terça-feira, 22 de maio de 2018

Philip Roth

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1933 - 2018
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Clint Walker

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1927 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #100

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O Shortcutz Viseu celebra finalmente a sua centésima sessão. Por entre curtas em competição e convidados especiais - tendo o CinEuphoria sido um deles - desde 2013, chegou finalmente a altura de celebrar o evento com um conjunto de curtas-metragens que já passaram pelo festival assim como uma estreia por um conjunto dos mais emblemáticos realizadores do panorama nacional.
Assim, a Sessão #100 contará com a exibição de Blue Floozy, de Yuri Alves (presente através de um vídeo de apresentação da sua obra) e ainda A Instalação do Medo, de Ricardo Leite, Coro dos Amantes, de Tiago Guedes e M, de Joana Bartolomeu. Para lá do vídeo de apresentação de Yuri Alves, a sessão contará com a presença dos realizadores Ricardo Leite e Joana Bartolomeu e ainda do responsável pela edição e montagem de Coro dos Amantes, o também realizador Jerónimo Ribeiro Rocha.
A Sessão #100 terá lugar a partir das 22 horas do próximo dia 25 de Maio, na Quinta da Cruz, em Viseu naquela que se será a primeira de muitas a realizar neste local nos próximos meses.
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domingo, 20 de maio de 2018

Bill Gold

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1921 - 2018
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: os vencedores

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Foram há instantes entregues no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, os três Globos de Ouro SIC/Caras relativos às categorias de Cinema.
São os vencedores:
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Filme: São Jorge, de Marco Martins
Actor: Nuno Lopes, São Jorge
Actriz: Rita Blanco, Fátima
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: Filme

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São Jorge, de Marco Martins
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: Actor

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Nuno Lopes, São Jorge
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: Actriz

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Rita Blanco, Fátima
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Patricia Morison

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1915 - 2018
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sábado, 19 de maio de 2018

Festival International du Film de Cannes 2018: os vencedores

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Terminou hoje a 71ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes cujo júri foi presidido pela actriz australiana Cate Blanchett.
Foram os vencedores da Selecção Oficial:
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Palma de Ouro: Manbiki Kazoku, de Kore-eda Hirokazu
Grande Prémio: BlacKKKlansman, de Spike Lee
Prémio do Júri: Capharnaüm, de Nadine Labaki
Palma de Ouro Especial: Le Livre d'Image, de Jean-Luc Godard
Realização: Pawel Pawlikowski, Zimna Wojna
Interpretação Masculina: Marcello Donte, Dogman
Interpretação Feminina: Samal Yeslyamova, Ayka
Argumento: Alice Rohrwacher, Lazzaro Felice e Nader Saeivar, Se Rokh
Caméra d'Or: Girl, de Lukas Dhont
Palma de Ouro - Curta-Metragem: All These Creatures, de Charles Williams
Menção Honrosa: Yan Bian Shao Nian, de Wei Shujun
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Inside the Van with The Bongo Club (2017)

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Inside the Van with The Bongo Club de Alex Esteve (Espanha) é um documentário em formato de curta-metragem que revela a tour da banda musical sueca The Bongo Club pela Andaluzia depois de mais de duzentos concertos pela Europa e a sua luta para encontrarem o seu lugar no universo musical mesmo que, na opinião de muitos, não sejam os melhores do género.
Composta por seis membros, o grupo sueco The Bongo Club é aqui essencialmente descrito pelas palavras do vocalista Jesper e pelo guitarrista Erik como mentores do projecto ao qual dedicam toda a sua vida. Para Jesper aliás, a banda e a música são caracterizados pelo próprio como a sua razão de viver e como o projecto de toda uma vida à qual dedicada não só todo o seu tempo livre como trabalha para que este sonho seja mantido com uma vida longa e para o qual efectua diversos sacrifícios.
O projecto que se iniciara como uma banda de escola, prolongou-se pelos tempos e agora é algo que se expandiu para lá da sua fronteira natal percorrendo, um pouco por todo o continente, pelas salas, bares e associações onde dão a conhecer não só o projecto e a música que criam.
Sempre na companhia de uma velha Volkswagen "pão-de-forma", que acaba por se transformar em mais um dos "membros" do grupo, na qual percorrem quilómetros de estrada por todo o continente, a história de Inside the Van with The Bongo Club acaba por se transformar num tradicional - mas próximo - documentário do género que une o sonho de duas artes que se cruzam... o cinema e a música deixando para o espectador a capacidade e privilégio de decifrar pequenas mensagens e momentos nomeadamente aquelas que se relacionam com a dedicação de um conjunto de pessoas para com o sonho de uma vida e algo que, no fundo, os define enquanto criadores, artistas e pessoas capazes de viver por, e para, aquilo que amam.
Simples e dinâmico, Inside the Van with The Bongo Club é um daqueles brevíssimos documentários que o espectador compreender ter deixado tudo bem explicado e compreensível mas do qual não se importaria de continuar muitas mais horas a apreciar a vivência dessa experiência e desse sonho.
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7 / 10
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La Píldora más Deseada (2016)

