam resolvidos, conversas intermináveis ao telemóvel em detrimento das relações humanas que se degradam ou uma simples ida às compras sem que sequer se olhe na cara de quem nos atende ou mesmo um qualquer indivíduo doente que chega sem que ninguém se preocupe com o seu bem-estar (ou falta dele) -, termina como uma exploração dos medos primários de cada um de nós que face a um potencial "fim" revela o mais selvagem e irracional dos comportamentos que têm - eles sim - como único intuito uma sobrevivência e perpetuação que poderá não chegar. É neste preciso momento de percepção da crise que tudo começa a ruir. A pouca simpatia existente dá lugar ao distanciamento e a já inexistente amabilidade desaparece para fazer valer a lei do mais forte. Aqueles que estão na base da pirâmide social surgem como os primeiros que devem ser eliminados... não por uma qualquer debilidade que aparentem ter mas sim porque são considerados com os que têm menos a perder... nada ambicionam... nada desejam... porque não serem os primeiros a desaparecer?!
Mas, se El Bar dá corpo a essa indiferença do Homem face ao seu semelhante nos ditos tempos de crise extrema, é interessante observar como a dupla de la Iglesia e Guerricaechavarría celebra a facilidade com que no mundo das tecnologias, das redes sociais e da premissa de que o "longe" está hoje cada vez mais "perto", se torna realmente distante e de difícil acesso a comunicação entre os Homens... não será esta outra forma de desumanização mas mais... socialmente aceite?! E na sua continuidade... não será esta manipulação da divulgação dos acontecimentos que tão facilmente podem ser distorcidos ou vedados do conhecimento de um grande público a nova forma de uma qualquer censura que a todos reúne no mesmo espaço com os mesmos factos e com a mesma ausência de curiosidade pelos ditos? Até que ponto questiona, qualquer um de nós, a "notícia" que nos chega evitando (in)conscientemente o seu contraditório ou o apuramento de todas as suas vertentes e implicações?
No rescaldo de toda esta história, o espectador apenas memoriza uma não tão simples questão... quando realmente pedimos auxílio... será que existe alguém que nos escuta?! Um telemóvel não atendido, alguém que percorre desamparado as ruas ou mesmo um esclarecido pedido de apoio que nunca irá chegar... Serão (seremos) todos danos colaterais que alguém prefere nunca contabilizar?
A dar corpo às (sempre) ricas personagens que compõem as suas obras cinematográficas, El Bar conta uma vez mais com a colaboração de Terele Pávez (nesta que seria a última colaboração com o realizador), como "Amparo", a sempre humana dona do bar em que se vêem obrigados a ficar refugiados mas que cedo revela os seus mais negros instintos de sobrevivência, Secun de la Rosa como "Satur", o seu fiel, Jaime Ordoñez como "Israel", a vítima da mais recente crise económica agora mendigo nas ruas de Madrid e ainda Mario Casas como "Nacho" o hipster que todos confundem com um potencial terrorista quando tudo começa a dar para o torto. A juntar-se-lhes encontramos ainda Blanca Suárez como "Elena", a menina "bem" que rapidamente tem de sujar as mãos se quer sobreviver, Carmen Machi que com a sua "Trini" revela o rosto de tantas pessoas que se mantêm anónimas como a única forma de sobrevivência face a um desespero diário e ainda Joaquin Climent como "Andrés" e Alejandro Awada como "Sergio", os dois rostos de uma força repressora que rapidamente se vê privada do seu poder ilusório. Todos encarnam personagens que inicialmente são meros adornos da vida de uma cidade. Todos compõem aqueles com quem diariamente qualquer um de nós se cruza na rua e a quem pouca - se é que alguma - importância lhes é conferida. Mas ali, naquele espaço cada vez mais minúsculo e onde todos começam a desesperar pela ideia de um auxílio que não irá chegar e de uma suspeita crescente sobre as intenções daqueles com quem ali partilham uma vivência forçada, revelam os medos mais impossíveis e irracionais que lentamente ganham forma como realidades e certezas das quais todos querem fugir ou, até mesmo, eliminar. Se o mal - ou o medo - chega daquilo que presenciaram vindo da rua... rapidamente todos começam a temer aqueles que ali se encontram... privados do conhecimento sobre o que se passa "lá fora" e com receio que seja um deles o verdadeiro motivo ou receptáculo do medo. O grupo divide-se e o poder é exibido como aqueles que detêm a força... ou o poder de pressionar para depois separar... mas, como tudo na vida, é em crise que se percebe que esse poder mais não é do que uma ilusão e é, quando as vidas não contabilizadas - e logo desconhecidas - se tornam irrelevantes, que as ironias se sucedem e o poder se revela tal como é... uma mera e efémera ilusão.
No entanto a luta pelo poder vai mais longe, e ainda mais selvagem, quando aqueles que foram momentaneamente considerados como mais fracos começam, também entre eles, a disputar o poder por uma sobrevivência que parece cada vez menos provável ou mesmo, quando essa sobrevivência parece resultar do seu domínio - enquanto indivíduos - sobre aqueles com quem partilharam a base da pirâmide... no entanto, mesmo nesta, existe a hipótese (e os meios) para a escalonar.
Irreverente como sempre e cómico quanto baste para revelar o mais profundo espaço da alma humana, El Bar proporciona não só os elementos fundamentais para que o espectador se sinta abstraído durante  pouco mais de hora e meia mas, ao mesmo tempo, confere-lhe a capacidade de (se) analisar em tempo de crise... de perceber os seus limites (se é que alguns) e demonstrar que por mais humano, preocupado com a realidade do mundo e com o planeta... existe aquele, por vezes não tão breve, momento em que tudo pode ruir e ser liberto uma animal feroz e perigoso que consegue, em sociedade, esconder.
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"Elena: El miedo cambia las personas...
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Nacho: El miedo muestra como realmente somos."
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8 / 10
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Festival del Film Locarno 2017: os vencedores