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La Píldora más Deseada de Magda Calabrese (Espanha) é um documentário em formato de longa-metragem que aborda a questão da doença celíaca e da busca de um medicamento que possa prevenir e tratar das doenças gastro-intestinais provocadas pelo consumo de glúten por parte dos que sofrem de alergias ao mesmo.
De forma claramente contra-pruducente enquanto obra cinematográfica, La Píldora más Deseada regista, enquanto um documentário de mais de noventa minutos, aproximadamente metade do seu tempo numa explicação francamente exaustiva que leva o espectador a dispersar no seu interesse para com esta temática que acaba apenas por interessar enquanto material de consulta para com aqueles que se debatem com este tipo de situação, ou seja, é essencialmente uma obra/folheto informativo.
Depois de minutos e minutos utilizados na explicação do que é realmente a doença celíaca, dos seus efeitos como reacção alérgica que provoca dores e problemas gastro-intestinais e demais alterações no sistema digestivo, esta indesejada alteração ao glúten provoca naqueles que dela sofrem, toda uma modificação nos seus hábitos comportamentais e alimentares que define todo um novo sistema de vida familiar, profissional e até mesmo social.
Se todas estas modificações comportamentais são dignas de registo enquanto objecto de atenção para uma alteração da vida de cada um são, no entanto, as consequências mais graves desta doença que acabam por ser relegadas para um segundo plano meramente exemplificativo que pecam pela sua falta de informação. De consequências "menos" graves como a perda de peso às mais problemáticas como a queda de cabelo, a depressão e até mesmo os abortos espontâneos, este longo documentário nem sempre consegue chegar ao espectador da melhor forma perdendo-se numa exaustiva descrição de efeitos utilizada exclusivamente como uma forma de informar - apenas os interessados - esquecendo o elemento mais importante (para mim) de uma obra do género... o factor humano... tão plasticamente utilizado para retratar os factos e não inserir o espectador na vivência diária daqueles que padecem desta doença.
Importante enquanto objecto de estudo para os menos informados, La Píldora más Deseada cumpre essa função informativa mas não consegue chegar à humanização da questão e, como tal, não conseguindo levar o espectador a identificar-se ou sentir-se "por dentro" do mesmo ou dos problemas daqueles que por ele passam.
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4 / 10
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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Venux (2017)

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Venux de Emanuele Chianelle (Espanha/Itália) é uma curta-metragem que revela ao espectador Laura (Verónica Morales) que se atrasa para o aniversário de Leo (José Manuel Poga), o seu namorado. Este acto involuntário que tudo pode colocar em risco, cedo se transforma no momento em que Laura consegue salvar a dinâmica do casal... mas, a que custo?
O realizador e Juanma Cabañas Santo escrevem o argumento de uma história que surpreende não pelo seu conteúdo inicial mas sim pela forma como dele se aproveita para no final, prender o espectador com a sua originalidade. Ao espectador são reveladas duas personagens... A primeira é "Laura", uma mulher centrada em "algo" que  o espectador desconhece mas que compreende ser determinada e centrada num qualquer propósito que defende... Indiferente para com a dinâmica com um namorado que aparenta ter "controlado", as pequenas coisas que os transformam enquanto casal parecem momentaneamente ameaçadas pela falta de vontade em comunicar com "Leo" - a outra personagem. Este, relativamente mais centrado na sua relação e firmemente preocupado com a ausência sentimental - e psicológica - da sua namorada, revela-se como um homem potencialmente possessivo mas que, afinal, apenas pretende manter viva a tal chama que dê sentido e continuidade a uma relação a dois. Preocupado em tudo saber sobre os passos de "Laura", poderá "Leo" afinal controlar o seu impulso?!
Num universo no qual se confunde a dinâmica da relação sentimental com aquela que é potencialmente mais intensa - sexualmente falando -, ao espectador são revelados pequenos elementos que afastam a história de Venux de um qualquer conto sobre as relações amorosas modernas deixando-a, no entanto, mais exposta a uma dinâmica de "filme dentro do filme" que não é necessariamente o seu ponto mais forte apesar de manter a sua originalidade graças a este factor.
Se surpreende no final? Surpreende... se o espectador compreende algumas das inseguranças até então apresentadas? Claro que sim. No entanto, são estas que fazem com que o espectador perca a dinâmica ou a empatia estabelecida com esta história, compreendendo o seu significado mas tarde demais para que este filme curto seja, mais tarde, recordado.
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5 / 10
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Sin Titulo. Segundo Movimiento (2016)

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Sin Titulo. Segundo Movimiento de Ricardo Perea e Julio Lamaña (Espanha/Colômbia) é um breve documentário que recupera a importância da oralidade como parte indissociável da memória histórica. Num universo onde apenas os factos documentados parecem ganhar relevância como registo da História, que lugar permanece "disponível" para a oralidade enquanto "documento" dos factos que marcaram o passado?
Ricardo Perea e Julio Lamaña criam com este Sin Titulo. Segundo Movimiento um interessante registo sobre a importância da oralidade que, através de uma confirmação que passa pela comédia, pela tragédia ou até mesmo pelo inesperado, confirma o desejo de todos os que atravessaram a História, ou seja, a certeza de que o seu ser - mesmo que não presente - se mantém eternamente vivo pela certeza dos outros que confirmam a sua presença numa determinada época espaço-temporal.
A originalidade deste documentário curto chega, no entanto, pelo local em que foi gravado... um cemitério... o espaço onde todos se encontram depois de uma viva vivida e testemunhada por aqueles que nesse ido tempo presenciaram a vida dos que partilham, falando deles como parte integrante da sua própria existência e confirmando ainda a influência que estes exerceram no seu ser, verbalizando as suas últimas mensagens, palavras e, como tal as memórias que eles deixaram naqueles que ficaram e que hoje são parte integrante das suas recordações.
Relevante enquanto documento histórico sobre a importância da memória e da oralidade enquanto seu veículo transmissor, Sin Titulo. Segundo Movimiento sai como um filme determinante pela forma sempre emotiva com que são transmitidas as recordações desse vivido passado deixando o espectador com um inesperado desejo de poder saber mais daquelas vidas que o próprio desconhece mas que ali testemunha como sendo de alguém que, em tempos, lhe fora próximo.
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7 / 10
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Joseph Campanella

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1924 - 2018
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El Precio de la Risa (2017)

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El Precio de la Risa de Gabriel Lechón (Espanha) é um documentário sobre a vida de Paco Martínez Soria, actor espanhol que dividiu a sua carreira entre os palcos e o cinema onde se iniciara em 1934 com Sereno... y Tormenta, de Ignacio F. Iquino até La Tía de Carlos (1982), de Luis María Delgado, naquela que foi uma carreira sempre muito conotada com os dias da ditadura franquista.
O argumento de Pablo Urueña recupera um conjunto de imagens da obra do actor e produtor teatral, acompanhadas de todo um leque de testemunhos de actores que trabalharam com ele tais como Emilio Gutiérrez Caba ou alguns dos teóricos do momento como o escritor Javier Lafuente, o director da revista especializade Cinemania, Carlos Marañón ou mesmo do filho cuja vida foi dedicada à Igreja, entre outros que enquadram a sua obra no tempo, na relevância nos dias de hoje onde assumem que alguma da sua filmografia é ainda líder de audiências na televisão espanhola revelando que a importância do seu trabalho é, portanto, intemporal.
Com uma referência às suas origens mais humildes às quais sempre regressou como forma de sentir o apoio e o carinho daqueles para quem o seu trabalho era, de certa forma, dedicado, El Precio de la Risa confere ao espectador uma abordagem fresca, dinâmica e francamente fluída do homem por detrás da obra. Com um claro enfoque nas obras que protagonizou e que se classificavam maioritariamente junto da comédia simples e popular, todos aqueles que deixam o seu testemunho são claros e esclarecidos sobre a sua empatia e proximidade com o grande público, tornando-o num dos rostos mais conhecidos do mesmo sendo abordado em qualquer parte do país em que se encontrasse. Mais, todos referem o drama que sentia quando viajava para fora do país, onde as suas obras não chegavam, e o desconforto causado por não se sentir próximo daqueles com quem se cruzava desejando regressar de imediato.
Todos são ainda claros nos pequenos grandes elementos que caracterizam a sua obra, nomeadamente em aspectos como a constante dicotomia entre campo e cidade e em interpretar homens que, vindos de origens mais humildes, encontram dificuldades nas grandes cidades e na vida que se espera tenham na mesma. Com uma grande aceitação popular nos meios rurais e cidades mais pequenas, Paco Martínez Soria apenas consegue encontrar o reconhecimento do público de Madrid em La Ciudad no es para Mí (1966), de Pedro Lazaga onde a sua personagem encontra na vida citadina uma constante corrupção dos valores morais que encontra no seu meio mais rural.
Para lá de uma análise ao seu percurso cinematográfico, este documentário entrega ainda ao espectador um olhar sobre a sua trajectória teatral onde, dono de uma companhia itinerante, exercia para lá da óbvia função formativa a todo um conjunto de novos actores onde se encontravam o já referido Gutiérrez Caba mas também José Sacristán, por exemplo, e, na qual, se tornava um profissional muito mais exigente e pouco descontraído ao contrário do sentido enquanto profissional de cinema.
Fluído e muito importante enquanto objecto didático e de estudo sobre uma das personagens mais queridas do cinema e do teatro espanhol, El Precio de la Risa é um documentário original ao abordar a História por detrás das histórias e das personagens do cinema do país vizinho e, como tal, indispensável para o conhecimento do mesmo.
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7 / 10
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Ryoko (2018)