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Foram divulgados há momentos os vencedores da mais recente edição do Festival del Film Locarno que decorreu desde o passado dia 2 de Agosto e, entre os quais uma forte presença portuguesa no palmarés nas mais diversas secções.
São os vencedores:
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Competição Oficial
Leopardo de Ouro: Mrs. Fang, de Wang Bing (França/China/Alemanha)
Prémio Especial do Júri: As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil/França)
Realizador: F. J. Ossang, 9 Doigts (França/Portugal)
Interpretação Masculina: Elliott Crosset Hove, Vinterbrodre (Islândia/Dinamarca)
Interpretação Feminina: Isabelle Huppert, Madame Hyde (França/Bélgica)
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Competição Cineasti del Presente
Leopardo de Ouro: 3/4, de Ilian Metev (Bulgária/Alemanha)
Menção Especial: Distant Constellation, de Shevaun Mizrahi (EUA/Turquia/Holanda) e Verão Danado, de Pedro Cabeleira (Portugal)
Prémio Especial do Júri: Milla, de Valerie Massadian (França/Portugal)
Realizador Revelação: Dae-Hwan Kim, Cho-Haeng (Coreia do Sul)
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Competição Signs of Life
Filme: Cocote, de Nelson Carlos de Los Santos Arias (Rep. Dominicana/Argentina/Alemanha/Qatar)
Menção Especial: Era Uma Vez Brasília, de Adirley Queirós (Brasil/Portugal)
Prémio Fundación Casa Wabi-Mantarraya: Dane Komljen, Phantasiesätze (Alemanha/Dinamarca)
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Competição Primeira Obra
Primeira Obra: Sashishi Deda, de Ana Urushadze (Geórgia)
Menção Especial: Dene Wos Guet Geit, de Cyril Schäublin (Suíça)
Prémio Art Peace Hotel: Meteorlar, de Gürcan Keltek (Holanda/Turquia)
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Competição Pardi di Domani Internacional
Pardino d'Oro Curta-Metragem: António e Catarina, de Cristina Hanes (Portugal)
Menção Especial: Armageddon 2, de Corey Hughes (Cuba)
Pardino d'Argento Curta-Metragm: Shmama, de Miki Polonski (Israel)
Prémio Pianifica - EFA: Jeunes Hommes à la Fenêtre, de Loukianos Moshonas (França)
Prémio Medien Patent Verwaltung AG: Kapitalistis, de Pablo Muñoz Gómez (Bélgica/França)
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Competição Pardi di Domani Nacional
Pardino d'Oro Curta-Metragem: Rewind Forward, de Justin Stoneham (Suíça)
Pardino d'Argento Curta-Metragem: 59 Secondes, de Mauro Carraro (Suíça)
Prémio Revelação: Les Intranquilles, de Magdalena Froger (Suíça)
Prémio Variety Piazza Grande: Drei Zinnen, de Jan Zabeil (Alemanha/Itália)
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Terele Pávez