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Ryoko de Emilio Gallego e Jesús Gallego (Espanha) é uma curta-metragem de animação que leva o espectador a uma inesperada, original e surpreendente viagem de comboio na qual, um dos seus passageiros adormece, ignorando todo um conjunto de aventuras pelas quais atravessa.
Aquilo que se inicia como uma viagem pela cidade onde tantos se preparam para começar mais um dia de trabalho revela-se, desde muito cedo, como uma travessia pela floresta onde todo o tipo de animais cruzam os corredores do comboio ou pelo fundo do mar fruto das lágrimas que escorrem pelo rosto de alguém ou até mesmo pelo espaço onde estranhas naves e visitantes de um qualquer outro planeta se pasmam com a existência de "outro tipo de vida" até um inesperado despertar onde nada nem ninguém percebe pelo que passou.
Surpreendentemente fantasiosa e dotada de uma animação inteligentemente delineada, a brevíssima curta-metragem Ryoko da dupla Gallego e Gallego surge como uma clara vencedora quando consegue unir nos seus escassos minutos toda uma viagem por um mundo de fantasia que cruza todos os espaços possíveis e imaginados de um universo, por vezes, desconhecido... da floresta ao fundo do mar sem esquecer o espaço desconhecido, esta história apresenta-nos todo um conjunto de personagens que atravessam os sonhos mais aventureiros dos seus protagonistas lançando-os, inadvertidamente, naquele que será de facto a viagem das suas vidas.
Fortemente ligada a um imaginário de aventura e ficção, Ryoko desperta no espectador um inesperado desejo dessa mesma aventura e o pensamento de que todas as viagens para mais um dia de trabalho pudessem ser tão libertadoras como aquela que estes protagonistas conseguiram aqui ter.
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7 / 10
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Untitled Film #1 (2018)

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Untitled Film #1 de Araque Blanco (Espanha/República Checa) é uma curta-metragem que revela a história de duas amigas - Lucy (Lucy Hadfield e María (María Giaever) - que se cruzam na cidade de Praga, na República Checa formando uma imediata amizade e um laço de cumplicidade que dará forma a toda a sua criatividade.
O realizador e Elpídio del Campo escrevem este argumento criando um universo de cumplicidade entre duas personagens estrangeiras numa terra que se quer de criatividade, criação e uma extrema expressão de sentimentos e emoções em relação àquilo que criam. Das conversas banais que revelam uma certa formação de carácter às pequenas cumplicidades e momentos em que a amizade ganha corpo, estas duas (recentes) amigas perdem-se pelas banalidades da vivência numa cidade diferente e onde ambas são o elemento "extra" influenciando - e deixando-se influenciar - pelos locais, pelas pessoas com quem se cruzam e pela forma como ambas experimentam toda esta nova realidade na definição e formação do seu próprio comportamento.
Como duas inesperadas exploradoras modernas, "Lucy" e "María" encontram neste lugar desconhecido a fonte de uma esperada criatividade buscando inspiração naqueles pequenos elementos - da cidade e das pessoas - excêntricos que as motivem para a criação. Num percurso de descoberta do espaço, das pessoas, da relação que mutuamente criam e principalmente delas próprias, poderá este ser o início de uma amizade duradoura ou apenas o motivo ou meio que encontram para unir esforços num espaço, não adverso, mas desconhecido para ambas?
Untitled Film #1 centra-se essencialmente na dinâmica da descoberta. Quer seja do espaço, das pessoas, das relações ou até mesmo dessa já referida e ausente inspiração como mote para a criatividade, as duas jovens são aqui um veículo para a alcançar. Uma descoberta que passa também, senão principalmente, pela forma como cada um se relaciona numa sociedade diferente e pela ideia que cada um modela (lentamente) através desta descoberta que influencia sobretudo a sua própria individualidade e independência. Quem somos nós no mundo a uma dada altura e como todos esses elementos externos influenciam o "eu" que se perfila no futuro?!
Numa esperança de conferir a esta curta-metragem uma modernidade realista, o realizador brinca o espectador com uma constante sensação de "câmara na mão", onde tudo é filmado na primeira pessoa como que este último seja um observador participante e relativamente activo na consciencialização das experiências que as duas protagonistas vivem. No entanto, se esta difícil experiência poderá retirar positivos contributos ao imiscuir o espectador na obra, não deixa de ser uma realidade que, ao mesmo tempo, pode também ser uma experiência cansativa para o espectador mais impaciente que vê nesta constante movimentação um atributo menos positivo e mais concentrador de uma dispersão - quase uma contradição - intelectual da obra.
Potencialmente interessante na sua forma e na sua origem pelo contributo e pela abordagem à ideia de "estranhos em terra estranha" e do inegável elo que se cria naqueles que partilham a mesma condição assim como pela forma como é nesta união que se pode criar não só uma amizade como principalmente uma forma detentora de uma potencial criatividade - diz-se que todos os artistas criam mais (ou talvez melhor (?!)) quando sob pressão ou em ambiente adversos -, Untitled Film #1 não consegue, apesar da sua premissa, criar uma imediata empatia com o espectador mais sedento de respostas que cheguem de forma mais directa e menos lírica. Enquanto um potencial filme curto artístico, a obra de Araque Blanco poderá figurar entre as mais dinâmicas e interessantes mas, no entanto, enquanto obra capaz de dinamizar a atenção do público... transforma-se num imediato filme mais fragilizado e menos capaz de o prender desde o primeiro instante.
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6 / 10
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Fuera de Juego (2017)

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Fuera de Juego de Richard Zubelzu (Espanha) é um documentário em formato de longa-metragem que aborda a temática da homossexualidade no futebol em Espanha e de todo o tabu que se gera em redor da mesma.
Partindo do pressuposto de que existe um estereótipo instaurado na sociedade nas mais diversas áreas, desporto incluído, e à qual todos "respondem" aceitando e não questionando, como reagir quando aqui a expressão da sexualidade individual difere desse ideal previamente estabelecido e dominante? A sexualidade, direito civil consagrado na lei, não colide com os interesses ditos "de grupo" quando expresso de acordo com a corrente da maioria mas, no entanto, existe uma (suposta?!) minoria silenciosa que lentamente começa a assumir-se como detentora de direitos igualitários.
Assim, e conhecendo o espectador que o meio desportivo e muito particularmente aquele ligado ao futebol, a grande questão ou pensamento que este documentário pretende levantar e deixar presente na mente do mesmo é a ideia de que todas as formas de descriminação começam na vontade de inferiorizar a diferença. Dito isto, num meio onde a suposta masculinidade prevalece em detrimento dessa diferença, ou da expressão de uma sexualidade não dominante - partimos desta premissa apenas pelo desconhecimento da sexualidade/estereótipo associada ao grupo -, e tendo como ponto de partida que aqueles aqui inseridos "correspondem" ao ideal de família previamente instaurado, Fuera de Juego lança uma última ideia ligada ao facto de que o suicídio é acto que está tantas vezes ligada a este "preconceito de balneário" que inibe os atletas primeiro de se assumirem tal como são e depois agentes que reagem à pressão de pares pela impossibilidade dessa mesma expressão sexual individual.
No entanto, Fuera de Juego revela que lentamente e através de pequenos actos, algumas associações espanholas ligadas ao futebol têm vindo a tentar a sensibilização do grande público nomeadamente através do uso de atacadores multicolores durante as partidas de futebol bem como através do movimento que defende que o insulto - aqui sexual - não é um direito mas sim um acto de violência e agressão psicológica para com os atletas que assumem a sua sexualidade... não dominante. Se na rua não se ofende e agride verbalmente ninguém, o objectivo é então que em campo este insulto também não pode ser permitido.
Se toda esta dinâmica é equacionada num desporto dito "masculino" e, como tal, a questão aqui imposta é a homossexualidade masculina, Fuera de Juego questiona ainda esta expressão de sexualidade no campo feminino ou, por outras palavras, este documentário levanta ainda a questão através da exibição de pequenos elementos ou pensamentos que demonstram que num desporto dito "para homens", a descriminação já se encontra presente quando disputado por mulheres e, sobretudo, se estas se assumirem também como homossexuais estando, dessa forma sujeitas a uma pressão e violência (pelo menos) verbal e psicológica dupla ao serem vistas como "invasoras" de um desporto masculino e ainda pela sua expressão sexual "não dominante".
Se Fuera de Juego revela que a realidade é ainda negra apesar dos enormes progressos que lentamente - muito lentamente - se têm vindo a registar na área desportiva, não deixa de ser uma realidade que o efeito tabu já foi levantado e que os assuntos começam a ser discutidos ainda que com a resistência de muitos dos ditos "poderes instalados". No entanto, tem sido através da constante acção de muitos atletas e de muitas organizações e associações que consciencializam para a aceitação dessa diferença que a temática da homossexualidade no desporto, ainda que não total e livremente debatida, seja já encarada como uma realidade e um elemento presente na vida de muitos.
Quanto a esta documentário enquanto uma peça cinematográfica, aquilo que lhe falta não é tanto a abordagem a esta temática, sempre importante e muito pertinente, mas sim o facto das entrevistas ou mesmo das abordagens à homossexualidade dos atletas não ser levada mais a fundo explanando - para o espectador - através de momentos e experiências de muitos que pudessem estar dispostos a falar na primeira pessoa. Porque um documentário não pode ser apenas a documentação dos factos mas sim os relatos que humanizam as histórias, as experiências, os traumas e a própria violência a que muitos foram sujeitos. Importante enquanto peça cinematográfica que aborde esta questão - talvez - pela primeira vez mas ainda assim apenas um projecto embrião para um assunto que terá certamente ainda muito por abordar e explorar... Talvez a partir daqui exista a vontade de muitos - ou de apenas alguns - em começar a encará-lo como algo realmente relevante (e não apenas "existente") e, como tal, necessário de ser discutido e debatido. Ao realizador Richard Zubelzu os parabéns pela iniciativa e pela coragem de finalmente trazer esta temática à atenção do público.
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5 / 10
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Ñimbo (2017)