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1939 - 2017
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Glen Campbell

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1936 - 2017
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Barbara Cook

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1927 - 2017
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Haruo Nakajima

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1929 - 2017
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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Robert Hardy

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1925 - 2017
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Daniel Licht

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1957 - 2017
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terça-feira, 1 de agosto de 2017

In a Heartbeat (2017)

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In a Heartbeat de Esteban Bravo e Beth David é uma curta-metragem de animação norte-americana que em breves minutos cruza os destinos de dois jovens rapazes. Um deles Sherwin, tímido e perdido de amores por Jonathan, um rapaz confiante que segue para todo o lado sem ser visto. É, no entanto, quando o coração de Sherwin manifesta uma vontade maior do que o próprio que ele terá de seguir o seu próprio coração ou ver os seus sentimentos expostos perante Jonathan... e toda a escola.
Curta-metragem revelação do ano pela forma como expõe a mais inocente forma de amar com honestidade e nobreza numa temática que ainda insiste em ser tabu, In a Heartbeat conquista o espectador por conseguir fazer sorrir e emocionar ao mesmo tempo que o deixa na esperança de que este amor - tido como inconfessável - possa vencer.
Aqui encontramos dois adolescentes, na tal altura da formação individual - e como indivíduo -, da expressão dos primeiros sentimentos amorosos e onde tudo pode - ou tende - a poder correr mal. Enquanto um passa pelos jardins da escola descontraído e sem pensar que é o alvo da manifestação amorosa de alguém, o outro - "Sherwin" - "sofre" ao observá-lo sem nunca conseguir expressar os seus pensamentos, sentimentos ou emoções... até que o seu coração - cheio de amor - decide por iniciativa própria fazer chegar a "Jonathan", tudo aquilo que o seu portador sente. Em breves instantes que fazem nascer todo o tipo de manifestações pelo espectador, a personagem dominante desta curta-metragem de animação é o improvável "coração" que com os rasgos de toda a esperança do mundo e de quem começou naquele preciso momento a sentir, decide expressar e lutar pelo tal amor "proibido" ou, até então, inconfessável. Numa corrida contra o tempo e frente aos olhares de todos... a confirmação deste amor poderá estar por breves instantes.
Sóbria, honesta e longe de qualquer preconceito, In a Heartbeat voa e em quatro breves minutos conseguimos observar uma das mais nobres e sentidas manifestações de amor na adolescência que o cinema - e seguramente o cinema de animação - consegue transmitir criando ainda uma das mais carismáticos personagens do género. Seguramente é não só uma das histórias de animação do ano... que surge sob o formato de cinema curto tantas vezes ignorado independente da sua qualidade aqui tão bem manifestada expressando, ao mesmo tempo, a sua independência criativa com cariz social capaz de chegar tanto aos mais novos como aos adultos tantas vezes cépticos de que o cinema de animação pode ultrapassar fronteiras... geográficas, físicas e principalmente psicológicas.
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8 / 10
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