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Ñimbo de Ricardo Zavala (Espanha) é uma curta-metragem com um argumento escrito pelo realizador em parceria com Diana Estévez que conta a história de Matías (Sergio Viniccio) um homem que compreende tarde que a Humanidade se prende à relação com as coisas materiais fazendo delas o seu próprio mundo.
Num mundo onde mais nada para lá de uma praia deserta parece existir, "Matías" parece apenas manter conforto na relação que estabelece com um pequeno urso de peluche de nome "Ñimbo". Depois de um longo sono, "Matías" desperta para perceber que o seu objecto de conforto desaparecera da sua vista e compreender que a integridade de todo o seu mundo fora abalada.
Intencionalmente preocupada com uma analogia onde Homem e Mundo vivem num certo espaço temporal distante - pouca é a relação entre ambos para lá daquela de sobrevivência e subsistência a que o Homem está sujeito -, esta curta-metragem parece perder-se na sua dinâmica narrativa quando, ao mesmo tempo, tenta passar a mensagem de dependência do Homem em relação aos seus bens materiais que considera mais importantes do que todo o demais espaço que não sequer perde para contemplar.
Quando num espaço onde apenas reage para a sua sobrevivência e sustento se preocupa com um objecto que, na prática, o espectador nunca conhece a sua real importância para lá de uma potencial relação com o seu passado mais infantilizado - que não percebemos se já o perdera de facto -, o espectador questiona-se se a intenção do realizador é realmente a relação do Homem com o meio, do Homem com o seu passado ou ainda do Homem com o mundo material onde a riqueza e a posse determinam a importância social de cada um.
Algo dispersa na sua intenção e sujeita a uma múltipla interpretação do seu argumento - nem sempre pelos melhores motivos - Ñimbo revela ainda as suas fragilidades técnica nomeadamente na captação de som e na dinamização de um espaço natural sub-aproveitado que apenas parece servir de adorno para a fluência da história e não uma sua parte integrante. Compreensível, de uma forma geral, no que diz respeito às suas intenções é, no entanto, a execução e prática das mesmas que se faz perder na sua narração demonstrando um argumento algo fragilizado e pouco coerente que se deixa fluir pela força da necessidade de encontrar um final para esta história.
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5 / 10
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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tom Wolfe

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1931 - 2018
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Roberto Farias

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1932 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #99

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O Shortcutz Viseu chega para a sua Sessão #99 com uma edição especial dedicada aos mais jovens. Naquele que é o Dia Internacional dos Museus, o Shortcutz Viseu apresenta como convidado especial o MONSTRA - Festival de Cinema de Animação de Lisboa com a sua secção Monstrinha com filmes curtos vindos de Alemanha, Bulgária, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Reino Unido, República Checa e Rússia.
O dia estará dividido em duas sessões iniciando-se a primeira pelas 14 horas e, de seguida, uma segunda sessão pelas 15:30 realizando-se, ambas, no Museu Nacional Grão Vasco.
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domingo, 13 de maio de 2018

Margot Kidder

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1948 - 2018
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sábado, 12 de maio de 2018

Antonio Mercero

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1936 - 2018
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Bill Gibron

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1961 - 2018
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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #98

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O Shortcutz Viseu está de volta e desta vez com a Sessão #98 inteiramente dedicada a um convidado especial... o MONSTRA - Festival de Cinema de Animação de Lisboa.
A sessão, que será preenchida com uma selecção de filmes curtos internacionais seleccionados a partir do programa oficial do festival da edição de 2018, contará com a presença de Fernando Galrito, o Director Artístico do festival que estará disponível para a habitual conversa com o público presente.
As curtas-metragens, que terão legendagem em português, serão exibidas a partir das 22 horas da próxima sexta-feira dia 11 de Maio, no Museu Nacional Grão Vasco.
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terça-feira, 8 de maio de 2018

Anne V. Coates

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1925 - 2018
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Maurane

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1960 - 2018
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Ermanno Olmi

 
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1931 - 2018
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European Film Awards - Young Audience Award 2018: o vencedor

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A longa-metragem de co-produção de França e Burkina Faso Wallay, de Berni Goldblat venceu a sétima edição do Young Audience Award atribuído anualmente pela Academia Europeia de Cinema e votado simultaneamente por jovens dos 12 aos 14 anos em várias cidades europeias incluindo Lisboa.
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Wallay conta a história de um jovem adolescente de treze anos que se vê forçado a sair da sua casa em França e passar a viver na casa rural da sua família no Burkina Faso onde terá de enfrentar uma precoce idade adulta transformando-se no homem que todos esperam que ele seja.
A trigésima-primeira edição dos European Film Awards irá decorrer em Sevilha, Espanha, no próximo dia 15 de Dezembro.
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domingo, 6 de maio de 2018

Horacio Valcárcel

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1932 - 2018
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IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2018: os vencedores

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Terminou ontem a mais recente edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu na capital desde o passado dia 26 de Abril.
São os vencedores:
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Competição Internacional
Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa: Baronesa, de Juliana Antunes e Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre
Grande Prémio de Curta-Metragem: Solar Walk, de Réka Bucsi
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Competição Nacional
Longa-Metragem: Our Madness, de João Viana
Curta-Metragem: Os Mortos, de Gonçalo Robalo
Prémio Novo Talento: Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra
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Silvestre
Longa-Metragem: O Processo, de Maria Augusta Ramos
Curta-Metragem: Braguino, de Clément Cogitore
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IndieMusic
Prémio IndieMusic: Matangi/Maya/M.I.A, de Steve Loveridge
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Prémios do Público
Longa-Metragem: O Processo, de Maria Augusta Ramos
Curta-Metragem: Stay Ups, de Joanna Rytel
Prémio do Público IndieJúnior: Professor Sapo, de Anna van der Heide
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sábado, 5 de maio de 2018

Festival Internacional de Cine de Piélagos 2018: os vencedores

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Terminou há instantes a nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorreu na Cantábria, em Espanha desde o passado dia 30 de Abril e no qual tive o prazer de estar presente pelo quarto ano enquanto seu programador oficial.
Foram os vencedores:
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Secção Oficial
Premio Dunas de Liencres
Longa-Metragem Puesta de Largo: Tarde para la Ira, de Raúl Arévalo
Curta-Metragem Internacional: Bomboné, de Rakan Mayasi (Palestina)
Curta-Metragem Nacional: Madre, de Rodrigo Sorogoyen
Curta-Metragem da Cantábria: Le Vivre Ensemble, de José Luis Santos
Documentário Curta-Metragem Nacional: Mot de Passe: Fajara, de Patricia Sánchez e Severine Sajaous
Documentário Curta-Metragem da Cantábria: Testigos Pétreos, de Jacobo Muñoz
Curta-Metragem de Animação: Decorado, de Alberto Vázquez
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Premio Costa Quebrada
Realização: Rodrigo Sorogoyen, Madre
Realização Revelação: Victor Luis Quintero e Sergio Rey Sanchez, El Casamiento
Actor: Daniel Grao, El Alquiler
Actriz: Marta Nieto, Madre
Argumento: Iván Sáinz-Pardo, Ainhoa
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Premio Canallave
Prémio Distribuição MailukiFilms: Abuelo, de Caque Trueba e Juan Trueba
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Premio Valdearenas: Pelayo Lopez - "Cinenterate Cantabria"
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Secções Paralelas
OneSequenceShot: Desaliento, de Pinky Alonso
UnoCortoyRapidito: Rosa, de Zoa Peña e Ana Herrán
NoTeCortesHazTuCorto: Mala, Malísima (Renedo)
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Pierre Rissient

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1936 - 2018
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Nove de Novembro (2018)

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Nove de Novembro de Lázaro Louzao (Espanha) revela a história de Roberto (Ademar Silvoso) e Miguel (Brais Yanek) que, no final da década de '80 cumprem dez anos de relação. Em quatro breves dias enquanto assistem às convulsões numa distante Alemanha, as memórias do passado entram em conflito com a sua realidade presente e aquilo que parecia ser uma união estável demonstra ser tão frágil como o Muro que, em Berlim, ameaça ruir.
O realizador e argumentista Lázaro Louzao cria com este Nove de Novembro um conto sobre a relação entre dois mundos aparentemente similares mas que têm de viver numa crescente incerteza que irá definir os seus destinos. Desde cedo que o espectador acompanha a relação entre o par protagonista percebendo as aparentes diferenças que caracterizam cada um deles e, do universo de 1978 àquele de 1989, compreendem-se as dinâmicas entre o casal desde o momento em que reinou a paixão, passando pelo amor, pela convivência e até mesmo pela inesperada traição que marcará um novo momento... o do final... mas não uma ruptura.
Numa constante oscilação entre épocas temporais - não esquecer que assistimos a um presente em Novembro de '89 mas com revisitação ao momento pós-ditadura franquista em 1978 -, Nove de Novembro começa por revelar o momento em que "Roberto" e "Miguel" se conhecem e trocam as primeiras (e pouco desejadas) impressões comuns. Por entre os problemas comuns a qualquer casal que cruzam a traição ou até questões financeiras, dos desentendimentos que tudo geram aos dissabores pelo confronto de realidades que são, em certa medida, distintos entre si, esta longa-metragem apresenta-nos também os momentos cúmplices entre este par protagonista que, ainda assim, parece fazer adivinhar uma iminente ruptura na sua convivência comum.
Mas não são só os esperados problemas enquanto casal que esta longa-metragem revela. Nove de Novembro tem ainda o contributo histórico de inserir o espectador numa determinada época da História contemporânea de Espanha e revelar que desses idos anos da década de '70 onde o país saíra de uma ditadura de mais de quarenta anos, existia toda uma esperança rejuvenescedora na dita "nova geração", onde todos os sonhos e desejos pareciam então possíveis e concretizáveis mas que, pela força de um conservadorismo e catolicismo muito enraizados na sociedade, se deixaram perder tornando-se nas frustrações daqueles que iriam (então) construir a nova Espanha. Entre as frustrações de uma família que nem sempre aceita a revelação da sexualidade de "Miguel", ao início da vivência a dois por este facto despoletada, esta história capta então o tal registo a dois, de dois perante um mundo em constante transformação - não só pela recente Democracia em Espanha como também numa Europa em convulsão e que se reformularia até violentamente - e principalmente a forma como todas as certezas do casal "sentem" (est)a transformação como algo determinante no seio da vida a dois.
Assim, as discussões que inicialmente se assumem como fruto de um conjunto de adaptações normais de uma vida onde dois decidem, começam lentamente a ganhar contornos mais profundos ao revelar dissabores sentidos em relação a uma educação mais conservadora - a de "Miguel" -, que resulta na queda da relação nos lugares comuns daquelas que se formam no início de uma liberdade recém adquirida onde o desejo pelo "proibido" se assume e ganha forma, lentamente minando a confiança, a existência pacífica e a sentida cumplicidade que (em tempos) havia marcado a sua convivência e o seu espaço comum.
Repleto de histórias sobre um passado comum, a consciência de um presente que já não o será podendo estar, inclusive, perdido até na própria amizade, com a certeza da doença que agora afecta o que resta dessa já ida cumplicidade, Lázaro Louzano cria uma história de um amor (não) perdido e ausente que transforma as realidades de dois homens - e da sociedade - num inesperado não tão admirável mundo novo que é vivido quase exclusivamente por detrás das quatro paredes de um quarto onde se conversa, se recorda o passado, se ama e principalmente se ganha consciência da realidade da desilusão. No fundo este não tão breve encontra versa sobre a compreensão daquilo que se perdoa e aquilo que já não se consegue suportar.
Com uma excelente direcção de fotografia de Maite Redondo e Iago Vilarinho que capta a essência de um espaço onde agora já pouca luz consegue brilhar e duas magníficas interpretações a cargo de um intenso Ademar Silvoso que se deixa levar pela força motora de um amor desencantado e de Brais Yanek como aquele que tudo teve e tudo deixou perder, Lázaro Louzao cria Nove de Novembro, uma inesperada e firme primeira longa-metragem onde a história do indivíduo se confunde com a do mundo, complementando-se nas suas diferenças e assumindo-se como idênticas na sentida transformação que ambas encontram... mesmo na liberdade onde tudo aquilo que se espera nem sempre se assume como garantido.
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8 / 10
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Carmen (2018)

Carmen de Charo Gutiérrez (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção paralela UnCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
Carmen é uma mulher como tantas outras que se dedica a uma vida de lida doméstica. Arruma e limpa a um ritmo quase mecânico até ao momento em que a sua vida se revela preparada para algo mais.
Charo Gutiérrez cria uma obra assumidamente feminista que inicialmente coloca a sua protagonista "Carmen" como uma mulher tolhida por uma vida de lides domésticas que ensombraram uma potencialmente vida diferente para, nos últimos instantes desta curta-metragem, a colocar como uma mulher que se liberta das suas amarras e dos estereótipos que lhe são tradicionalmente atribuídos e revelar-se como alguém preparado para enfrentar todo um mundo moderno com garra.
Filmado como uma curta-metragem experimental onde são explorados elementos e momentos tradicionalmente representativos e simbólicos de um género, Carmen tenta quebrar barreiras e destruí-los apresentando toda uma dinâmica diferente sobre o que é ser mulher.
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6 / 10
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Rosa (2018)

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Rosa de Zoa Peña e Ana Herrán (Espanha) é uma das curtas-metragens apresentadas na secção paralela UnoCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer na Cantábria, em Espanha.
Este breve documentário conta ao espectador a história de Rosa, uma mulher que sempre ansiou poder fazer parte do mundo das artes, ao qual sempre dedicou toda a sua paixão mas que, pela passagem do tempo e dos anos viu o seu sonho ser perdido em nome de outras ocupações como o casamento ou a maternidade.
Cansada de esperar e de perder a sua oportunidade em favor de mulheres mais jovens por quem ainda não passaram os sinais do tempo, Rosa decide tentar sempre "uma vez mais", e esperar que a sorte lhe bata finalmente à porta.
Actual e pertinente numa sociedade que cada vez mais exclui na base do género e da idade, Rosa é um breve mas muito importante documentário que expõe as dificuldades de uma mulher em fazer cumprir o seu sonho de sempre e a sua vontade e desejo de não se limitar ao papel social que a comunidade lhe define como o primeiro e principal... o de mãe e esposa. Decidida, ainda que desiludida e desapontada, "Rosa" é uma mulher que, entre tantas outras, não se conforma com aquilo que é esperado dela decidindo lutar pelo desejo de uma vida no mundo artístico mesmo que para isso tenha de ser sucessivas vezes preterida até ao dia em que finalmente irá ver concretizado o que sempre ambicionou. Sem desejos aparentes de uma fama internacional, aquilo que esta mulher pretende é apenas sair do espaço que lhe foi previamente definido pelos demais querendo, portanto, encontrar o espaço próprio que ela sente e quer... que seja o seu.
Ainda que breve, Rosa é um documentário sempre actual, que define a inexistência de fronteiras ou limites para o sonho de alguém que deseja ser algo mais... alguém que deseja ultrapassar os entraves de uma sociedade dita jovem e feminina na aparência e masculinizada nas vontades impondo, livremente, que mais importante do que a concretização é a possibilidade de ver o tal sonho nascer, crescer e fomentar-se.
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7 / 10
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